Agenda do Dr. Leonardo para o primeiro semestre de 2020.

Prezados pacientes, gostaria de comunicá-los a respeito de minha agenda do primeiro semestre de 2020 para que possam se organizar em relação à marcação de consultas. Atenderei até o dia 03/01/20, depois saio de férias e retorno no dia 21/01/20.

Não haverá atendimento nos seguintes períodos:

Janeiro

04 a 20 – Férias

Fevereiro

25 a 27 - Carnaval

Março

Atendimento normal

Abril

2 a 9 - Congresso Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (SIRS), Florença

10 - Sexta-feira Santa

21 – Tiradentes

23 – São Jorge

24 - Em função do feriado de São Jorge

Maio

01 - Dia do Trabalho

Junho

11 - Corpus Christi

Peço sua especial atenção para os meses de janeiro, em função das férias, e abril, em função do período do congresso. Antecipe sua consulta e evite imprevistos de última hora.

Um abraço,

Dr Leonardo Palmeira


Sexismo pode ser causa de depressão em mulheres mais jovens

Um estudo recente, desenvolvido no Reino Unido, revelou que mulheres entre 16 e 30 anos têm até cinco vezes mais chance de desenvolver depressão clínica devido ao sexismo - tipo de preconceito ou discriminação baseada exclusivamente no gênero ou sexo de uma pessoa.

As participantes da pesquisa contaram que sofreram mais assédio em ambientes como trabalho, escola, transporte público e táxi, sendo que 82% experienciou assédio sexual na rua. Todas acrescentaram ainda que os efeitos do sofrimento psicológico que tiveram duraram por, pelo menos, quatro anos.

Sexismo contra mulheres

A pesquisa foi realizada como uma parceria entre a organização Young Woman's Trust e a University College of London. Para chegar à conclusão final, o estudo definiu o conceito de sexismo a ideia de "sentir-se insegura, evitar certos locais, ser insultada, ameaçada ou atacada fisicamente por ser mulher".

No estudo, foram coletados dados de 2.995 mulheres, com idades entre 16 e 93 anos, do Reino Unido. O resultado parcial mostrou que as participantes mais jovens (até 30 anos) sofriam mais sexismo e tinham maiores impactos na saúde mental do que mulheres mais velhas.

Em termos de comparação, 24% das mulheres de 16 a 30 anos afirmaram ter sofrido sexismo no último ano, enquanto apenas 17% das mulheres com mais de 30 alegaram ter experienciado o preconceito de gênero no mesmo período.

Vítimas de sexismo

Em um relato anônimo, uma das mulheres entrevistadas afirmou que se isolou socialmente nos momentos em que sua ansiedade estava mais elevada e deixou de ver amigos por meses. Ela também deixou empregos e passou a evitar certos locais em sua cidade natal.

Outra participante relatou que sofreu com os efeitos do estresse e da ansiedade gerados em grande parte como resultado do sexismo que sofreu no ambiente de trabalho. "Eu temia ir trabalhar todas as manhãs e isso afetava tanto minha saúde mental quanto física", disse.

Sexismo e saúde mental

Sophie Walker, diretora do Young Women's Trust, afirmou que este estudo mostra que existe uma "clara e danosa" relação entre sexismo e a saúde mental das mulheres jovens dos dias atuais.

"O que muitas vezes é confundido como falta de confiança em mulheres jovens é, na verdade, uma crise na saúde mental causada por uma sociedade sexista. O sexismo está afetando profundamente a vida das jovens, sua liberdade econômica e sua saúde", disse.

Ela declarou ainda que os serviços de saúde tradicionais não são acessíveis ou apropriados para abrigar as demandas das mulheres jovens. "Há necessidade de serviços de saúde mental para mulheres jovens mais especializados, além de investimentos em serviços para combater a violência contra mulheres e meninas".

Por fim, Walker acrescentou que é preciso impedir que os danos causados pelo sexismo perdurem por anos em mulheres jovens, sendo importante tratar o problema de maneira mais completa. "Se você tentar ignorá-lo e não abordá-lo, ele apodrece e os problemas permeiam outras áreas da sua vida".

Fonte: R7


Fundo foto criado por jcomp - br.freepik.com

Anvisa aprova a regulamentação de produtos à base de cannabis para uso medicinal.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (3) a liberação da venda em farmácias de produtos à base de cannabis para uso medicinal no Brasil. A regulamentação foi aprovada por unanimidade e é temporária, com validade de três anos.

Na mesma reunião da diretoria colegiada do órgão foi rejeitado o cultivo de maconha para fins medicinais no Brasil. Por 3 votos a 1, proposta foi arquivada pela agência reguladora. Com a decisão, fabricantes que desejarem entrar no mercado precisarão importar o extrato da planta.

Sobre a venda em farmácias, a norma passa a valer 90 dias após sua publicação no "Diário Oficial da União". De acordo com a resolução, os produtos liberados poderão ser para uso oral e nasal, em formato de comprimidos ou líquidos, além de soluções oleosas.

A comercialização ocorrerá apenas em farmácias e drogarias sem manipulação, que venderão os produtos prontos, mediante prescrição médica.

O tipo de prescrição médica necessária vai depender da concentração de tetra-hidrocanabidiol (THC), principal elemento tóxico e psicotrópico da planta Cannabis sativa, ao lado do canabidiol (CBD), que é usado em terapias como analgésico ou relaxante.

O THC altera as funções cerebrais e é a substância que provoca os mais conhecidos efeitos do consumo da maconha, droga ilegal no Brasil. Entretanto, estudos indicam que o THC também pode ser usado como princípio ativo para fins medicinais.

Nas formulações com concentração de THC inferior a 0,2%, o produto deverá ser prescrito por meio de receituário tipo B e renovação de receita em até 60 dias.

Já os produtos com concentração de THC superior a 0,2% só poderão ser prescritos a pacientes terminais ou que tenham esgotado as alternativas terapêuticas de tratamento. Neste caso, o receituário para prescrição será do tipo A, mais restrito, padrão semelhante ao da morfina.

A embalagem dos produtos deve informar a concentração dos principais canabinoides presentes na formulação, dentre eles o CBD e o THC, mas somente a concentração de THC é levada em conta para a classificação dos rótulos.

Todos devem conter a frase "Venda sob prescrição médica", seguida de "Só pode ser vendido com retenção de receita" no caso de produtos com menos de 0,2% de THC ou da frase "Uso desse produto pode causar dependência física ou psíquica" no caso de concentrações superiores a 0,2%.

A resolução da Anvisa cria uma nova classe de produto sujeito à vigilância sanitária: "produto à base de cannabis". Ou seja, durante os três anos de validade, os produtos ainda não serão classificados como medicamentos.

A regulamentação aprovada cita que os produtos à base de cannabis ainda precisam passar por testes técnicos-científicos que assegurem sua eficácia, segurança e possíveis danos, antes de serem elevados ao patamar de medicamentos.

A delimitação do intervalo de três anos para validar a norma foi sugerida pelo diretor Fernando Mendes, sob a justificativa de que ainda não há comprovação da eficácia dos tratamentos a base dos produtos. "Não há qualquer evidência de baixo risco no uso desses produtos", afirmou ele.

Após esse período, uma nova resolução deverá ser editada.

Os produtos liberados pela Anvisa podem ser ou fabricados no Brasil ou importados.

O regulamento exige que as empresas fabricantes tenham:

  • Certificado de Boas Práticas de Fabricação (emitido pela Anvisa);
  • autorização especial para seu funcionamento;
  • conhecimento da concentração dos principais canabinoides presentes na fórmula do produto;
  • documentação técnica da qualidade dos produtos;
  • condições operacionais para realizar análises de controle de qualidade dos produtos em território brasileiro.

Em nota, a Anvisa disse que os fabricantes que optarem por comprar o insumo no exterior "deverão realizar a importação da matéria-prima semielaborada, e não da planta ou parte dela".

O comunicado continua: "A proposta de norma remete essa atividade aos atuais regramentos de importação e demais regulamentos relacionados ao controle dos pontos de entrada e saída referentes a qualquer produto entorpecente, psicotrópico ou precursor, independentemente de se tratar de matéria-prima ou produto acabado".

Além disso, de acordo com a norma, "para viabilizar o monitoramento integral dos lotes de produtos e medicamentos da cannabis importados, foram limitados os pontos de entrada dos produtos em território nacional".

A resolução aprovada nesta terça pela Anvisa proíbe nos rótulos dos produtos:

  • os termos medicamento, remédio, fitoterápico, suplemento, natural ou qualquer outro semelhante;
  • qualquer indicação quanto à sua destinação de uso, especialmente incluindo alegações terapêuticas;
  • nomes geográficos, símbolos, figuras ou qualquer indicação que permita interpretação falsa.

O colegiado da Anvisa também analisa nesta terça uma segunda resolução, que trata dos requisitos para a liberar o cultivo da cannabis no Brasil exclusivamente para fins medicinais.

Fonte: G1


Audiência no Senado Federal sobre o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esquizofrenia.

O vídeo sobre a audiência pública no Senado Federal sobre a criação do Dia da Conscientização da Esquizofrenia se inicia aos 30 min.

https://www.youtube.com/watch?v=d7x2hI9cTVw&feature=emb_logo

Especialistas defenderam nesta quarta-feira (23) na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) a aprovação do projeto de lei 3.202/2019, que prevê um dia de conscientização e alerta para a esquizofrenia. A doença atinge um milhão de brasileiros, mas não afeta apenas a qualidade de vida dos pacientes: toda a família precisa lidar com os sintomas da enfermidade. É a mais cara entre as doenças mentais custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, em média, reduz em 15 anos a expectativa de vida do esquizofrênico.

A doença é lembrada internacionalmente em 24 de maio, dia em que o psiquiatra Philippe Pinel, empossado chefe de um sanatório de homens em Paris, contrariando o entendimento daquele tempo, removeu as algemas dos pacientes que ficavam presos às paredes da instituição. O ato marcou uma nova era no tratamento psiquiátrico. Era 1793.

Segundo os especialistas convidados para a audiência pública, é importante combater com informação o preconceito que existe sobre a doença: entre os leigos, um misto de loucura e agressividade. Na verdade, a esquizofrenia causa delírios, alucinações, embotamento afetivo (distanciamento), alogia (incapacidade de falar), abulia (falta de vontade), anedonia (falta de alegria). Na parte neurológica, é responsável pela desorganização do pensamento e do comportamento e por prejuízos cognitivos (de memória, funções executivas e atenção). O paciente ainda sofre de alterações de humor, depressão ou exaltação e ansiedade.

O professor Gustavo Doria, do Departamento de Medicina Forense e Psiquiatria da Universidade Federal do Paraná, explicou que a doença tem componente hereditário e aparece geralmente no início da vida adulta, no auge da produção laboral do indivíduo. Os surtos, segundo ele, prejudicam o cérebro com perdas próximas a dez pontos no quociente de inteligência (QI).

— O transtorno psiquiátrico traz prejuízos nas funções cognitivas, na percepção, no afeto, no comportamento e nas atividades sociais.

O professor Ary Gadelha, coordenador do Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo, reforçou que a doença afeta as regiões associativas do conhecimento no cérebro. Por isso, quanto mais precoce a intervenção médica, maior a chance de sucesso no tratamento.

— Se perdermos a janela de oportunidade, que é a intervenção logo após constatado o primeiro episódio psicótico, fica muito mais difícil tratar porque o cérebro começa a fase de prejuízos mais significativos.

De acordo com Gadelha, o período crítico é justamente após o primeiro episódio, geralmente quando o indivíduo deixa de trabalhar, isola-se e começa a perder o contato com as pessoas. O pesquisador destacou que os medicamentos são importantes para controlar os sintomas, mas viver com a doença requer terapias, exercício físico, emprego e remediação cognitiva.

Entre essas terapias, o destaque vai para a cognitivo-comportamental (TCC), de acordo com a psicóloga Marina Saraiva da Silva. Para ela, a abordagem é a mais usada no tratamento porque coloca o delírio num contexto que precisa ser discutido e compartilhado para construção e adaptação. Além disso, é feito o controle de estresse e emoções que possam desencadear surtos. Ela destacou que a TCC é fundamental porque, embora a base do tratamento da esquizofrenia sejam os remédios, de 25% a 40% dos pacientes ainda expressam os sintomas da doença mesmo depois de medicados.

Suicídio
Nas palavras do presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina, Antônio Geraldo da Silva, a esquizofrenia é uma doença grave que vitimiza todos à volta e um fator bastante presente nos índices de suicídio. Ele disse que, de acordo com o Conselho Federal de Medicina, 10,6% das pessoas que morreram por suicídio foram diagnosticadas com esquizofrenia e não tratadas, ou tratadas de forma inadequada.

— A esquizofrenia está associada com aumento de dez vezes do risco de morte por suicídio, e 50% dos pacientes esquizofrênicos podem tentar o suicídio em algum ponto do curso da doença, sendo mais comum durante os anos iniciais — apontou Antônio Silva.

Saindo dos números e encarando a vida real, os participantes da audiência viram a foto de André, que no ano passado, aos 33 anos, pesquisou na internet a forma menos dolorosa de morrer e assim o fez. Quem mostrou a história de André foi Sarah Nicolleli, a presidente da Associação Mãos de Mães de Pessoas com Esquizofrenia e mãe de Cainã.

Ela contou que seu filho faz tratamento e toma medicações, mas, depois do primeiro surto, tornou-se mais introspectivo, sozinho. Sarah apresentou outros jovens que precisam de ajuda quando em surto psicótico.

— Pessoas que trabalham nos Bombeiros, Samu, Capes, Polícia Militar e hospitais precisam saber como abordar e ajudar alguém em surto psicótico. Temos de tirar essa doença do armário. Por isso, precisamos de um dia de conscientização — resumiu.

Para o psiquiatra Antônio Silva, é importante que as pessoas derrubem preconceitos e enxerguem que os pacientes precisam de ajuda e tratamento assim que a doença se revela.

— O doente mental não é agressivo, ele pode viver em sociedade, mas ele precisa ser tratado para que não chegue ao ponto de perder a noção do caráter ilícito do fato. Se houve suicídio é porque o paciente não teve tratamento adequado. Os remédios não chegam e as famílias estão largadas.

O presidente da reunião foi o senador Flávio Arns (Rede-PR), autor do PL 3.202/2019. Para ele, ter um dia nacional de alerta para a doença abre a possibilidade de discussão, reflexão e ações que devem perdurar o ano inteiro.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)


Entrelaços: novos grupos de apoio no Rio de Janeiro para pessoas que convivem com transtornos mentais.

O programa Entrelaços formou este ano dois novos grupos de apoio, ampliando para sete o número de grupos no Rio de Janeiro, incluindo dessa vez a zona Oeste da cidade, a única que ainda não tinha um grupo de suporte para pessoas que convivem com transtornos mentais, como a esquizofrenia.

Conheça mais sobre o Programa Entrelaços

Os grupos Movimente, na Praça Seca, e Equilibrarte, no Leblon, seguem a mesma orientação dos demais grupos da rede Entrelaços. Ocorrem em espaços externos aos hospitais ou serviços psiquiátricos, são conduzidos pelos próprios usuários, como familiares e pacientes e utilizam-se dos princípios da psicoeducação e da solução de problemas para oferecer apoio àqueles que convivem com os transtornos mentais.

Ativos desde março em seus espaços, os grupos Movimente e Equilibrarte começam a receber novos membros a partir de setembro.

Para participar os interessados devem fazer contato com os coordenadores de cada grupo para conhecer melhor o funcionamento e a agenda de reuniões, que ocorrem aos sábados pela manhã.

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Movimente

Igreja Batista de Barão da Taquara - Praça Seca nº 32, Jacarepaguá
Coordenadores: Ana Cristina (tel.: 98876-5808; e-mail: annacrisso@yahoo.com.br) e Simone (tel.: 98428-1482; e-mail: simoneecia@yahoo.com.br )

 

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Equilibrarte

Espaço Contemporâneo - Rua Humberto de Campos nº 315, Leblon Coordenadores: Marisa (tel.:(024)988550520; e-mail: marisaccouto@hotmail.com) e Márcia (tel.: 997636228; e-mail: mastiga43@gmail.com)

 


Para conhecer todos os grupos da rede Entrelaços, CLIQUE AQUI


Baixe de graça o Manual de Psicoeducação para Profissionais de Saúde Mental que Tratam Pessoas com Esquizofrenia!

"Estamos tratando de doenças que atingem a emoção, o sentimento e a relação entre as pessoas, somente por essas vias é que conseguiremos de fato a mudança."

Entrevista com Dr. Leonardo Palmeira, psiquiatra do Programa Entrelaços do IPUB/UFRJ, que escreveu o manual, lançado este ano pela editora Planmark.

Portal Entendendo a Esquizofrenia: Como surgiu a ideia de fazer um manual para profissionais de saúde e qual a proposta dele?

Dr. Leonardo Palmeira: Nesses 18 anos que trabalhamos com pacientes com transtornos mentais graves, particularmente a esquizofrenia, e seus familiares ficou sempre a impressão da falta de informação ser um dos principais obstáculos à recuperação. Em 2009 lançamos com esse objetivo o livro 'Entendendo a Esquizofrenia', em 2013, já com a experiência do Entrelaços no IPUB, lançamos a segunda edição do livro ampliada para atender aos próprios pacientes, incluindo depoimentos de experiências pessoais de recuperação e um capítulo focado neste tema. Porém sempre ficou a sensação de que faltava algo. É comum ouvir das famílias com quem trabalhamos a queixa de que nos serviços onde se tratam não há informação sobre os transtornos mentais, que muitas vezes não sabem o diagnóstico, que profissionais evitam falar diretamente sobre o assunto, há pouco apoio neste sentido para as famílias. Em nosso programa no IPUB já recebemos profissionais de saúde de outros serviços e hospitais para conhecerem nossa metodologia de trabalho, já auxiliamos na criação de grupos de psicoeducação, mas esse trabalho ainda é muito tímido e limitado, porque nossa equipe também é reduzida e já temos bastante envolvimento com as famílias e os pacientes. Então a ideia do manual é apresentar o conteúdo que utilizamos nos seminários de psicoeducação do Programa Entrelaços para os profissionais de saúde mental que trabalham em CAPS, hospitais, ambulatórios e outros serviços poderem utilizar esse conhecimento junto às famílias e aos pacientes.

Portal Entendendo a Esquizofrenia: Como ele pode ser utilizado no trabalho com as famílias?

Dr. Leonardo Palmeira: O manual é dividido em módulos e no início de cada um deles colocamos o número de sessões necessárias e os objetivos com as famílias. Ele pode ser utilizado no formato de seminários, ministrados às famílias pelos profissionais de saúde que se dispuserem a fazer esse trabalho, como ocorre no Entrelaços, ou ele pode ser utilizado como complemento às sessões de terapia em grupo, como, p.ex., grupos de familiares ou de pacientes que já ocorram nos serviços. A nossa intenção é que o material possa contribuir para a atualização dos profissionais de saúde que tratam pessoas com esquizofrenia, municiando-os de informações baseadas nas melhores evidências científicas e que possam ser passadas às famílias e aos próprios pacientes, gerando o debate de ideias, uma maior compreensão do problema e a capacitação para que eles busquem os melhores tratamentos, desenvolvam uma expertise própria para lidar melhor com os conflitos do dia-a-dia e para melhorar a comunicação entre eles. Uma das grandes ênfases do manual é a necessidade de se ter uma visão esperançosa sobre o processo de adoecimento mental, não como algo que sela a vida e as possibilidades da pessoa, mas que traz a necessidade e a oportunidade de mudanças, que são possíveis quando se tem o conhecimento, uma visão positiva sobre si mesmo e seu transtorno e uma atitude construtiva e parceira para com o paciente. O que testemunhamos em nosso programa é uma revolução em cada um, seja familiar ou paciente, que se dispõe a fazer essa travessia, da doença para a saúde, através de uma jornada de conhecimento, conscientização, reflexão e mudança, compreendendo o novo paradigma da recuperação e encontrando um novo sentido para si e para a sua vida, apesar da presença de eventuais efeitos da doença mental. Eu costumo dizer que esse processo de transformação na maneira de encarar a doença mental e na determinação e motivação de vencer as dificuldades não acontece somente com os familiares e pacientes, mas também com os profissionais de saúde que têm o privilégio de ter essa experiência com as famílias. O nosso papel é fundamental nesse processo! A esperança e a mudança de atitude/compreensão desse novo paradigma deve partir de nós, para que possamos contagiar as famílias e os pacientes, que, na maioria das vezes, nos procuram desmotivados e desinvestidos, criando uma atmosfera propícia para que esse trabalho de transformação pessoal se dê nos encontros.

Portal Entendendo a Esquizofrenia: São mais de 2 mil CAPS em todo país, sem contar com ambulatórios e hospitais. Cada serviço desse tem um perfil diferente e a notícia que temos pelas famílias que nos escrevem é que a realidade é muito diversa, alguns prestam bons serviços, em outros existe muita dificuldade em se prestar o atendimento. Como é possível melhorar essa realidade?

Dr. Leonardo Palmeira: Existe a questão do financiamento da saúde mental e, principalmente dos CAPS, que deve ser o dispositivo prioritário, uma vez que ele é o mais capaz de oferecer um tratamento individualizado junto à comunidade. Cada pedaço desse país tem suas particularidades, numa mesma cidade você tem realidades sociais e culturais diferentes e isso precisa ser levado em conta no tratamento da doença mental. Não vou entrar no mérito do financiamento da saúde, senão empacamos e não enxergamos além disso. É claro que precisa de mais investimento, de ampliar a quantidade de CAPS, de profissionais que atuam neles, etc. Mas eu insisto que é necessário uma mudança junto aos profissionais e que essa mudança precisa acontecer na interação, no relacionamento com os pacientes e suas famílias. Cada serviço precisa ter a participação ativa daqueles que são os principais interessados em melhorar a qualidade do atendimento, em disponibilizar os melhores tratamentos, em ampliar a participação social e comunitária do serviço. Como as demandas são diferentes, há necessidade dessa articulação dentro de cada unidade, portanto, são questões que vão além do financiamento público e que colocam pacientes, familiares e profissionais de saúde no centro dessa questão. Nossa experiência no Entrelaços mostra que essa interação pode mudar a forma como familiares, pacientes e profissionais de saúde se relacionam e é justamente aí que está o poder dessa transformação. E isso passa pelo conhecimento e pela compreensão, pela mudança de postura, pelo otimismo e pela esperança de que a mudança é possível e ocorrerá, mais cedo ou mais tarde, tendo a pessoa como o centro do cuidado, baseada em seus próprios recursos e objetivos, sendo valorizada e reconhecida por todos. O manual tem essa pegada, então imagino que cada profissional de saúde, familiar ou paciente possa baixá-lo e ser um multiplicador, assim como são hoje os grupos comunitários formados pelo Entrelaços, que já atuam em cinco diferentes bairros do Rio de Janeiro e atendem centenas de famílias, levando informação e apoio. Estamos tratando de doenças que atingem a emoção, o sentimento e a relação entre as pessoas, somente por essas vias é que conseguiremos de fato a mudança.



Segundo vídeo do Evento Entrelaços 2018: Redes de apoio que fazem a diferença na vida das pessoas!

Este ano o evento de encerramento do Programa Entrelaços debateu a construção de redes de apoio social para as pessoas que convivem com transtornos mentais severos, como a esquizofrenia, iniciativas que se tornaram um elemento central e aglutinador do processo de recuperação em saúde mental, da defesa dos direitos dos usuários e de seus familiares e do apoio mútuo com a possibilidade de formação de novos laços sociais que fortalecem vínculos e ampliam horizontes.

A segunda parte do encontro debate experiências de construção de redes de apoio que deram certo e unem pares em torno do mesmo propósito.

Margarete BritoMargarete Brito conta sua luta para trazer o canabidiol, composto da maconha que trata a convulsão de sua filha, até conseguir fundar a APEPI e regulamentar o uso da substância junto a ANVISA, beneficiando milhares de pacientes.


Rosane NagibRosane Nagib, que participou do Programa Entrelaços em 2015, fala de suas duas visitas a Fountain House, em Nova Iorque, casa idealizada para ser um espaço de apoio e integração entre pares que passam pela experiência da doença mental e se recuperam através do trabalho, das artes e de outras iniciativas sociais que ocorrem dentro da casa, criada e coordenada por eles.


Eduardo VasconcellosEduardo Vasconcellos nos conta a história dos movimentos de associações e de pares em saúde mental no Brasil, da qual é testemunha e também protagonista com a criação do Projeto Transversões, que cria grupo de pares em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).


sarau entrelaçosO evento deste ano foi abrilhantado pelo Sarau Entrelaços, grupo de músicos que se reuniu para ensaiar um pequeno concerto exclusivamente para o evento. Eles se reuniram durante algumas semanas no Centro Municipal de Saúde em Botafogo, onde também acontece o Grupo Construindo Horizontes.


Esperamos que o vídeo estimule as pessoas que convivem com o transtorno mental a se unirem e a juntarem as forças, reivindicando seus direitos, apoiando-se mutuamente, lutando contra o estigma e a favor da recuperação e da cidadania.


Especial Maconha e Psicose: O Sistema Endocanabinóide.

Parte 2 - O Sistema Endocanabinóide

No último artigo fizemos uma introdução mostrando o grande problema de saúde pública que é a maconha, revelando o aumento no consumo da droga nos EUA desde 1970. Hoje vamos compreender melhor a importância do sistema endocanabinóide no cérebro e na nossa vida e porque a maconha pode ter um efeito negativo para algumas pessoas suscetíveis, prejudicando seu funcionamento na sociedade.

O sistema endocanabinoide é um dos sistemas neurotransmissores mais complexos que possuímos. Para vocês terem uma ideia, nós possuímos substâncias análogas às da maconha, como o THC e o CBD, produzidas pelo próprio cérebro e que estimulam o sistema de forma fisiológica. Ou seja, mesmo a pessoa que nunca usou a maconha tem o sistema endocanabinóide estimulado por canabinóides endógenos (produzidos pelo próprio corpo). Os dois endocanabinóides mais conhecidos são o 2-AG e a anandamida.

Esse sistema não armazena os neurotransmissores (diferente p.ex. do sistema da serotonina), que são produzidos “on demand”, de acordo com a necessidade do cérebro. Depois da ação dos endocanabinóides nos receptores, eles são internalizados e degradados pelos neurônios. Os neurotransmissores podem também se espalhar e modular outros alvos, através da ação em neurônios vizinhos. Esse sistema também é um sistema de resposta lenta, que se regula ou desregula gradativamente.

A anandamida é o endocanabinóide mais ativo nas fases do desenvolvimento do Sistema Nervoso Central (SNC), responsável pela regulação da migração de neurônios e a formação de novas sinapses, fundamentais para as conexões entre diferentes áreas cerebrais. Na vida adulta a anandamida tem um papel na adaptação ao estresse e o 2-AG um papel modulador da homeostase cerebral, ou seja, do equilíbrio químico do cérebro. Perceberam a importância do sistema endocanabinoide na nossa vida?

Esse sistema está presente e tem importância em diferentes áreas do cérebro e regulando diferentes funções, desde o movimento, a coordenação, a sensação e a visão, até a memória, o juízo e a sensação de recompensa.

O sistema endocanabinóide tem uma relação estreita com os sistemas de dopamina, glutamato e GABA, exercendo um papel modulador desses sistemas. Através do glutamato, o sistema endocanabinóide estimula o sistema dopaminérgico e, através do GABA, ele o inibe. Essa é a principal via pela qual o sistema endocanabinóide está relacionado à psicose e, particularmente, à esquizofrenia, mas a isso retornaremos mais adiante.

O sistema endocanabinóide também tem um papel central em processos inflamatórios do SNC. Existem receptores canabinóides em células do sistema imunológico que podem ativá-las a exercer um papel de defesa aos neurônios agredidos pelo estresse crônico.

Existem receptores canabinóides também no hipocampo, região cerebral responsável pela formação de novas memórias, em receptores que tem um papel central nas convulsões, por isso a ação anticonvulsivante do canabidiol (CBD), através da qual ele se tornou mais conhecido e liberado por órgãos de saúde de diferentes países, dentre eles o Brasil.

A essa altura você pode estar pensando: se o sistema endocanabinóide é tão importante para funções tão fisiológicas, então a maconha, por estimulá-lo, deve ser benéfica. Não é bem assim! A maconha tem uma concentração maior de THC do que de CBD e o THC desregula a ação fisiológica desse sistema, tanto a curto como a longo prazo, comprometendo essas importantes funções.

A maconha altera, p.ex., a percepção do tempo (o tempo passa mais lentamente), a percepção de cores e de experiências subjetivas, salientando estímulos, que passam a ter uma importância peculiar, muitas vezes não compartilhadas pelas outras pessoas. A exemplo disso estão amizades sociais aumentadas em função da droga e “valores” como o contentamento ou conformismo com o ostracismo e o isolamento social. Essa passividade pode inclusive ser explicada pela ação da própria droga no sistema de recompensa do cérebro, diminuindo o reforço positivo e a motivação para atividades que podem gerar prazer ou satisfação, à exceção do uso da própria droga.

A maconha também pode provocar alterações da memória, criando falsas associações que passam a ter o mesmo peso das reais, gerando uma dificuldade de diferenciar a realidade da fantasia. Essa é uma das explicações para a psicose causada pela maconha, que veremos em maior detalhe no próximo artigo.

Isto ocorre porque uma das funções do sistema endocanabinóide no hipocampo é coordenar os múltiplos inputs que chegam ao cérebro e fazer a checagem de erros para a formação de novas associações. Associações mais fluidas permitem a criatividade, porém associações com erros de checagem levam a falsas memórias, que serão evocadas pelos mesmos circuitos da memória normal, sem distinção, gerando delírios, pelo fato da pessoa não ser capaz de distinguí-las das memórias reais.

Exames de imagem cerebral comprovaram essas teses. Alguns usuários de maconha tiveram menor volume da substância cinzenta do hipocampo, encurtamento de dendritos e menor densidade de neurônios, mesmo após meses de abstinência, corroborando a tese de que os efeitos negativos da maconha podem persistir mesmo depois de cessado seu uso.

No próximo artigo veremos mais a fundo as razões para a psicose induzida pela maconha.


Agenda do Dr Leonardo para o Primeiro Semestre de 2019.

Prezados pacientes, gostaria de comunicá-los a respeito de minha agenda do primeiro semestre de 2019 para que possam se organizar em relação à marcação de consultas. Atenderei até o dia 04/01/19, depois saio de férias e retorno no dia 21/01/19.

Não haverá atendimento nos seguintes períodos:

Janeiro

05 a 20 – Férias

Fevereiro

Atendimento normal

Março

02 a 06 – Carnaval

Abril

19 a 23 - Paixão de Cristo / Páscoa e Dia de São Jorge

Maio

01 - Dia do Trabalho

16 a 29 - Congresso Americano de Psiquiatria - São Francisco/EUA

Junho

20 - Corpus Christi

Peço sua especial atenção para os meses de janeiro, em função das férias, e maio, em função do período do congresso de São Francisco. Antecipe sua consulta e evite imprevistos de última hora.

Um abraço,

Dr Leonardo Palmeira


Primeiro vídeo do Evento Entrelaços 2018: Depoimentos pessoais que nos enchem de esperança!

Este ano o evento de encerramento do Programa Entrelaços debateu a construção de redes de apoio social para as pessoas que convivem com transtornos mentais severos, como a esquizofrenia, iniciativas que se tornaram um elemento central e aglutinador do processo de recuperação em saúde mental, da defesa dos direitos dos usuários e de seus familiares e do apoio mútuo com a possibilidade de formação de novos laços sociais que fortalecem vínculos e ampliam horizontes.

A primeira parte do encontro conta com o relato das experiências pessoais das pessoas que participaram do Programa Entrelaços neste ciclo de trabalho, que se iniciou em 2017.

paula guatimosimPaula Guatimosim conta sua trajetória no cuidado com o seu filho, inicialmente no setor privado e, depois, no setor público, onde descobriu diferenças importantes na filosofia do cuidar. Ela fala do quanto o Programa Entrelaços foi transformador em sua vida e mudou sua forma de encarar e compreender a doença mental.


mariah e rafaelMariah e Rafael falam da cumplicidade e do apoio mútuo que desenvolveram ao longo dos dois últimos anos e que possibilitou a adoção do pequeno Gabriel. Mariah fala de sua superação com a chegada do filho e da maternidade.


abielAbiel, pai de Jônatas, conta sua trajetória com sua família, ajudando o filho a superar as dificuldades e a chegar onde chegou, ressaltando a importância do Programa Entrelaços na conscientização sobre a doença e na capacitação para lidar com os novos desafios, como a música e o trabalho.


gustavoGustavo Baptista é músico e guitarrista da Bandazê e do Grupo Harmonia Enlouquece e já havia se apresentado no evento do Entrelaços no ano passado. Esse ano ele decidiu dar seu depoimento sobre sua trajetória e como tem conseguido se conscientizar sobre sua vulnerabilidade e procurar vencer os sintomas e as dificuldades.


sarau entrelaçosO evento deste ano foi abrilhantado pelo Sarau Entrelaços, grupo de músicos que se reuniu para ensaiar um pequeno concerto exclusivamente para o evento. Eles se reuniram durante algumas semanas no Centro Municipal de Saúde em Botafogo, onde também acontece o Grupo Construindo Horizontes.


Esperamos que o vídeo traga mais esperança e inspiração para todos que se propõem a lutar pelos seus ideais e a vencer seus obstáculos na busca de um futuro melhor. Aproveitem!


Antibióticos na infância podem aumentar o risco de doenças mentais.

Apesar de todo o bem que fazem, os antibióticos, se usados demais, podem ter desvantagens bem drásticas. Em particular, o uso em excesso pode criar superbactérias resistentes a futuros antibióticos. Mas um novo estudo publicado na semana passada na JAMA Psychiatry sugere que existe uma outra consequência mais sutil do uso de antibióticos, pelo menos em pessoas jovens: um risco mais alto de desenvolver doenças mentais sérias, como transtorno obsessivo-compulsivo e esquizofrenia.

Nos últimos anos, tem havido um interesse científico renovado na ideia de que infecções comuns podem aumentar o risco de desenvolver a doença de Alzheimer na terceira idade. Mas pesquisadores também encontraram provas de que as infecções infantis podem aumentar o risco de doença mental ainda mais cedo na vida. Uma hipótese comum subjacente para ambas as teorias é que essas infecções podem causar inflamação crônica ou outros efeitos colaterais no corpo que danificam diretamente o cérebro.

Mas o autor do estudo, Robert Yolken, neurovirologista da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, e sua equipe decidiram explorar uma possível explicação diferente para a razão pela qual as infecções estão ligadas à doença mental.

Yolken especulou que mudanças no microbioma intestinal — o mar vivo de bactérias que vive em nosso sistema digestivo — também podem prejudicar o cérebro. Isso porque o microbioma intestinal ajuda a coordenar o eixo cérebro-intestino, uma complexa rede de comunicação de sinais hormonais e nervosos entre o intestino e o cérebro que regula o corpo. E uma das maneiras mais destrutivas de mudar o microbioma é tomando antibióticos, muitos dos quais matam indiscriminadamente tanto bactérias inofensivas quanto as problemáticas.

Portanto, para o estudo, Yolken e seus colegas na Dinamarca analisaram o histórico médico de todos os residentes dinamarqueses nascidos entre 1995 e 2012, totalizando pouco mais de um milhão de crianças. Estudaram especificamente crianças que tinham tomado medicamentos antimicrobianos, quase sempre antibióticos, para alguma infeção antes dos 18 anos de idade. Em seguida, acompanharam o seu histórico de saúde mental durante uma média de 10 anos. Também compararam o seu destino a um grupo de controle de crianças dinamarquesas a quem tinham sido prescritos medicamentos para combater os germes, mas que, por qualquer razão, nunca os receberam de fato (uma razão comum pode ser que essas crianças simplesmente melhoraram sozinhas antes de os pais terem ido para a farmácia local).

“O que basicamente descobrimos foi que a exposição a antibióticos, particularmente antibióticos de longo prazo ou múltiplas doses de antibióticos, estava associada a um risco aumentado de qualquer número de distúrbios psiquiátricos diferentes”, disse Yolken ao Gizmodo.

Apenas 3,9% das crianças no total, cerca de 42 mil, foram posteriormente hospitalizadas e diagnosticadas com qualquer distúrbio de saúde mental, enquanto 5,2%, 56 mil crianças, mais tarde receberam uma receita para um medicamento antipsicótico. Mas, em comparação com as crianças não tratadas, as crianças que receberam antibióticos tiveram uma chance visivelmente maior de uma dessas coisas acontecer com elas.

Crianças que foram hospitalizadas e tratadas por uma infecção foram 84% mais propensas a serem hospitalizadas por doença mental e 42% mais propensas a receberem antipsicóticos. Mas mesmo as crianças que só foram prescritas antibióticos para uma infecção ainda tinham 40% e 22% mais probabilidade de serem hospitalizadas por doença mental ou receberem antipsicóticos, respectivamente. Em ambos os cenários, o maior risco associado foi visto em crianças que receberam antibióticos, enquanto nenhum risco adicional foi visto em crianças que receberam medicamentos antivirais ou antifúngicos.

“Isto não é para assustar ninguém. Se estamos falando de pais cujos filhos recebem antibióticos para uma infecção no ouvido — uma dose não vai fazer muito.”

O uso de antibióticos, obviamente, não é o único fator que influencia o risco de doença mental de uma pessoa. A equipe também conseguiu olhar para o histórico de saúde mental dos irmãos das crianças tratadas. Em comparação com os irmãos, as crianças tratadas tinham um maior risco de doença mental, mas em menor grau do que quando comparadas com o público em geral. Em outras palavras, a genética ou o ambiente compartilhado de uma pessoa também parece desempenhar um papel importante para torná-la vulnerável a doenças mentais.

Yolken também não descarta a possibilidade de que as próprias infecções, particularmente as que ameaçam a vida, ainda possam danificar diretamente o cérebro. Mas, quando olhamos para as infecções menores, os autores dizem que são os antibióticos que são provavelmente um fator maior.

Em última análise, um estudo populacional como esse não pode provar que A causa B ou vice-versa; só pode mostrar uma associação indireta entre eles. Mas o estudo, diz Yolken, é o maior e mais extenso do gênero. E Yolken e outros esperam seguir com pesquisas com animais que possam mostrar diretamente como um microbioma intestinal danificado por antibióticos pode aumentar o risco de doença mental.

“Isto não é para assustar ninguém. Se estamos falando de pais cujos filhos recebem antibióticos para uma infecção no ouvido — uma dose não vai fazer nada demais”, disse Yolken. “Mas, a nível de população, ou de cuidados médicos, eu acho que é importante tentar limitar os antibióticos que recebemos durante nossa infância, especialmente no primeiro ou segundo anos de vida.”

Por causa da crescente resistência aos antibióticos, já existe um esforço dedicado por parte de alguns médicos e hospitais para reduzir ou informar melhor o uso deles. Muitos médicos, às vezes a pedido dos pacientes, tendem a prescrever antibióticos quando não são necessários ou úteis, seja porque uma infecção é curta e leve ou porque não é causada por bactérias em primeiro lugar. Essas reformas incluem escrever menos prescrições antibióticas, encurtar a duração de um tratamento ou usar drogas de espectro mais reduzido que só podem visar alguns tipos de bactérias.

“Isso só acrescenta uma razão adicional para diminuir o uso de antibióticos”, disse Yolken.

Fonte: Gizmodo/uol


Vírus da herpes pode ser a causa do Mal de Alzheimer.

Por: Ruth Itzhaki, professora de Neurobiologia Molecular da Universidade de Manchester, no Reino Unido. Este artigo foi publicado originalmente em inglês no The Conversation.

Mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer – a forma mais comum de demência. Infelizmente, não há cura, apenas drogas para aliviar os sintomas. No entanto, minha última pesquisa sugere uma maneira de tratamento. Eu encontrei a mais forte evidência de que o vírus da herpes causa Alzheimer, sugerindo que medicamentos antivirais eficazes e seguros podem ser capazes de tratar a doença. Podemos até ser capazes de vacinar as crianças contra isso.

O vírus implicado na doença de Alzheimer, o herpes simplex tipo 1 (HSV1), é mais conhecido por causar herpes labial. Ele infecta a maioria das pessoas na infância e, em seguida, permanece dormente no sistema nervoso periférico (a parte do sistema nervoso que não é o cérebro e a medula espinhal). Ocasionalmente, se uma pessoa está estressada, o vírus é ativado e, em algumas pessoas, causa as feridas na boca.

Foi descoberto em 1991 que, em muitos idosos, o HSV1 também está presente no cérebro. E em 1997 mostramos que isso confere um forte risco para Alzheimer, principalmente quando presente no cérebro de pessoas que têm o gene APOE4.

O vírus pode se tornar ativo no cérebro, talvez repetidamente, e isso pode causar danos cumulativos. A probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer é 12 vezes maior para os portadores de APOE4 que têm HSV1 no cérebro do que para aqueles que não possuem nenhum fator.

Mais tarde, foi descoberto que a infecção por HSV1 das culturas celulares faz com que as proteínas Beta-amilóide e Tau anormal se acumulem. E o acúmulo dessas proteínas no cérebro é característico do Alzheimer.

Acreditamos que o HSV1 é um dos principais fatores que contribuem para a demência, e que ele entra no cérebro de pessoas idosas à medida que seu sistema imunológico diminui com a idade. É estabelecido uma infecção latente, da qual é reativada por eventos como estresse, sistema imunológico enfraquecido e inflamação cerebral induzida por infecção de outros micróbios.

A reativação leva ao dano viral direto nas células infectadas e à inflamação induzida por vírus. Sugerimos que a ativação repetida causa danos cumulativos, levando eventualmente à doença de Alzheimer em pessoas com o gene APOE4.

Presumivelmente, em portadores de APOE4, o Alzheimer se desenvolve no cérebro devido à maior formação de produtos tóxicos induzida por HSV1, ou menor reparo de danos.

Novos tratamentos?

Dados sugerem que agentes antivirais podem ser usados ​​para tratar Alzheimer. Os principais agentes antivirais, que são seguros, impedem a formação de novos vírus, limitando assim os danos.

Em um estudo anterior, foi descoberto que a droga antiviral anti-herpes, o Aciclovir, bloqueia a replicação do DNA do HSV1 e reduz os níveis de Beta-amilóide e Tau causados ​​pela infecção por HSV1 das culturas de células.

É importante notar que todos os estudos, incluindo os que participei, mostram apenas uma associação entre o vírus do herpes e o Alzheimer – eles não provam que o vírus é uma causa real. Provavelmente, a única maneira de provar que um micróbio é uma causa de uma doença é mostrar que uma ocorrência da enfermidade reduzida, seja por atacar o micróbio com um agente antimicrobiano específico ou seja por vacinação específica.

A prevenção bem sucedida de Alzheimer pelo uso de agentes anti-herpes específicos foi demonstrada em um estudo em larga escala, realizado em Taiwan. Espero que as informações em outros países, se disponíveis, produzam resultados semelhantes.

Fonte: Revista Galileu

Comentário: os exames para HSV1 e APOE4 podem ser facilmente realizados através da coleta de sangue em qualquer laboratório de análises clínicas. Converse com seu médico.


Especial Maconha e Psicose: Epidemiologia.

Parte I: Epidemiologia

A partir desse mês iniciaremos uma série de artigos especiais sobre a relação entre a maconha e a psicose. Hoje vamos abordar questões epidemiológicas a respeito do uso de maconha, particularmente nos EUA, onde temos dados estatísticos mais robustos, mas que ao meu ver podem ser perfeitamente extrapolados para a nossa realidade aqui no Brasil.

A maconha é uma planta e tem duas espécies: a cannabis sativa e a cannabis indica. Ela possui mais de 400 compostos, sendo 80 canabinóides, substâncias que agem no SNC, precisamente no sistema endocanabinoide.

A cannabis sativa, a planta que dá origem à maconha mais utilizada, possui centenas de cepas diferentes com distintos “blends” de canabinóides, com efeitos psicoativos diversos.

O delta-9-tetrahidrocanabinol, conhecido pela sigla THC, é o canabinóide que possui o maior efeito psicoativo da maconha, responsável pelas manifestações psíquicas e comportamentais da droga. Já o Canabidiol, conhecido pela sigla CBD, é um canabinoide que exerce um efeito protetor ao cérebro frente ao THC, minimizando os riscos e os efeitos psicoativos do mesmo.

Diferentes proporções de THC vs CBD existem nos diferentes tipos de maconha. O haxixe, p.ex., possui 5% de THC e 4% de CBD, enquanto o Skunk, um tipo mais forte da droga, possui 15% de THC e 0,1% de CBD. A relação de THC para CBD na maconha vem aumentando nas duas últimas décadas de maneira preocupante, saltando de 14:1 em 1994 para 80:1 em 2018, segundo as apreensões da droga nos EUA. Outro fator preocupante é o aumento do consumo de maconha de forma consistente desde 1970 nas Américas.

Nos EUA a maconha já é a droga ilícita mais usada, ultrapassando inclusive o tabaco em 2014. A concentração de THC na maconha mais do que dobrou desde 2002, saltando de 6 para 13% em 2014.

Um dos maiores estudos epidemiológicos sobre drogas nos EUA (NSDUH), realizado pela Secretaria de Saúde Mental e Abuso de Substâncias do Ministério da Saúde de lá (SAHMSA), mostrou que o uso da maconha subiu de 10 para 13% em 12 anos, entre 2002 e 2014, sendo que o número de usuários frequentes (diário ou quase diário) da droga quase dobrou, de 1,9% para 3,5%. Estima-se que nos EUA haja 32 milhões de usuários e 8,4 milhões de usuários frequentes, que usam a maconha diária ou quase diariamente, segundo os dados da pesquisa em 2014.

Uma das explicações para este aumento é que a liberação da maconha nos EUA para uso medicinal possa ter influenciado a percepção do risco da droga, uma vez que a percepção de não-risco saltou de 5,6% em 2002 para 15,1% em 2014 na população geral e de 17,4 para 47,4% entre os usuários de maconha.

A média de dias de uso de maconha subiu de 10 para 16 dias por ano, sendo que entre os usuários cresceu de 98 para 125 dias por ano, um aumento de 30%.

O perfil do usuário de maconha americano, segundo o estudo do SAHMSA é ser homem, jovem, solteiro, sem diploma de ensino médio, desempregado ou licenciado ou empregado em meio turno, usuário de outras drogas e portador de transtorno depressivo maior.

A pesquisa aponta que o uso de maconha é maior no grupo de pessoas que não percebem o risco, têm facilidade de obtenção ou, no caso dos jovens, cujos pais não reprovam o uso. O uso também foi maior entre jovens deprimidos, entre aqueles que iniciaram o uso aos 15 anos e no grupo que fuma cigarro.

Um dado positivo da pesquisa foi que, entre jovens de 12 a 17 anos, ocorreu uma redução do uso de maconha entre 2002 e 2014, caindo de 15,8% para 13,1% e o fator que mais se associou a isso foi a queda no uso de tabaco.

A importância desse estudo é mostrar o tamanho do problema para a saúde pública e a necessidade de agir preventivamente, principalmente na população mais jovem. Campanhas contra o cigarro refletiram positivamente entre os mais jovens, reduzindo o uso de maconha e comprovando a teoria do portão (gateway theory), ou seja, que o cigarro possa ser uma porta de entrada para o uso de maconha. O que preocupa é a baixa percepção do risco, tanto em usuários como em pais de jovens que podem iniciar o uso de maconha. Maior informação e campanhas educativas, mostrando o papel do THC e do CBD podem desfazer a impressão de que a maconha seja uma droga inócua, uma vez que tem sido utilizada de forma medicinal.

No próximo artigo vamos explicar mais sobre o sistema endocanabinoide e sua importância para o nosso funcionamento na sociedade e falar mais de alguns efeitos da maconha no cérebro. Não percam!


Setembro Amarelo: conheça a "aula de vida" criada em escola de Guaíba.

Por Aline Custódio

Em Guaíba, a Escola Estadual Ruy Coelho Gonçalves, no bairro de mesmo nome, mudou a rotina desde julho deste ano, quando registrou o primeiro caso de suicídio. No retorno das férias de inverno, a psicóloga Dayane Costa, especialista no atendimento mental de crianças e adolescentes e que há quatro anos palestra nas escolas sobre adolescência, voluntariou-se para conversar com os estudantes a partir do sexto ano. Num dos bate-papos, Dayane abordou o tema depressão. Quando perguntou aos alunos o que eles entendiam sobre a doença, ouviu respostas surpreendentes.

— É uma doença muito séria, e a gente não pode julgar quem tem — respondeu uma jovem.

— É invisível, diferente de uma pereba (espinha) que vai aparecendo na tua cara e as pessoas vão notar. A depressão ninguém nota — comparou um aluno.

— Muitos mostram ao público uma aparência feliz, mas no fundo estão tristes — resumiu outra estudante.

— Às vezes, a gente quer conversar e as pessoas ficam falando que tudo é drama — desabafou um adolescente.

Nos corredores da escola, cartazes com frases e poesias motivacionais foram espalhados pelas supervisoras escolares Maristela Rosa de Souza Pires e Patrícia Gonçalves, junto com a vice-diretora do turno da manhã, Berenice de Souza. Os próprios alunos produziram as mensagens.

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As três também organizaram um calendário de palestras até o final do ano e planejam mudar as cores das paredes do prédio com a ajuda dos próprios estudantes – numa ação coletiva de grafite. Pais e alunos estão sendo chamados para conversas com as supervisoras. Pela primeira vez, a instituição celebrará o Dia da Família, no próximo dia 29. O evento surgiu a partir da percepção dos professores de que era necessário comemorar com os responsáveis pelos alunos, independentemente de serem pais e mães biológicos.

Em sala de aula, a professora de português das turmas do Ensino Médio, Carmen de Vargas, observou a baixa autoestima de parte dos estudantes quando propôs à turma uma dissertação sobre o significado da palavra pai. Resistente à ideia, o grupo preferiu relatar em primeira pessoa os sentimentos relacionados à palavra. A tristeza pela ausência da figura paterna e a depressão, em alguns casos, ficaram expressas nas redações.

Numa longa conversa entre mestre e pupilos, anseios e dúvidas sobre a vida adulta foram confessados. Carmen teve a certeza de que os alunos apenas precisavam de uma oportunidade de serem ouvidos. As aulas de português, que já tinham textos motivadores – como a poesia Recomece, do poeta Bráulio Bessa –, ganharam mais um ingrediente: aula de vida, como a professora diz. A meta da professora é auxiliar os alunos a se tornarem mais autoconfiantes. Parece que as mensagens da docente estão sendo guardadas pela gurizada. Carmen emocionou-se ao encontrar na capa do caderno de um dos estudantes, escrita em letras garrafais, uma das frases ditas por ela em sala de aula: "O verbo mais importante da língua portuguesa é recomeçar".

Preste atenção

Sintomas de depressão

Alteração de padrão de sono – dorme mais
Alteração de padrão de apetite
Alteração de humor: pode ter choro frequente ou apenas demonstrar a alteração em atitudes mais impulsivas (se era uma criança ou adolescente calmo e passa a demonstrar irritação com situações comuns da rotina)
Sentimentos de desesperança, desamparo e desespero
Desânimo
Queda no rendimento escolar
Pensamento negativo
Diminuição de prazer
Isolamento
Tédio (não tem nada para fazer)
Uso contínuo de roupas compridas em períodos de calor
Uso de pulseiras para esconder os braços

Causas que podem desencadear a depressão

Abuso de substâncias
Abuso físico e sexual na infância
Bullying
Desemprego, perda recente do emprego ou endividamento dos pais
Dificuldade de integração e socialização na escola
Dificuldades em relação a identidade e orientação sexual
Histórico familiar de transtorno psiquiátrico
Problemas emocionais, familiares e sociais
Rejeição familiar
Situações de luto
Situações de assédio moral
Trabalho infantil
Violência familiar

Fonte: Gauchazh


Suicídios de estudantes acendem alerta em escolas.

No dia 14 de junho do ano passado, a rotina de uma família americana do estado de Nova Jersey foi interrompida bruscamente por uma tragédia. Aos 12 anos, a adolescente Mallory Grossman pôs fim à própria vida após ser vítima de bullying. Cerca de um ano depois do suicídio da jovem, seus pais decidiram mover uma ação judicial contra a Escola de Ensino Fundamental Copeland, por ter negligenciado seus alertas e não ter evitado a prática de bullying por parte dos colegas. A medida abriu uma discussão a respeito da responsabilidade das escolas no zelo pelo bem estar emocional e mental de seus alunos.

— Os sistemas escolares são 100% responsáveis pelo aprendizado emocional e acadêmico. Nós, pais, somos obrigados a mandar nossos filhos para a escola, temos direito a um ambiente de aprendizagem seguro e protegido. Eles precisam ser responsabilizados financeiramente pelo papel que desempenharam na morte de Mallory. Quando as escolas aprenderem que estão sob risco de serem processadas, começarão a implementar sistemas para proteger nossos filhos — disse Dianne Grossman, mãe de Mallory, em entrevista ao GLOBO.

A pressão por resultados exercida por muitas escolas acaba depositando uma carga de estresse nos estudantes, o que também pode ser prejudicial. No Brasil, a discussão ganhou força com relatos de casos trágicos desde o final de 2017, quando um estudante de 14 anos que seria vítima de bullying abriu fogo contra seus colegas em uma escola em Goiânia. Em abril deste ano, o suicídio de dois estudantes do Colégio Bandeirantes, um dos mais tradicionais de São Paulo, rendeu novos questionamentos sobre o papel das instituições de ensino nesses casos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, entre 2011 e 2015 — últimos dados disponíveis —, a taxa de mortalidade de pessoas de 5 a 19 anos por suicídio foi de 1,7 a cada 100 mil habitantes. Em relação às tentativas de suicídio, o Sistema de Informação de Agravos e Notificação (Sinan) registrou 10.583 casos entre 2011 e 2016 cometidos por pessoas de 10 a 19 anos.

O pai de um estudante brasileiro de 16 anos que cometeu suicídio e pediu para não ser identificado defende maior atenção das escolas, mas diz que é errado eleger um “culpado”.

— A escola tem um papel fundamental, essas crianças passam até seis horas por dia lá dentro. É preciso ter um olhar cuidadoso. Meu filho reclamava de a escola ser puxada, de não olhar para o ser humano e dar sentido às provas que são feitas. Eu acho que isso fez parte do caldeirão de emoções que ele estava sentindo, mas não sei se foi algo definitivo. É um somatório de fatores. Eu tenho a dizer para os pais que prestem mais atenção, mas não tentem imputar isso à escola ou a outro ator. O problema é com o indivíduo .

A gravidade da questão entra aos poucos no radar das instituições de ensino. Pesquisadora da Unesp e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem), que trabalha na prevenção ao bullying e no acolhimento de jovens, Luciene Tognetta afirma que quem mais recorre ao grupo não são as escolas, mas sim os pais de crianças e adolescentes. Criado em 2005, o Gepem treinou 15 instituições no estado de São Paulo, incluindo o Colégio Bandeirantes, para lidar com o apoio a jovens em situação emocional vulnerável.

— Existem casos em que o colégio assume para si uma responsabilidade, que não lhe cabe sozinho, mas que lhe cabe também. Ainda há no Brasil, no entanto, muitas escolas que não sabem o que fazer e optam por negligenciar esse tipo de problema ou silenciá-lo — diz ela.

A voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV) Patrícia Fanteza conta que, desde que os casos de suicídio de estudantes começaram a chamar mais atenção, ao longo do último ano, a procura de escolas por palestras aumentou.

— Muitos colégios perceberam que não podem mais fingir que isso não acontece — comenta. — O que eu mais ouço dos educadores é que eles conseguem ver quando existe algo errado com o aluno, mas não sabem como agir. Em muitos casos, acham a situação pode piorar se tocarem no assunto, então fingem que nada está acontecendo e torcem para que o jovem melhore sozinho. Para cada suicídio que ocorre, estima-se que haja pelo menos 20 tentativas. Não é pouca coisa.

HABILIDADES EMOCIONAIS

Especialista em suicídios e membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (Abeps), Carlos Aragão Neto destaca que, no caso de jovens em idade escolar, os maiores fatores de risco para o suicídio são bullying, ciberbullying e ambiente de extrema pressão acadêmica. Aragão ressalta, porém, que nenhum suicídio é causado por apenas um aspecto.

— A grande característica do suicídio é ser multifatorial. Sem dúvida, o excesso de rigor em um colégio pode ser um fator de risco, e pode até ser um fator que chamamos de precipitante, que é a gota d'água. Mas, quando investigamos a fundo, vemos que houve uma longa história por trás daquele ato final (o suicídio). Nunca é um fator isolado, por isso acho grave apontar o dedo para uma instituição de ensino quando um suicídio acontece.

Mas, afinal, o que as escolas podem fazer? Para ele, é urgente inserir na matriz escolar métodos que desenvolvam habilidades sociais e emocionais, para que as crianças cresçam com mais resiliência para lidar com frustrações.

No Colégio Bandeirantes, após os dois suicídios do primeiro semestre, um grupo de alunos do ensino médio criou espontaneamente um grupo para acolher alunos com dificuldades. Eles participaram de treinamentos oferecidos pelo Gepem e se intitulam Comissão de Apoio Racional e Emocional (Care).

— Com o que aconteceu em abril, tivemos que contratar uma profissional em suicídio para que ela fizesse um trabalho que chama de posvenção, acolhendo os pais. Quanto à prevenção, já havíamos inserido aspectos de desenvolvimento emocional no colégio— conta Estela Zanini, coordenadora do programa do convivência do Colégio Bandeirantes.

Responsável pelo trabalho de posvenção no Bandeirantes, a psicóloga e pós-doutora pelo Instituto de Psicologia da USP, Karina Okajima Fukumitsu, diz que é preciso estabelecer uma relação de confiança entre escola e família:

— Cabe à escola orientar e informar aos pais quando houver uma mudança abrupta de comportamento. É necessário um pacto entre a escola e a família. A família, por sua vez, deve informar a escola caso o jovem tenha transtorno mental ou histórico de tentativas prévias de suicídio. É uma parceria.

Por Paula Ferreira / Clarissa Pains
Fonte: O Globo


OMS classifica vício em videogames como doença.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu nesta segunda-feira (18) a obsessão por videogames como um dos problemas de saúde mental que constam na 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID).

A medida já tinha sido anunciada em janeiro, mas faltava a publicação.

A última revisão do manual de classificação de doenças da OMS descreve a compulsão por jogos eletrônicos como um "padrão de comportamento persistente ou recorrente" podendo se tornar tão intenso que "toma a preferência sobre outros interesses da vida".

A OMS alerta que a classificação de "gaming disorders" poderão ajudar os governos, pais e autoridades de saúde a identificar os riscos. A agência de saúde da ONU afirma, porém, que esses casos são muito raros, atingindo menos de 3% dos gamers.

Em alguns países a condição já era considerada um problema. Muitos, incluindo o Reino Unido, têm clínicas autorizadas a tratar o distúrbio.

Segundo Shekhar Saxena, diretor do departamento de doenças mentais e abusos de substâncias da OMS, a nova classificação se baseia em evidência científica, alertando para a "necessidade e demanda de tratamento em muitas partes do mundo", de acordo com entrevista à agencia DW.

Mark Griffiths, pesquisador da Universidade Nottingham Trent, que estuda há 30 anos a obsessão por vídeo games, acredita que a nova classificação deva ajudar a legitimar o problema e reforçar as estratégias de tratamento.

"Do ponto de vista psicológico, os vídeos games são um tipo de aposta não financeira. (...) Os apostadores usam o dinheiro como forma de manter um placar, enquanto os gamers usam os pontos." - Mark Griffiths

Na opinião de Mark Griffiths, a porcentagem de gamers com problema de compulsão seria de menos de 1%.

O manual Classificação Internacional de Doenças (ICD, na sigla em inglês), que vem sendo atualizado nos últimos dez anos, inclui 55 mil doenças, lesões e causas de morte. A publicação serve de plataforma para a OMS e outros especialistas registrarem e reagirem a tendências na saúde.

Em entrevista ao Jornal Nacional, o psiquiatra Cirilo Tissot diz que a decisão de incluir o vício em games como transtorno vai ajudar os médicos a fazer essa diferença. Ele explica: há uma predisposição genética na maioria dos casos e sinais que servem de alerta.

“Quando eu começo a deixar de fazer outras obrigações, ir na escola, estudar, frequentar relacionamentos sociais, de amigos, quando eu começo a fazer isso em função de jogo, esse é principal sintoma de que a pessoa está viciada, está compulsiva nessa atividade.” - Cirilo Tissot, psiquiatra

A dependência em games, assim como em outras atividades, tem uma explicação, uma reação bioquímica dentro do nosso cérebro: ele libera um neurotransmissor chamado dopamina, que dá uma sensação de prazer, euforia, recompensa. Quem se vicia, não consegue viver sem essa descarga de dopamina. Sempre quer mais e joga mais.

Vicio em jogos eletrônicos é caso de saúde pública em muitos países.

Fonte: G1


Assista ao video do Dia da Consciência sobre a Esquizofrenia no Rio de Janeiro.

Com o mote "Mais Amor, Menos Estigma" um grupo de pacientes e familiares que formam uma rede comunitária de apoio às pessoas que convivem com transtorno mental severo na cidade do Rio de Janeiro decidiu pela primeira vez organizar um dia pela Consciência da Esquizofrenia, seguindo a tradição de outros países que já marcam a data de 24 de maio para levar a informação correta à sociedade e, assim, combater o preconceito.

O local escolhido foi a Quinta da Boa Vista, onde ocorreram apresentações musicais, roda de conversa sobre a doença, depoimentos de pessoas que se recuperaram e um varal com frases e personalidades importantes no campo da saúde mental, como Nise da Silveira, Philippe Pinel e Franco Basaglia.

O vídeo com depoimentos de familiares e pacientes no dia do evento quer chamar a atenção para a importância da informação no combate ao estigma e ao preconceito, principais barreiras para que as famílias e as pessoas com esquizofrenia procurem ajuda e tratamento.

O tratamento precoce e fazer parte de sua comunidade, constituindo uma rede de apoio e solidariedade, são as principais armas para a recuperação e o bem estar. Procure um grupo de apoio na sua cidade, onde você encontrará pessoas que são exemplos de fé, esperança, força, atitude e superação.

Assista ao vídeo!