Ácido Valpróico (Depakote).


Ácido valpróico ou valproato de sódio é uma molécula inicialmente desenvolvida para epilepsia graças às suas propriedades anticonvulsivantes, mas que se mostrou eficaz também como estabilizadora de humor e anti-enxaquecosa, com indicação no tratamento dos transtornos de humor, principalmente o transtorno bipolar (TBH), e da profilaxia das crises de enxaqueca. A mistura do sal valproato de sódio com o ácido valpróico forma o divalproato de sódio, composto comercializado pelo laboratório Abbott sob o nome de Depakote, que é a forma mais utilizada hoje em dia do ácido valpróico.

Ele age bloqueando canais de sódio e de cálcio da membrana dos neurônios, motivo pelo qual ele possui ação anticonvulsivante, e aumenta a concentração do neurotransmissor GABA na fenda sináptica, ação relacionada à propriedade estabilizadora de humor equivalente ao lítio.

Entre outras indicações o divalproato de sódio tem mostrado efeito positivo no controle de sintomas de ansiedade e pânico, impulsividade e reações agressivas, compulsão por drogas, depressão (é particularmente útil em depressões agitadas e na depressão pós-parto) e dor neuropática. É utilizado com frequência associado a antidepressivos, a outros estabilizadores de humor e aos antipsicóticos em pacientes com TBH, depressão e esquizofrenia.

A dose do divalproato de sódio pode ser monitorada no sangue para ver qual a dosagem oral um paciente necessita para alcançar a dose terapêutica no sangue (entre 50 e 100 pg/ml). Doses sanguíneas inferiores a 50 podem ser ineficazes e superiores a 100 podem aumentar o risco de intoxicação.

Esta dosagem no sangue deve ser feita com no mínimo 7 dias de tratamento com o medicamento na mesma dose oral (sem variação de dose) e o paciente deve colher o sangue pela manhã, sem se esquecer de tomar a dose da noite anterior. Se ele tiver que tomar a dose do medicamento pela manhã, deve fazê-lo somente após a coleta do sangue. Não é necessário jejum, a menos que o paciente vá fazer outros exames que exijam o jejum.

O divalproato de sódio costuma ser bem tolerado. Efeitos iniciais que podem ocorrer são sedação, sonolência, insônia, ansiedade, náuseas, dor de cabeça, tonteira e tremores, que geralmente reduzem com os dias de tratamento. A longo prazo podem ocorrer ganho de peso (por aumento de apetite ou ingesta de carboidratos) e queda de cabelo.

O ganho de peso não costuma ser um motivo para interrupção do tratamento e pode ser controlado com dieta e atividades físicas, havendo um momento de estabilização deste ganho e perda de peso, dependendo de cada paciente.

A queda de cabelo raramente deixa falhas no couro cabeludo, é percebido como maior quantidade de cabelo na escova ao se pentear, no banho ao enxaguar a cabeça e no travesseiro. A reposição de vitaminas contendo zinco e selênio (Vitergan Zinco PL) geralmente reverte a queda de cabelo, sendo raramente preciso interromper o tratamento.

É necessário um monitoramento periódico do sangue, pois o divalproato de sódio pode aumentar transitoriamente as transaminases hepáticas, reduzir as plaquetas, afetar a coagulação, embora esses efeitos sejam raros.

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