Reportagem no Fantástico sobre a alta programada do INSS

Você adoece, não consegue mais trabalhar, precisa se tratar para conseguir recuperar sua capacidade laborativa. Seu médico decide lhe afastar e o encaminha para a perícia do INSS. O que parece ser simples e um direito do trabalhador pode se transformar num calvário e num pesadelo. O perito não concorda com seu afastamento, julga que você tem condições de trabalho e te dá alta. A empresa, por sua vez, não reconhece que você tem condições de trabalho, exige um laudo do seu médico liberando-o, afinal, não quer assumir a responsabilidade caso algo de ruim lhe aconteça. De fato, você ainda não está em condições. Você fica sem salário, não tem como custear seu tratamento e passa necessidades. Seu quadro piora pelo estresse e você não tem apoio do Governo, apesar de pagar seus impostos e previdência em dia!

Infelizmente isso tem acontecido com uma frequência cada vez maior. Todo o médico que possui pacientes afastados (e a psiquiatria é, junto à ortopedia, a especialidade que mais afasta do trabalho) conhece bem esta realidade. Pacientes se queixam de serem maltratados e algumas vezes humilhados na perícia, sentindo-se como se estivessem fraudando a previdência ou simulando alguma doença grave. Não raro pioram muito de seu estado psíquico antes e depois da perícia médica, necessitando de aumento das dosagens dos medicamentos para passarem pelo trauma que se tornou a perícia do INSS.

Não é possível que as autoridades da previdência ainda não fizeram um diagnóstico desta situação, que é tão clara para nós médicos e pacientes. Parabéns ao Fantástico da Rede Globo por ter abordado este tema! Espero que a situação mude também com a nova lei que suspende a alta programada. Desejamos que as perícias sejam mais criteriosas e humanas, como é o atendimento médico que essas pessoas muitas vezes recebem.

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Autor: Dr. Leonardo Palmeira

Psiquiatra pela faculdade de medicina da UFRJ com especialização e pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto Philippe Pinel, Rio de Janeiro. Membro Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (Schizophrenia International Research Society) desde 2005. Autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia.

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4 Comentários

  1. >Boa tarde, doutor Leonardo. Primeiro quero lhe parabenizar pela iniciativa do blog, tão esclarecedor e de grande utilidade pública.

    Gostaria de uma orientação, se possível.
    A 15 anos atrás morava no exterior e sofri de ataques de pânico (daqueles de ir para emergência de hospital e nada ser diagnosticado), no entanto, naquela época por não saber do que se tratava, não tratei e fui superando sozinho. Retornando ao Brasil não tive mais. Sempre fui muito ansioso e preocupado. Dois anos atrás tive um caso grave de enfermidade na família e a partir daí voltei a ter uma ansiedade excessiva e medo sempre que penso que alguma coisa do mesmo tipo possa acontecer. Atualmente estou desempregado estudando para concurso público, me cobro muito, a ponto de minha ansiedade me travar e eu não conseguir me concentrar o que gera uma cobrança ainda maior. Procurei um médico psiquiatra e ele me receitou laxapro15mg e psicoterapia. Confesso que ainda não tomei o medicamento porque queria uma segunda opinião, Já que nunca tomei qualquer tipo de antidepressivo.
    Não seria prudente eu começar com 10mg, é comum iniciar o tratamento com 15mg? Tem algum risco ou efeito colateral?
    Desde já agradeço pelo seu tempo e comentário.

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  2. >Júlio,

    não tenho como responder, pois não lhe avaliei. A segunda opinião é um direito do paciente e se não estiver seguro, acho que deve procurar, ou então conversar com seu psiquiatra.

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  3. >Dr Leonardo,

    A esquizofrenia pode coexistir com um grau leve de autismo? Como diferenciar? Fiz um teste na internet e me identifiquei com as dificuldades de socialização, comunicação, repetição de palavras, inversão de pronomes, mas q no entanto faz sentido, resposta inapropriada na comunicação não verbal, as vezes pouco contato de olhar, resistência a mudança de rotina, fico muito irritada quando mudam a serie de atividades que faço, outra coisa que me irrita profundamente é que se a pessoa diz para eu fazer 15 minutos de determinada atividade, e eu faço 4 minutos a mais isso me deixa muito ansiosa e nervosa. Em determinadas situações a música interfere no meu raciocinio, gosto de me concentrar e ficar só com meu pensamento e quando estou no carro peço para desligar a musica. Isso é comum na esquizofrenia? Como diferenciar de um grau leve de autismo? O meu antipsicotico atípico serve para autismo, esquizofrenia e transtorno bipolar. Porém , eu gostaria de saber a diferença, poderia escrever um texto ou mencionar algo a respeito no seu blog?

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  4. >Dr Leonardo,
    Lendo seu blog me surgiu uma esperança. Recebobenefício do inss 7 anos. Tenho lupus sistemico,irc,hipertensão,neurolupus e etc. Tudo isso comprovado por exames e laudos médicos. Fiquei 2 anos recebendo e sem fazer perícia, pois a perita me concedeu esse benefício. Depois dos 2 anos,voltei para fazer a perícia, e mesmo estando com a doença ativa e com laudo do meu médico atestando que não tenho condições para trabalhar,me foi negado. Não tenho emprego e preciso desse benefício para sobreviver. O senhor poderiame aconselhar?
    Desde já, muito obrigada.

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