Pacientes com transtorno bipolar perdem a capacidade cerebral

O diagnóstico tardio e o tratamento inadequado do Transtorno Bipolar pode causar a cada crise depressiva uma perda nos pacientes de 5 a 10 % do hipocampo, segundo dados fornecidos por especialistas durante o 30º Congresso Brasileiro de Psiquiatria realizado semana passada em Natal (RN).

O psiquiatra Fábio Gomes, pesquisador e professor da Universidade Federal do Ceará, explica que a cada crise de mania ou depressão vivenciada pelo paciente bipolar, importantes partes do cérebro são prejudicados. Segundo ele, repetidas ocorrências podem levar a danos muitas vezes irreversíveis.

A crise pode mexer com o equilíbrio do organismo, aumentando o estresse oxidativo em todo o corpo e agravar a doença em si. “A cada cinco quadros depressivos, há uma perda de 5 a 10% no hipocampo”, quantifica o especialista. O hipocampo é uma estrutura localizada no lobo temporal do cérebro, responsável principalmente pela memória e pela cognição. Nesses casos, por exemplo, os resultados são a falta de concentração e dificuldade na leitura, explica o especialista.

De acordo com a psiquiatra Ângela Miranda Scippa, presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB) e diretora do Centro de Estudo de Transtorno de Humor e Ansiedade – (CETHA) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o transtorno bipolar é uma doença tóxica, e a cada episódio de depressão são liberadas substâncias tóxicas ao cérebro que atuam na destruição dos neurônios, levando a perda de capacidade mental.

A especialista preferiu não precisar números, mas destaca que o fato da doença ter sintomas parecidos com os transtornos de ansiedade e Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDH), muitos pacientes podem levar até dez anos para ser diagnosticado bipolar.

Por conta disso, muitos acabam entrando em constantes crises depressivas ocasionando atrofia de áreas do sistema nervoso central trazendo prejuízos a vida do indivíduo como alterações no humor, perda de memória e dificuldade de concentração.

Apesar da gravidade da doença, em Salvador não existe distribuição adequada de medicamentos para tratamento e controle do bipolar para a população carente. “A assistência a saúde mental por parte do Estado em Salvador é precária. Falta unidade de tratamento, medicação e vagas de internação. Pacientes sem tratamento podem chegar a cometer suicídio, além de ter uma grande perda neuronal a cada crise”, destacou Ângela.

No entanto, a psiquiatra destaca que a medicação é um forte aliado no tratamento da bipolaridade. “A medicação retira os sintomas do paciente protegendo o cérebro da agressão da doença evitando a perda neuronal. Em Salvador, cerca de 2 % da população carente, que sofre com o tipo mais brando da doença, não tem acesso a medicamentos para o tratamento e controle bipolar.

Os remédios são muitos caros variando de R$ 80 a R$ 1.000 além disso, foram fechados vários hospitais e com isso muitos pacientes com quadros mais graves ficam desasistidos”, destacou a médica.

Na capital, apenas o CETHA, que funciona no ambulatório Magalhães Neto, no bairro do Canela oferece atendimento e interação gratuita para portadores da doença. Porém, segundo a psiquiatra, a unidade está superlotada e falta medicamentos para atender a todos os pacientes. “Aqui em Salvador, não existe uma priorização para a saúde mental. Muitos pacientes após saírem da internação ficam sem o medicamento de uso contínuo. E isso é muito grave, podendo levá-lo a cometer suicídio em momentos de crise”, criticou a médica.

O impacto do diagnóstico da doença é muito forte tanto para o portador quanto para familiares. Nenhum deles sabe lidar bem com a situação do diagnóstico, a crise, o tratamento que não pode ser interrompido e que leva algum tempo para se obter o resultado almejado.

Muitas vezes a negação da doença, a suspensão do tratamento, o descompasso do apoio familiar geram atraso no controle da doença e perda significativa da qualidade de vida. A compreensão da família sobre as manifestações da doença e a instabiliadde dos portadores é muito importante para garantir o controle e gerar mais qualidade de vida para o portador e familiares.

A Associação Brasileira de Familiares Amigos e Portadores de Trasntornos Afetivos ( ABRATA), oferece informações a pacientes e familiares sobre como lidar com a doença através do site : www.abrata.org.br

Fonte: Tribuna da Bahia

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Autor: Dr. Leonardo Palmeira

Psiquiatra pela faculdade de medicina da UFRJ com especialização e pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto Philippe Pinel, Rio de Janeiro. Membro Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (Schizophrenia International Research Society) desde 2005. Autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia.

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