Problemas mentais de familiares podem moldar seus interesses.

Você gosta mais de português ou matemática? A resposta que você der pode ter ligação com os problemas mentais que existem em sua família. Um irmão com autismo ou uma avó com depressão podem ajudar a determinar quais são os assuntos pelos quais você se interessa intelectualmente, de acordo com um novo estudo que relacionou histórico psiquiátrico familiar e interesses intelectuais.

Uma recente pesquisa foi feita com 1.077 calouros da Universidade de Princeton, nos EUA, e mostrou uma influência genética nos interesses pessoais de jovens. Por exemplo, estudantes que planejavam estudar ciências humanas foram duas vezes mais propensos a relatar um membro da família com transtorno de humor, depressão ou vícios em substâncias. Estudantes de cursos de tecnologia, por outro lado, eram três vezes mais propensos a ter um irmão com autismo.

Os resultados são preliminares e baseados em relatos, portanto os pesquisadores não podem dizer ao certo por que essas relações existem. Mas de acordo com o pesquisador Sam Wang, professor de biologia molecular e neurociência na Universidade de Princeton, os dados são consistentes com a ideia de que os interesses são parcialmente hereditários.

Durante as últimas décadas, vários pesquisadores descobriram que em certas pessoas e seus familiares, transtornos de humor ou comportamento estão associados com carreiras relacionadas com a escrita e humanidades, enquanto condições relacionadas ao autismo apresentam uma ligação similar com carreiras científicas e técnicas.

Essas ligações são facilmente identificadas ao longo da história. Casos de poetas que lutaram contra a depressão são abundantes, e o próprio Aristóteles teria dito que pessoas com interesses em filosofia, política, poesia e artes tem tendências à melancolia.

Mais recentemente, laços entre autismo e tecnologia também existem aos montes. No Vale do Silício, por exemplo, personalidades da tecnologia e o transtorno de Asperger andam de mãos dadas. Em vários estudos da Universidade de Cambridge foi descoberto uma maior prevalência de transtornos de autismo em famílias de engenheiros e matemáticos.

É claro que isso não quer dizer que todos que gostam de programação de computador têm espectro do autismo ou que um pai bipolar vai ter um grande poeta como filho. Mas essa não é a primeira pesquisa a encontrar ligações entre doenças hereditárias e interesses intelectuais.

“Todo mundo tem interesses individuais específicos que resultam de experiências na vida, mas esses interesses surgem de um ponto de partida genético”, disse Wang. “Isso não significa que os nossos genes determinam nosso destino. Significa apenas que os nossos genes nos lançam por um caminho na vida, levando a maioria das pessoas a perseguir interesses específicos e, em casos extremos, levando outros para transtornos psiquiátricos”.

→ Fonte: livescience.com

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Autor: Dr. Leonardo Palmeira

Psiquiatra pela faculdade de medicina da UFRJ com especialização e pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto Philippe Pinel, Rio de Janeiro. Membro Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (Schizophrenia International Research Society) desde 2005. Autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia.

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