Invega Sustenna


Invega Sustenna é um medicamento injetável da classe dos antipsicóticos de segunda geração para uso mensal, inicialmente desenvolvido para o tratamento das psicoses, como esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo. É um recurso útil no tratamento de pacientes que não aderem ao tratamento com medicação oral, que apresentam formas mais graves de psicose ou que abusam de substâncias psicoativas, como álcool e/ou drogas ilícitas.

Pesquisas demonstram que a falta de adesão ao tratamento ocorre em 75% dos casos de psicose nos primeiros dois anos após o diagnóstico inicial e isso está diretamente relacionado a maior gravidade do quadro, maiores taxas de internação e de resistência farmacológica (ausência de resposta à medicação).

Invega Sustenna é a paliperidona (Invega) associada ao ácido palmítico (palmitato) através de uma técnica de fusão de moléculas denominada nanocristais, que permite a liberação homogênea do princípio ativo (paliperidona) na corrente sanguínea ao longo de 30 dias. Isso explica porque a medicação costuma ser mais bem tolerada do que a medicação oral (pois não possui picos e vales no sangue associados à absorção oral) e porque ela é mais eficaz nas formas graves de psicose (pois a distribuição do princípio ativo é mais homogênea e não se perde a medicação na primeira passagem pelo fígado – o que necessariamente ocorre com todos os medicamentos orais).

Existem formas de psicose que estão associadas a uma hipersensibilidade à dopamina (principal neurotransmissor afetado nesses casos) e alguns pacientes são mais sensíveis às variações neuroquímicas que os medicamentos orais provocam por sua maior instabilidade em atingir níveis constantes do princípio ativo na corrente sanguínea.

Esquema de iniciação

O Invega Sustenna deve ser iniciado, de acordo com o laboratório que o desenvolveu, Janssen-Cilag, da seguinte forma:

Primeiro dia – 1 ampola IM de 150mg no braço (músculo deltoide)

Oitavo dia – 1 ampola IM de 100mg no braço (músculo deltoide)

Trinta dias depois da segunda dose – 1 ampola IM na dose de manutenção, que pode variar de 50 a 150mg de acordo com cada caso. Esta injeção pode ser aplicada no braço (deltóide) ou na nádega (glúteo).

O esquema de iniciação recomendado pelo laboratório deve ser respeitado, pois é através dele que a medicação se acumula no organismo para, ao final de 30 dias, atingir os níveis séricos adequados para o tratamento. Com a primeira injeção de 150mg, atinge-se ao final de 1 semana uma dose equivalente a 6mg/d de Invega oral, com a segunda injeção de 100mg alcança-se a dose equivalente a 12mg/d de Invega oral. Esses níveis, entretanto, vão reduzindo com o passar dos dias para receber a terceira ampola trinta dias depois da segunda e, então, estabilizar a dose sanguínea de acordo com a dosagem de manutenção pretendida:

Ampola de 150mg – equivalente a 12mg/d de Invega oral
Ampola de 100mg – equivalente a 9mg/d de Invega oral
Ampola de 75mg – equivalente a 6mg/d de Invega oral
Ampola de 50mg – equivalente a 3mg/d de Invega oral

Caso o esquema inicial proposto não seja respeitado, corre-se o risco de não atingir a estabilidade de dose na fase de manutenção, pois diferentemente dos antipsicóticos de depósito convencionais (tipo haldol decanoato), o Invega Sustenna não se acumula muito tempo no organismo. Para se ter uma ideia, mais de uma semana de atraso na injeção de manutenção já é suficiente para reduzir o medicamento a níveis preocupantes em que podem haver recaídas, portanto, atrasos máximos de 1 semana são permitidos, porém não aconselháveis. Caso este período se exceda, será necessário repetir o esquema de iniciação para novamente atingir a estabilidade na dosagem sanguínea.

O esquema de iniciação serve como uma “dose de ataque” para alcançar um nível mínimo de medicação no sangue que permita, a partir da terceira dose (primeira de manutenção), que os níveis séricos sejam constantes mesmo tomando uma injeção mensal.

Uma vantagem do Invega Sustenna, e que o diferencia das demais medicações de depósito, é que por sua tecnologia de liberação ele tem efeito a partir do segundo dia da injeção, sendo indicado para as situações de crise. Geralmente é possível já observar um início de melhora uma semana após a primeira injeção e ,normalmente após 20 a 30 dias, já é possível observar uma melhora significativa dos sintomas psicóticos.

Principais efeitos colaterais

O Invega Sustenna costuma ser bem tolerado, mas alguns efeitos colaterais transitórios podem ocorrer de acordo com cada etapa do tratamento:

Após a primeira injeção de 150mg – a maioria dos pacientes não sente nenhum efeito significativo, mas pode ocorrer maior sonolência, geralmente após o segundo dia da injeção.

Após a segunda injeção de 100mg – cerca de metade dos pacientes pode se queixar de uma ansiedade, geralmente uma necessidade de andar ou de se movimentar mais, pode ter dificuldade de ficar muito tempo sentado ou de se concentrar em algo em que precise ficar parado muito tempo, como assistir a um filme ou ler um livro. Este efeito costuma desaparecer no segundo mês de tratamento, a medida que o organismo vai se acostumando com o medicamento. O médico pode prescrever algum ansiolítico para tornar este sintoma mais brando; se ocorreu sonolência na primeira fase, nesta fase a sonolência pode aumentar, mas também tende a reduzir depois do segundo mês; pode ocorrer um aumento dos níveis de prolactina (hormônio produzido pela hipófise e que aumenta devido ao bloqueio dos receptores de dopamina – efeito da medicação), efeito esse que já é esperado, alguns pacientes apresentam um aumento mais significativo, mas normalmente isso só pode ser melhor avaliado após o segundo mês.

Após a terceira injeção (início da fase de manutenção) – este será o melhor momento para avaliar os níveis de prolactina. Se ele estiver muito elevado, pode ser necessária uma avaliação com endocrinologista para prescrever um medicamento que reduza os níveis de prolactina. Níveis elevados de prolactina podem provocar, nos homens, ganho de peso e disfunção sexual, e nas mulheres, além desses podem ocorrer alterações menstruais, intumescimento das mamas e, raramente, secreção leitosa. Esta não chega a ser uma contraindicação à medicação, já que existe uma forma de detecção precoce através do exame de sangue e a prevenção através do acompanhamento endocrinológico.

Uso em outros transtornos psiquiátricos

O Invega Sustenna ainda não tem indicação em bula para outros transtornos mentais, porém os antipsicóticos de segunda geração têm sido utilizados no tratamento do transtorno bipolar (TBH), alguns com liberação pelo FDA (órgão norte-americano) e pelo Ministério da Saúde do Brasil. Essa deve ser uma consequência natural do Invega Sustenna, já que é a única opção de antipsicótico de segunda geração injetável de uso mensal. Sabe-se que o problema de adesão não afeta exclusivamente a esquizofrenia, sendo também muito comum no TBH.

A paliperidona (Invega) já vem sendo utilizada de forma off-label no tratamento do transtorno bipolar, principalmente nos quadros de mania e nos estados mistos (depressão agitada, hipomania depressiva).
O esquema de iniciação e a dose de manutenção seguem os mesmos princípios da indicação para a esquizofrenia.

Dúvidas mais comuns

É possível conseguir a injeção pelo plano de saúde?

Sim, alguns pacientes conseguiram que seu plano de saúde cobrisse a medicação. Segundo a ANS, através do Rol 211 e 262, é obrigatória a cobertura de hospital-dia e medicação injetável que se fizer necessária neste ambiente para pacientes portadores de esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo e transtorno bipolar. O médico-assistente deve fazer um laudo indicando o tratamento em hospital-dia e a medicação para que o paciente solicite a cobertura ao plano. Este procedimento tem sido, via de regra, negado pelas seguradoras, mas alguns pacientes tem conseguido a autorização após recorrer à ANS. Para isso é necessário apresentar à ANS o laudo médico junto à negativa do plano por escrito. Caso a ANS não consiga dar uma solução, o paciente pode recorrer à justiça. Para mais informações, acesse http://leonardopalmeira.com.br/?page_id=1171

As primeiras injeções precisam ser no braço?

Sim, pois a absorção é melhor no braço do que na nádega. Como no início do tratamento muitas vezes se quer um efeito rápido da medicação, a aplicação no músculo deltoide acelera o efeito.
Por que existem duas agulhas no kit da injeção, uma de cor azul e outra de cor preta?
A agulha de cor azul é para ser utilizada somente no braço de pacientes com 90 kg ou menos. Na nádega ou se o paciente tiver mais de 90kg deve-se sempre utilizar a agulha de cor preta.

Qualquer enfermeiro pode aplicar a injeção?

Muitos enfermeiros não conhecem a medicação. É preciso ter alguns cuidados: agitar a seringa com o conteúdo por 30 segundos antes de aplicar; utilizar a agulha de cor apropriada (azul se for no braço de alguém com menos de 90kg; preta se for na nádega – independente do peso do paciente – ou no braço de alguém com mais de 90kg) ; não pressionar o êmbolo para retirar o ar, pois irá desperdiçar parte da medicação (a agulha já vem pronta para aplicação, basta agitar); aplicar no músculo deltoide as duas primeiras injeções (início do tratamento), da terceira em diante (fase de manutenção) pode ser no braço ou na nádega; pressionar depois a região com algodão.

O que fazer se o paciente se recusar a tomar a injeção?

Existe um serviço de enfermagem que pode ir até a residência do paciente e aplicar a injeção.
Equipe de enfermeiros especializados:
Enf. Célio – 7869-6062/9667-5417
Enf. Maurício – 99708-3598/7869-6061
Enf. Anselmo – 99837-4836

Qual a margem de tolerância de atraso na tomada da injeção?

Até uma semana para as doses de manutenção (mensais) e até dois dias para as duas primeiras injeções.

O Invega Sustenna é comercializado pelo laboratório Janssen-Cilag, do grupo Johnson&Johnson, nas apresentações de 50, 75, 100 e 150mg, cada caixa com uma ampola.

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