Artigo Jornal O DIA: Os tabus da esquizofrenia

Rio – O tema esquizofrenia foi abordado recentemente de forma clara e educativa, instigando a sociedade a rever preconceitos e estigmas que rondam a doença há mais de um século. Tabus como associá-la à violência, à necessidade de internações prolongadas e à impossibilidade de recuperação ou a atitude de culpar o paciente e a família pela doença precisam ser desmistificados para o bem daqueles que lutam para vencê-la.

A esquizofrenia é uma doença como outra qualquer, que acomete o corpo e a mente da pessoa sem que ela possa se defender ou se precaver. O cérebro é inundado por uma substância chamada dopamina, produzida em excesso por neurônios que têm dificuldade para se conectarem.

A predisposição para a doença é genética e ninguém, principalmente o paciente e sua família, deve ser responsabilizado por ela.

Diversos estudos comprovam cientificamente que esquizofrênicos não são violentos, com índices de agressões ou crimes próximos aos da população geral. A maioria, pelo contrário, é mais vítima do que algoz, sentindo-se acuada pelos delírios e alucinações.

O tratamento é eficiente, reduz a necessidade de internações e é capaz de devolver à pessoa a capacidade de ter uma vida normal. Ela pode trabalhar, estudar, divertir-se e formar uma família.

Ele deve abranger medicamentos, psicoterapias, terapias ocupacionais e de família. Terapeutas devem ensinar sobre a doença aos parentes, ajudá-los na compreensão e na solução pacífica dos conflitos, reduzindo assim o estresse e as recaídas. Os pacientes não devem ser ofuscados pela doença e suas possibilidades vão muito além da esquizofrenia.

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Autor: Dr. Leonardo Palmeira

Psiquiatra pela faculdade de medicina da UFRJ com especialização e pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto Philippe Pinel, Rio de Janeiro. Membro Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (Schizophrenia International Research Society) desde 2005. Autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia.

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1 Comentário

  1. >Dr.Leonardo,

    Sou portadora de esquizofrenia e de acordo com minhas pesquisas pude constatar nos noticiarios, dois casos de pessoas com esquizofrenia que faleceram em consequencia do tratamento que receberam depois do primeiro surto, seja por uma internaçao por 4 dias ou meses sem ter nenhum familiar que o apoie por perto como acompanhante durante a internaçao. Porque quando um paciente tem um surto pela primeira vez, o desconhecimento da doença pelos familiares e nulo, ou seja, eles tb precisam de apoio psicologico para lidar com o doente.E muitas das vezes, o medico psiquiatra por sua ignorancia, começa a dizer aos pais do doente, que e uma doença que nao tem cura e sugerem logo eletroconvulsoterapia e excesso de mediamentos, a meu ver isso e uma tortura e um modo de exterminar o doente, e o resultado da impotencia dos profissionais de saude em relaçao a um ser humano. Alem disso, em razao do estigma, a expectativa dos pais diminuem em relaçao ao filho doente, e natural que os pais passem por um periodo de ajuste construtivo para aceitar a doença. Ocorre que a rejeiçao inconsciente do pais e dos medicos podem acabar prejudicando o bem estar do doente, a convivencia social e a sua sociabilidade, porque um doente precisa acima de tudo ser aceito pelo meio.Atualmente sou uma estudiosa do assunto esquizofrenia, e procuro me informar ao maximo sobre a doença, de forma que ao me conscientizar das dificuldades reais, aprendi a lidar com o estigma, e fazer com que meus familiares compreendam que a esquizofrenia tem cura, pois a medida que valoriza-se o potencial do doente, suas qualidades e virtudes, encontrando outros meios em que ele possa crescer e se desenvolver como ser humano com apoio e afeto acontece o nascimento de uma nova pessoa, e para que isso aconteça ,eu recomendo terapia com a psicologia de base humanista, assim conseguiremos recuperar a auto estima,sua valorizaçao como pessoa e a felicidade de viver de forma saudavel, amando a si e aos outros, aprendendo a lidar com as dificuldades, vivenciando a liberdade de ser feliz.

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