Anvisa a um passo de proibir os emagrecedores no Brasil

Agência reguladora não se convence das desvantagens de proibir a venda dos inibidores de apetite em reunião técnica com especialistas e deve, até agosto, anunciar a proibição desses medicamentos.

Após meses de intensos debates, deve se confirmar a proibição da venda de remédios inibidores de apetite no Brasil, sugerida em nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em fevereiro deste ano. A discussão acerca do assunto foi encerrada em um painel promovido, na terça-feira, pelo órgão, conforme adiantado pelo Correio em 8 de junho. Segundo a chefe do núcleo de investigação em vigilância sanitária da Anvisa, Maria Eugênia Cury, o encontro reforçou as conclusões da agência reguladora de que não há margem de garantia para o consumo da sibutramina e dos anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazidol) com segurança por pacientes obesos. “Nós não conseguimos ter uma resposta objetiva de qual população se beneficia. Que o medicamento tem problemas de segurança, eu não tenho dúvidas. Reforçou (o painel) a avaliação de que o perfil de segurança do remédio é mais desfavorável do que favorável”, afirma Maria Eugênia.

Boa parte da discussão voltou-se ao uso dos medicamentos, bastante receitados no Brasil. Segundo o presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, o mundo consumiu 5,7t de sibutramina em 2010. Dessas, 3,3t foram vendidas na América do Sul e quase 80% desse valor, cerca de 2,6t, foram consumidas por pacientes brasileiros. A maior divergência entre a agência e as entidades médicas e farmacêuticas envolvidas girava em torno do estudo Scout, que levou à proibição da sibutramina na Europa. No painel técnico, segundo Maria Eugênia Cury, foi possível analisar os dados do estudo e mostrar para os médicos que não havia equívoco em falar sobre os riscos para qualquer obeso, e não apenas para aqueles que já tenham histórico de doenças cardiovasculares. “A gente conseguiu ver que há técnicos e cientistas que não são da Anvisa e que confirmaram a nossa avaliação de que esse estudo, aliado a outros, demonstra riscos na utilização em uma população que não é só essa de contraindicação”, explica a coordenadora.

Cury afirma que muitas das 15 questões enviadas às entidades médicas a respeito da segurança do uso dos emagrecedores permaneceram em aberto mesmo após os debates de terça. O representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Ricardo Meirelles, afirma, no entanto, que todas foram sanadas. “Elas foram respondidas embasadas em publicações de revistas científicas, mostrando que não era a opinião de alguns especialistas, mas conclusões de trabalhos feitos em diversos países. A sensação que se teve é de que a Anvisa já está com uma ideia pré-concebida e não parece muito disposta a mudar”, queixa-se. “Para os defensores da manutenção desses medicamentos, o estudo Scout foi mal interpretado porque foi feito com pacientes que já tinham doença cardiovascular prévia. O estudo apenas confirmou a bula, e a Anvisa, a exemplo da Agência Europeia, está querendo estender a proibição a toda a população de obesos”, diz Meirelles.

O argumento usado pelos médicos, segundo o cardiologista e autor de livros de farmacologia clínica Flávio Danni Fuchs, não foi convincente. “Não se tem evidência concreta de que (o medicamento) seja útil em pacientes. Infelizmente, ele aumenta a pressão arterial e se mostrou perigoso em indivíduos com doença vascular e diabetes. Medicamentes que não têm segurança não devem ser autorizados para uso”, sustenta Fuchs.

Se antes havia um clima de otimismo entre os médicos diante da possibilidade de recuo da Anvisa, agora há apreensão. “Se for mantida essa posição, vai ser um prejuízo para todos os obesos, que atualmente são mais de 15% da população brasileira”, afirma Meirelles, representante da Sbem.

A Anvisa tem dois pareceres favoráveis à suspensão do registro dos inibidores de apetite no país. Depois do último painel de discussão, será elaborado um documento que será submetido à avaliação da Diretoria Colegiada da agência reguladora, que deve decidir pela proibição dos emagrecedores. A previsão é de que a resposta final saia até agosto, segundo o presidente Dirceu Barbano.

Fonte: Correio Braziliense – 16/06/11

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Autor: Dr. Leonardo Palmeira

Psiquiatra pela faculdade de medicina da UFRJ com especialização e pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto Philippe Pinel, Rio de Janeiro. Membro Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (Schizophrenia International Research Society) desde 2005. Autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia.

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3 Comentários

  1. >Sobre o uso de medicamentos para emagrecer, não posso dizer se deve ou não ser proibido. Mas sei de suas consequencias para a saúde, e são realmente desastrosas e não resolvem nada se não tiver uma reeducação alimentar e mudança nos hábitos de vida, como a prática de atividades físicas.
    Sobre a utilização com uso de receita, só torna a prática permissível, pois existem "médicos" que receitam esses medicamentos sem nenhum pudor e ética.Falo por que já fui a muitos pedir ajuda para secar uns quilinhos,provocados por uso de medicamentos, digo o nome dos remédios que uso para transtorno bipolar e muitos receitaram não só a sibutramina, mas houve quem receitasse fórmulas com anfepramona, fluoxetina etc. E aí quem teve o bom senso de não usar foi eu ,pois sei que não posso fazer uso dessas substancia e sei que tais medicamentos, podem provocar o desenvolvimento de problemas emocionais e até transtornos mentais.( já presenciei casos de pessoas q tiveram depressão c/ uso desses medicamentos, depoimento no CAPS).
    Então, é um caso muito importante a ser discutido. De um lado os Endroclinonogistas afirmam que pacientes obesos necessitam usá-los. De outro o consumo desnecessário, descontrolado, indiscriminado. Enquanto isso fico vendo muitas amigas se acabarem usando essas substâncias, é só sair do peso alguns quilinhos que logo resolvem o problema, enchendo de pílulas resultado é rápido, emagrecem e engordam na mesma proporção. Tenho amiga que não vive sem eles e tem que ser dosagem forte, o organismo já está acostumado, mas não adianta falar, a resposta é:" isso de ser perigoso é só pra ver a gente gorda". Fico com pena, mas não posso fazer nada, uma vez que minha opinião nem é levada a sério, acham que por ser bipolar, e não poder usar e ter sido várias vezes internada, o que digo é exagero. Se estivéssemos falando de obesos, mas são pessoas q estão apenas alguns quilinhos a mais.
    E o que me encabula é como compram os remédios, sei que o Sus, já retirou as receitas, não sei o nome, só sei que são especiais para prescrever os remédios para emagrecer.
    Agora, os obesos mórbidos ,também tem pouco resultado, uma vez que essas pessoas nunca saem da condição de obesos, se não for através de cirurgia ou se tiver muito força de vontade, mas existem outras causas para a obesidade, e que necessitam do medicamento a vida toda. Como vai ser a vida deles? Aí não posso opinar.

    Bom, se falei besteira, e desculpem. Mas falei o q penso e vejo acontecer com o uso indiscriminado, digo indiscriminado de remédios para emagrecer.

    Aí dr Leonardo, tô contigo. Firmeza. Tudo de bom, vc é 1000000000!

    Rosangela.

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  2. >Sorte:
    é quando o Acaso rima com o Destino

    Assim, sãos tuas mãos dadas ao nosso caminho! Muito obrigada por tudo!!

    Juliana Gelmini

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  3. >Dr Leonardo Parbéns pelo Blog!! Eu tenho TDAH(Disturbio Defict de Atenção)desde criança e tomo Concerta 54mg!! e agora estou com uma Ejaculação Precoce fui a um Urologista eli me receitou Roxetin 20mg!! Para tomar a noite e tomo o concerta cedo!!Posso continuar a usar esses medicamentos mesmo ou um atrapalha o outro? Obrigado

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