Estado Misto: depressão que não melhora com antidepressivos

Já abordei aqui no blog a respeito dos estados mistos e de sua relação com a bipolaridade, mas decidi dar maior ênfase, pois tenho recebido muitos pacientes em uso de antidepressivos, com diagnóstico prévio de depressão ou ansiedade, mas sem benefício claro do uso prolongado desses medicamentos.

E quem são esses pacientes? Escolhi dois exemplos que marcam bem como esses pacientes chegam para uma primeira consulta:

Exemplo 1 – paciente que já fez uso de diversos antidepressivos diferentes (mudou muitas vezes), teve uma melhora inicial, mas depois voltou a ter sintomas. Os sintomas, em geral, são de muito cansaço, vontade de permanecer na cama ou sono durante o dia, desânimo, falta de prazer, enfim, sintomas depressivos, mas também muita ansiedade, na forma de somatização (taquicardia, sudorese, aflição no peito, pânico) ou psicológica (inquietação, agitação, impaciência), pensamentos repetitivos, acelerados ou com muitas idéias ao mesmo tempo, percebidos como uma dificuldade de relaxar ou de desligar a mente, o que também vem acompanhado de insônia à noite, déficit de atenção e memória. Não raro observa-se aumento de apetite e/ou ganho de peso.

Exemplo 2 – paciente que começou um tratamento com antidepressivo, teve melhora inicial, permaneceu com o medicamento, mas depois voltou a sentir sintomas desagradáveis, muitos dos quais não ocorriam antes (sensação de que o “quadro mudou”). Tornou-se mais irritadiço, ansioso, com dificuldade de relacionamento em casa ou no trabalho. A percepção muitas vezes é de que a “depressão” melhorou, mas deu lugar a um estado crônico de mau humor. Os sintomas mencionados no exemplo 1 também são comuns neste caso. A diferença é que esses pacientes “responderam” ao tratamento antidepressivo, mas não conseguem mais viver sem ele, pois mesmo com ele não se sentem 100% (“imagine sem ele”).

Em ambos os casos percebe-se que o tratamento com antidepressivos não foi eficaz, pois não resolveu todos os sintomas, ou pode ser inclusive maléfico, mudando o perfil sintomático do quadro, gerando maior irritabilidade, intolerância ou comportamento explosivo/agressivo.

>A dificuldade em identificar esta mudança está no fato de que elas ocorrem lentamente, depois de uma impressão inicial de que a resposta ao antidepressivo foi positiva. Há a tendência de o paciente achar que os sintomas mais ansiosos e irritadiços se devem aos fatores externos e é rara a percepção de que eles estão relacionados ao tratamento ou ao humor.

A grande preocupação é que este quadro pode se cronificar e a pessoa se tornar diferente, com características de temperamento e personalidade que antes não tinha. Sabemos que uma doença psiquiátrica crônica por si só já pode fazer isso, mas uma doença tratada de maneira errada pode tornar este processo ainda mais rápido. Os desgastes sociais e familiares são enormes!

É importante que o psiquiatra saiba identificar os quadros mistos, pois a mudança na forma de tratar pode não só recuperar o paciente de todos os sintomas que sente, como evitar que, a longo prazo, seu problema se torne crônico.

Manuais diagnósticos não dão importância devida

A maior dificuldade hoje é que os manuais diagnósticos atuais (CID-X e DSM-IV) não dão a ênfase necessária a esse problema. A CID-X, por exemplo, só fala em estado misto como um subtipo do transtorno bipolar, mas oferece um diagnóstico de transtorno misto de ansiedade e depressão (F41.2) junto aos demais diagnósticos de ansiedade, cuja a descrição em muito se assemelha aos estados mistos. O transtorno misto de ansiedade e depressão é uma das principais causas de afastamento pelo INSS por motivos psiquiátricos, mas a própria CID-X recomenda que este diagnóstico seja dado aos casos mais leves ou não persistentes, pois os casos mais graves e crônicos deveriam ser classificados como transtorno de humor.

A confusão diagnóstica não pára por aí. Como os estados mistos estão inseridos nos manuais diagnósticos como parte do transtorno bipolar, exige-se para o seu diagnóstico que o paciente tenha, além do episódio depressivo, ao menos um episódio de mania ou hipomania (euforia). Este é justamente o maior dos problemas, já que a grande maioria dos pacientes com estado misto nunca teve e nem terá um episódio de mania ou hipomania. O episódio misto já é, por definição, um estado do humor que mistura os extremos, de um lado a depressão (baixa do humor) e de outro a inquietação ou agitação (elevação do humor).

A ciclotimia, outro diagnóstico que deveria pertencer ao grupo da bipolaridade, foi considerada pelos atuais manuais diagnósticos como um transtorno persistente do humor, enquanto que a maior parte dos ciclotímicos experimenta estados mistos, pois como ciclam ou variam muito rapidamente de humor, os dois estados acabam se sobrepondo.

Os manuais diagnósticos acabam influenciando mais o cotidiano dos psiquiatras e de seus pacientes do que imaginamos. Como existe a dificuldade diagnóstica, protela-se muito o tratamento com os estabilizadores de humor e, por outro lado, pacientes resistem muito à idéia de tomar um estabilizador por rejeitarem a hipótese de possuírem uma forma de transtorno bipolar ou porque não compreendem como um estado predominantemente depressivo deve ser tratado sem antidepressivos ou com a combinação de outros medicamentos.

Isto sem falar da maioria dos pacientes, que estão se tratando com clínicos gerais e outros especialistas que não possuem esta compreensão dos transtornos de humor e não conseguem, portanto, diferenciar um estado misto de um estado depressivo.

As novas versões dos manuais de diagnóstico psiquiátrico precisarão dar conta desta demanda, que hoje pode ultrapassar 60% dos pacientes tratados com antidepressivos, segundo pesquisas recentes.

Pensando no futuro

O tratamento com estabilizadores de humor não só melhora os sintomas desses pacientes, como equilibra o humor ao longo do tempo, permitindo que eles tenham relacionamentos mais positivos em casa e no trabalho, sejam mais eficientes em suas atividades e tenham, portanto, melhor qualidade de vida.

Os sintomas cognitivos são muito comuns nos estados mistos, percebidos como uma falta persistente de concentração, esquecimentos, dificuldade de leitura, lentidão de raciocínio, levando à falta de persistência nas atividades. Estes sintomas podem cronificar da mesma forma que os sintomas do humor e se transformarem num problema maior à medida que a idade avança e o cérebro envelhece.

O estabilizador de humor carbonato de lítio, conhecido como lítio, considerado um dos tratamentos mais eficazes na bipolaridade, tem comprovada ação neuroprotetora, retardando o aparecimento de demências (doenças neurodegenerativas) na terceira idade em pacientes bipolares.

O que parece contribuir muito para o declínio cognitivo é a persistência de sintomas depressivos e ansiosos ao longo da vida, o que infelizmente é mais regra do que exceção nos estados mistos. Por isso a necessidade do tratamento adequado, pois além da melhoria de curto e médio prazo, é fundamental pensarmos preventivamente e zelarmos pela saúde mental dessas pessoas quando estiverem com mais de 60 anos de idade.

Da mesma forma que praticar exercícios e ter uma boa alimentação na idade adulta ajuda prevenir as doenças degenerativas, cuidar da saúde mental e do seu ambiente familiar e de trabalho também é de crucial importância para envelhecer com lucidez!

Os estabilizadores de humor são uma opção segura e eficaz

O tratamento indicado no estado misto é o estabilizador de humor. Esta classe compreende medicamentos com mecanismos de ação diferentes, com indicações também em outras áreas da medicina. Um exemplo comum é dos anti-convulsivantes, medicamentos indicados na epilepsia. Alguns deles, como a lamotrigina, o divalproato de sódio, a oxacarbazepina e a carbamazepina possuem eficácia comprovada na regulação do humor, sendo medicamentos classicamente utilizados no transtorno bipolar.

Outro estabilizador de humor por excelência é o carbonato de lítio, considerado ainda hoje o padrão-ouro, terminologia utilizada na medicina para indicar que um determinado medicamento é a referência no tratamento de uma doença.

Os estabilizadores de humor podem ser utilizados isoladamente, em associação entre eles (p.ex. dois estabilizadores em conjunto) ou em associação com outros medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos. Isto ocorre porque o perfil de ação dos estabilizadores é diferente, uns agindo melhor em sintomas depressivos e outros mais em sintomas como ansiedade, irritabilidade e inquietação. Porém todos têm como objetivo fundamental regular o humor, gerando estabilidade a longo prazo e evitando recaídas.

A dificuldade de alguns pacientes em aceitar o medicamento deve-se ao receio dos efeitos colaterais, em grande parte por se acreditar equivocadamente que medicamentos para epilepsia são “fortes”, podem provocar convulsões ou causam dependência. Pois é justamente o oposto. Os estabilizadores de humor costumam ser mais bem tolerados no início do tratamento, pois não causam os efeitos gastrointestinais comuns entre os antidepressivos, não causam os sintomas na hora de retirá-los ou dependência (sintomas da falta do medicamento, o que é mais comum com os antidepressivos e os ansiolíticos) e não trazem maiores riscos no longo prazo. O fato de alguns serem indicados para o tratamento da epilepsia, visto por muitos de forma preconceituosa, é análogo a se utilizar um anti-convulsivante para a prevenção da enxaqueca ou um diurético para o controle da pressão arterial. Isto é, independente da indicação principal ou classe a qual o medicamento pertença, ele pode ter outras indicações e ser muito eficaz nelas.

Um conceito importante é que o tempo de tratamento deve ser prolongado para que os efeitos reguladores de humor possam ser sentidos claramente. No caso do carbonato de lítio (mais estudado), existem relatos clínicos de melhora progressiva mesmo após 1 ano de uso.

Um estabilizador de humor dificilmente poderá ser avaliado antes de 3 meses de uso, pois neste período ainda se está fazendo ajustes na dosagem. A lamotrigina, por exemplo, só pode ser aumentada a cada 2 semanas, até se atingir a dose terapêutica, que varia entre 100 e 200mg/dia, o que ocorre geralmente após 4 a 8 semanas.

O tratamento deve ser seguido ao longo de alguns anos, pois é importante que o paciente experimente um tempo prolongado de estabilidade. Muitos procuram o tratamento após muitos anos (décadas às vezes) de instabilidade, portanto, é razoável supor que o período de estabilidade deva ser grande o suficiente para que a pessoa se desacostume ao ritmo de vida que levava no passado e passe a tomar medidas para seu próprio bem estar. É isto que conta muito na evolução a longo prazo e, por isso, indicamos a psicoterapia como um acompanhamento necessário. Sem as mudanças de hábitos e de padrões repetitivos de comportamento será muito difícil que um paciente consiga a estabilidade sem os medicamentos.

Na fase de retirada da medicação é importante que o desmame seja o mais lento possível. Em alguns casos podem ser necessários meses ou até um ano para a retirada da medicação. É importante que o paciente seja observado em cada dose intermediária antes que se interrompa definitivamente o tratamento. Este tempo permite a verificação de possíveis oscilações de humor ou padrões de reatividade que com doses mais altas não aconteciam. São pistas úteis ao psiquiatra para avaliar se o paciente de fato manterá a estabilidade sem a medicação. Este é um problema sério para a maioria dos pacientes, que quer resultados rápidos e alta precoce do tratamento.

A psiquiatria possui alguns paradoxos que são difíceis de explicar. Uma pessoa aceita usar uma pílula anticoncepcional por longos anos, que sabidamente traz efeitos colaterais e risco para sua saúde, mas não quer fazer um tratamento por 2 ou 3 anos com um medicamento que pode estabilizar seu lado emocional e melhorar significativamente sua qualidade de vida, sem trazer maiores malefícios ao seu corpo. Ao contrário, este medicamento pode ajudá-la a reduzir os radicais livres e substâncias oxidantes acumuladas pelo estresse e proteger seu cérebro para a terceira idade. Isto por si só já seria um bom argumento!

Mas se a decisão de fazer ou não o tratamento fosse racional, a adesão seria de 100%. A pessoa precisa trabalhar internamente seus preconceitos e medos, se informar e conhecer melhor seu problema e refletir sobre o que será melhor para seu futuro para, então, tomar a decisão de se tratar. E mais: precisa manter este pensamento convicto diante dos primeiros sinais de recuperação, em que a inevitável sensação de cura pode demovê-la do tratamento, adiando sua estabilidade para daqui a dezenas de anos.

Possíveis complicações clínicas ou comorbidades

Algumas complicações, principalmente quando não há tratamento adequado, são bem conhecidas e devem despertar tanto para o diagnóstico como para o tratamento:

– dependência ou abuso de substâncias como álcool, café, cigarro, drogas ilícitas
– impulsos suicidas e impulsos auto-destrutivos (ferir-se, cortar-se, arranhar-se)
– compulsão alimentar
– ataques de pânico
– fobias
– psicose
– compulsão por compras, pelo jogo, por sexo, por computador
– déficit cognitivo e demências

Algumas doenças clínicas estão associadas com maior freqüência:

– Enxaqueca
– TPM
– Hipotireoidismo
– Hipertensão
– Síndrome metabólica (dislipidemia, diabetes)
– Obesidade
– Fibromialgia
– CA de mama

Diferentes apresentações clínicas

O estado misto de humor deve ser suspeitado diante dos seguintes quadros depressivos:

– Depressão ansiosa
– Depressão agitada ou hiperativa
– Depressão irritável
– Depressão psicótica
– Depressão com abuso ou dependência de substâncias
– Depressão com qualquer tipo de compulsão
– Depressão de curta duração (poucos dias) que se alterna com humor irritadiço ou eufórico/excitado: um exemplo comum – a pessoa está deprimida, mas tem dias ou determinadas horas em que se sente muito disposta, sai arrumando a casa toda, ou tem um rendimento superior à média dos dias anteriores. Depois volta a se sentir deprimida.

Portanto, se você se identificou com o artigo, não deixe de conversar com seu médico ou procurar um psiquiatra para ter uma avaliação do seu estado e iniciar um tratamento adequado. Boa sorte e que você alcance sua estabilidade em breve!

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Autor: Dr. Leonardo Palmeira

Psiquiatra pela faculdade de medicina da UFRJ com especialização e pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto Philippe Pinel, Rio de Janeiro. Membro Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (Schizophrenia International Research Society) desde 2005. Autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia.

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30 Comentários

  1. >Bom dia Dr.
    Minha mãe tem 68 anos e usa 2 mg de risperidona pela manhã. Temos notado depressão e desanimo nela. O psiquiatra há 2 meses receitou amitrip 25mg e não notamos melhoras.
    Será que ela poderia usar fluoxetina com o risperdal? Pq esse antidepressivo que ela usa não funciona!
    Obrigada

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  2. >Dr. Leonardo,

    Boa tarde!

    Sou Carolina, tenho 29 anos.
    Fiz uma RM do crânio e farei uma angio-ressonância pois meu pai e minha avó materna tiveram aneurismas cerebrais e eu tenho dores de cabeça muito fortes.
    Acabei de receber o resultado da ressonância e a impressão diagnóstica do médico foi a seguinte:
    Pequeno número de focos com hipersinal em sequencias ponderadas em T2 distribuídos pela substância branca supratentorial, que podem estar relacionados a isquemia, desmielinização, gliose ou ainda a espaçõs perivasculares proeminentes.
    Leve assimetria dos ventriculos laterais, provável variaçâo anatômica.
    O médico tb disse que "não identificou área de isquemia recente ou áreas de impregnação anômala após a administração intravenosa de gadolínio e que e que o fluxo é normal nas grandes artérias dos sistema vértebro-basilar e carotídeo, segundo o critério de Spin-Echo".

    As minhas dúvidas são:
    1) Eu utilizo anticoncepcional,ele pode provocar algum desses sintomas?
    2) Quais os próximos exames que terei que fazer para saber se é isquemia, desmielinização, gliose ou se são espaços perivasculares proeminentes? O que é mais provável que seja?
    3)Minhas dores de cabeça são fortes, às vezes sinto até vontade de vomitar. Não posso estar ou ter enxaqueca? Como se diagnostica a enxaqueca?

    Não tenho colesterol alto, nem doenças cardíacas, não sofro de hipertensão, diabetes, nada…

    Agradeço ao senhor a sua atenção e ajuda!

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  3. >Não se auto-medique, converse com seu médico. O uso concomitante de Risperidona e Fluoxetina pode levar a efeitos colaterais indesejáveis, somente o médico que assiste a paciente pode responder a esta pergunta.

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  4. >Carolina,

    o diagnóstico de enxaqueca é clínico e exames complementares são úteis para descartar outras causas de cefaléia. Fique despreocupada, pois se tivesse isquemias ou aneurismas, estes exames teriam mostrado. O mais provável é que você tenha alterações inespecíficas da substância branca do cérebro, como gliose ou espaços perivasculares alargados, achados esses que isoladamente não costumam ter tanta importância clínica. A associação destes achados com enxaqueca é descrita na literatura, mas somente seu médico poderá fazer a correlação. Boa sorte e um abraço!

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  5. >Prezado Dr Leonardo,
    MInha mãe tem 72 anos, tem histórico de depressão ao longo da vida, sendo medicada com antidepressivo nos períodos mais criticos, que eram descontinuados com a melhora e se sentia bem. De alguns anos pra cá, passou a fazer quadros de hipomania e por último, há dois anos, fez um quadro de depressão profunda e passou a ser medicada com antidepressivo + estabilizador do humor. Ela está fazendo acompanhamento psiquiátrico, houve melhora, mas não a ponto de retirá-la de um estado depressivo. Essa situação estende-se por dois anos. Em sua opinião, o uso concomitante e contínuo de antidepressivo e estabilizador pode impedir efeito desejável? Grata, Ana (psicóloga)

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  6. >Ana,

    boa pergunta. Teoricamente sim, o uso de antidepressivos pode cronificar ou agravar a depressão, mesmo com o uso concomitante de estabilizadores de humor. O problema é que muitos pacientes reagem mal sem os antidepressivos (ruim com ele, mas pior sem ele), sendo difícil suspendê-los. Para isso existem outras opções, como os antipsicóticos de segunda geração (que também possuem ação antidepressiva, mas sem o risco de virada maníaca ou agravamento da depressão que os antidepressivos trazem) e a lamotrigina, entre os estabilizadores aquela que possui maior eficácia antidepressiva. Sem esquecer do ECT e da EMT. Um abraço!

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  7. >Ola Doutor, estou com depressão há 8 meses eque se iniciou com um transtorno alimentar. Faço acompanhamento psiquiátrico há 3 anos e já tomei diversos medicamentos, primeiro por causa do transtorno alimentar e agora por causa da depressão aliada a ansiedade generalizada.
    Hoje estou tomando 50 mg de clomipramina e 2 mg de clonazepam pela manhã e a noite 25mg de clorpromazina 25 mg e 2 mg de clonazepam. Há dias em que sinto uma pequena melhora, mas nada que me faça reviver, além disso lendo as bulas dos remédios percebi que eles tem como efeito colateral o ganho de peso e estou muito preocupada, pois ja engordei uns 15 quilos ao longo de tratamento e não gostaria de engordar mais, pois esta situação auxilia minha baixa auto estima e meu isolamento.
    Gostaria que me ajudasse
    Meu psiquiatra é ótimo, mas ele já fez tantas tentativas com diversos medicamentos que tenho vergonha de perguntar e pedir para que ele troque caso isso seja verdade.
    Desde já agradeço
    Ângela

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  8. Dr. Leonardo,
    Fiquei um pouco paranóica com um resultado de exame que realizei em 2010 e já falei sobre ele com o senhor.
    Na época escrevi o seguinte:

    >Dr. Leonardo,

    Boa tarde!

    Sou Carolina, tenho 29 anos.
    Fiz uma RM do crânio e farei uma angio-ressonância pois meu pai e minha avó materna tiveram aneurismas cerebrais e eu tenho dores de cabeça muito fortes.
    Acabei de receber o resultado da ressonância e a impressão diagnóstica do médico foi a seguinte:
    Pequeno número de focos com hipersinal em sequencias ponderadas em T2 distribuídos pela substância branca supratentorial, que podem estar relacionados a isquemia, desmielinização, gliose ou ainda a espaçõs perivasculares proeminentes.
    Leve assimetria dos ventriculos laterais, provável variaçâo anatômica.
    O médico tb disse que “não identificou área de isquemia recente ou áreas de impregnação anômala após a administração intravenosa de gadolínio e que e que o fluxo é normal nas grandes artérias dos sistema vértebro-basilar e carotídeo, segundo o critério de Spin-Echo”.

    As minhas dúvidas são:
    1) Eu utilizo anticoncepcional,ele pode provocar algum desses sintomas?
    2) Quais os próximos exames que terei que fazer para saber se é isquemia, desmielinização, gliose ou se são espaços perivasculares proeminentes? O que é mais provável que seja?
    3)Minhas dores de cabeça são fortes, às vezes sinto até vontade de vomitar. Não posso estar ou ter enxaqueca? Como se diagnostica a enxaqueca?

    Não tenho colesterol alto, nem doenças cardíacas, não sofro de hipertensão, diabetes, nada…

    Agradeço ao senhor a sua atenção e ajuda!

    E o senhor me respondeu:

    >Carolina,

    o diagnóstico de enxaqueca é clínico e exames complementares são úteis para descartar outras causas de cefaléia. Fique despreocupada, pois se tivesse isquemias ou aneurismas, estes exames teriam mostrado. O mais provável é que você tenha alterações inespecíficas da substância branca do cérebro, como gliose ou espaços perivasculares alargados, achados esses que isoladamente não costumam ter tanta importância clínica. A associação destes achados com enxaqueca é descrita na literatura, mas somente seu médico poderá fazer a correlação. Boa sorte e um abraço!

    Na época eu fui na minha cardiologista que disse serem essas alterações nas ressonancias muito comuns na maioria da população. Perguntei se precisava fazer outros exames, para descartar esclerose múltipla e ela disse que não precisava de outros exames, que não tenho isso, que as imagens são relacionadas a meus espaços perivasculares que são alargados. Não duvido da minha médica, confio demais nela, mas sou muito insegura e medrosa e fico me perguntando pq o médico radiologista coloca todas essas possibilidades e como a médica conclui que é uma ou outra… Esses hipersinais não poderiam ser o indício do início de uma esclerose?

    Tenho sofrido de muita ansiedade, angústia, pq fico com esse medo instalado em mim, de poder ser algo grave… Mesmo a minha médica me garantindo que não… Ela já me disse para procurar um psicólogo…

    Obrigada,
    Carolina

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    • Carolina, por que não procura um psiquiatra? A clínica é soberana, se você tem ansiedade, angústia, não seria interessante tratar disso? O exame acaba perdendo um pouco a importância se você conseguir viver com melhor qualidade de vida, não acha? Aliás, se está preocupada em prevenir uma futura esclerose (demência), que ninguém de nós está livre, precisa começar por cuidar de sua mente, evitar o estresse e procurar ter uma vida e hábitos mais equilibrados. Nos dê um retorno depois! Boa sorte e um abraço!

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  9. Dr., qdo leio sobre esclerose eu vejo que os sintomas não são apenas mentais, na verdade, são mais físicos. Tenho aquele medo instalado de de uma hora para a outra perder os movimentos e não ter qualidade de vida, ficar dependendo de alguém para tudo.
    Sou recém casada e estou ficando preocupada realmente com o meu estado psicologico. Nunca fui assim, nunca tive tanta ansiedade. De repente, de uma hora para outra, senti uma dormencia no braço, vim ler na internet e associei ao exame de 2010, pq na Internet sempre se sugere que dormencias são sintomas iniciais de esclerose. Depois que li na internet, comecei a perceber que comecei a ficar com as pernas (dos pés aos joelhos) não formigando, mas com uma sensação estranha, mais leve, tenho sentido muito sono, estou perdendo o apetite, choro por qualquer coisa e o pior: fico com o pensamento fixo neste exame, que já fiz faz 2 anos!
    Eu estava com os nervos tão à flor da pele que não consegui esperar até a consulta de quinta-feira com a minha neurologista e fui numa emergência aqui em Recife. Lá, a médica neurologista viu meus exames, disse que as imagens eram inespecíficas e que estas dormencias que sinto, as náuseas, etc, são tudo fruto de muita ansiedade e que eu me acalme, pq resultados como o do meu exame tem aos montes e que minoria tem relação com esclerose.
    Enfim, mesmo com uma segunda opinião, continuo com medo e com o pensamento sempre nisso.
    Já marquei uma psicologa para hoje e na quinta vou voltar na minha neuro, para tirar todas as minhas dúvidas e ver se fico mais tranquila.

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    • Carolina,

      realmente essas dormências devem ser parte do quadro afetivo, pois não são comuns dormências associadas às glioses. Continuo achando que o melhor seria procurar um psiquiatra e iniciar um tratamento. Um abraço e melhoras!

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  10. Dr., primeiramente, parabéns pelo site.
    Meu namorado foi diagnosticado com depressão, já tomou cebrelin, zetron, exodus e, atualmente, está com o Donaren, combinado com Frontal e Respidona. No começo, ele melhora, mas parece que depois os anti-depressivos perdem o efeito.
    Agora ele parece apenas deprimido, mas antes das medicações tinha períodos de grande agitação.
    Dr., existe a possibilidade de transtorno de humor? O senhor acha que devo encaminhar este artigo a ele para que ele discuta com seu psiquiatra, ou o médico pode achar isto ofensivo?
    Muito Obrigada!

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    • Rebeca, não tenho como opinar sobre o caso e seu namorado, mas tambem não vejo problema dele pesquisar mais sobre o quadro dele e discutir com seu médico quais as melhores opções de tratamento. Um abraço!

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  11. Boa tarde Dr. Leonardo. Ao ler seu artigo acho que identifiquei essas características à depressão do meu marido. Ele tem “depressão” desde adolescente e sempre foi tratado com antidepressivos. Só que quando os efeitos depressivos passam, ele passa a ser uma pessoa muito irritada e impaciente, mesmo tomando os remédios. Não sei se é da personalidade dele, ou se ele sofre de bipolaridade. Nunca percebi qualquer fase maníaca nele, ele não tem impulsos sexuais, de compras ou de se auto-estima muito elevada. Ele só é muito impaciente e irritado. Pode ser bipolaridade então?
    Agradeço antecipadamente a resposta!
    Abraço!

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  12. Bom dia.
    Meu esposo tem 31 anos sofreu um TCE a 4 meses e faz uso de riperidona 2mg a noite,
    preciso saber qual seria o efeito do alcool no organismo dele,ele e adulto esta consciente bebia muito antes do acidente e esta com vontade de beber,ele bebeu escondido e nao teve nenhuma reação graças a Deus,mais gostaia de orienta-lo.

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    • Celma, quer realmente a resposta? Ele vai destruir o cérebro dele ainda mais! O alcool é tóxico para os neurônios e se ele já abusava antes e por longo tempo, é possivel que o cerebro já tenha sinais do alcoolismo. Boa sorte, espero que ele se conscientize disso. Um abraço!

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  13. Oi Dr Leonardo. Existem diversos estabilizadores de humor. No caso do Lamictal, qual seria seu alvo principal? A ansiedade ou a depressão? Maria Clelia

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    • Clélia, a lamotrigina age bem tanto na ansiedade como na depressão, tanto que é uma alternativa no tratamento da depressão-ansiosa ou agitada em pacientes bipolares. É importante ressaltar que a escolha do estabilizador de humor não deve levar em conta somente os sintomas do presente, mas a história evolutiva do paciente, lembrando que tão importante quanto a remissão dos sintomas é a estabilidade a longo prazo. Um abraço!

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  14. Prezado Dr. Leonardo, eu fui aposentado por Transtorno Misto Ansioso e Depressivo (CID 10: F41.2) em novembro de 2006. Esse diagnóstico foi dado em Laudo exarado pelo Serviço Médico do Órgão onde eu era servidor público. Só que meus vencimentos caíram muito pois eles disseram que minha doença não consta no Rol das Doenças previstas em lei para a integralidade de meus vencimentos. Agora, o que eu gostaria de saber é se esse Transtorno Misto Ansioso e Depressivo é a mesma coisa que Alienação Mental?
    Existe alguma diferença entre as duas doenças?

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    • Carlos, não, alienação mental é quando a pessoa não possui condições de julgar a realidade e tem comprometida sua capacidade de autogestão e autocuidado, o que ocorre em quadros mentais graves. Um abraço!

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  15. Dr,eu fui diagnosticada com disforia de genero(transexualismo).Ja tomo remédios ha anos,e atualmente uso sertralina e rivotril.Meu médico acha que é perda de tempo,eu tomar apenas remédio,pois meu problema é com minha sexualidade.Mas como resolver isso,se não quero fazer terapia,pois já fiz terapia durante 1 ano,e nao me acrescentou nada?.Não aguento mais tomar remédio,preciso sair dessa depressão.Grata

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    • Raquel, você deve procurar uma psicoterapia, não tenho conhecimento que a medicação possa ajudá-la a resolver este conflito. Os remédios apenas irão aliviar os sintomas depressivos e ansiosos. Um abraço!

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  16. olá dr. Leonardo , parabenizo o sr. por este site. Há 11 anos fui a primeira vez ao psiquiatra , fui diagnosticada com distmia e depressão com ansiedade acentuada e agorafobia, foi me prescrito fluoxetina e com ela me recuperei , pude voltar a vida normal,depois de 7 anos comecei a sentir um medo nervoso qndo andava na rua e me deram paroxetina , ajudou mas não em 100%,até q devido ao stress do serviço e etc,comecei a ficar mal pedi a conta do emprego e nao conseguia mais sair de casa,ate q tive um ataque de terror dentro da mente , a coisa mais terrivel q ja senti. fui ao psiquiatra ele disse q minha mente estava saturada de remedio , desde entao sao 3 anos sem poder trabalhar, nao saio sozinha de casa e antes nem saia pra nada, com acupuntura na orelha melhorei um pouco. não sei o q fazer ,não posso trabalhar , nao tenho auxilio doença e meu pai ja esta apertado devido a despesa q dou, eu estava no caps da minha cidade mas sai porq o medico tava me negando o lorax, hoje estou tomando citalopram e lorax , sem o lorax eu qase fico louca e em panico,ja tomei todos os isrs e nada caminha , por favor Doutor me de uma palavra de comforto , ásvezes me desespero muito , obrigada

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    • Ana, eu sugiro que você converse com seu psiquiatra, inclusive pelo que leu neste artigo. Existem muitas formas de ansiedade crônica e generalizada que podem ser bipolaridade camuflada e em geral a resposta aos estabilizadores de humor é mais positiva do que aos antidepressivos, mas esta decisão só pode ser tomada após um exame minucioso do seu quadro. Boa sorte!

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      • Obrigada pela atenção Dr Leonardo , hoje tenho 33 anos ja são 11 anos na companhia dos remedios controlados , vou imprimir este excelente artigo e levarei para meu medico, esse medico agora é gente boa , quem sabe encontro uma luz no fim do tunel . Tenho planos de casar ,mas meu medo é ter gestação com esses remedios mas essa é uma outra historia hehe, mais uma vez obrigada pela sua atenção , tudo de bom pra ti ! Fique com Deus !

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  17. Bom dia doutor. Eu comecei tomar lamotrigina para o transtorno de humor, e donaren para a insonia, só que meu intestino esta muito preso, qual dos dois pode estar fazendoisso. Desde já muito obrigada. Marina

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  18. Doutor, eu li esse artigo e me identifiquei muito com ele. Tenho muitas mudanças de humor, mas nunca tive um episodio de mania. Nunca fiquei um longo tempo com depressão, mas minhas crises curtas são horríveis, é como se meu raciocínio ficasse bem mais lento. Mas depois de um tempo essas crises passam e fico normal, disposto, etc. O senhor acha que exercícios físicos regulares vão ajudar a me estabilizar? Nunca me foi receitado estabilizado de humor, como convencer meu psiquiatra a pelo menos tentar esse tratamento?

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    • Peter, converse com ele. Claro que atividades físicas regulares ajudam muito na recuperação, mas é preciso fazer o tratamento adequado. Pessoas com forte instabilidade de humor, muitos altos e baixos, períodos curtos de depressão intercalados com momento de aumento de disposição, às vezes acima da média, costumam não responder bem a antidepressivos e melhoram com os estabilizadores de humor. Abraços!

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  19. Tomei Paroxetina e Buspirona por anos, e foi ótimo para depressão e ansiedade, porém, parou de fazer efeito. Tomei outros vários, mas sem solução. Tenho uma depressão muito agitada, deve ser estado misto. Estou tomando Depakote, mas ganhando peso. O Trileptal possui menos efeitos indesejados, como o ganho de peso?

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