Lamotrigina (Lamictal).


Lamotrigina é uma droga anticonvulsivante usada no tratamento da epilepsia e do transtorno bipolar. Ela também é utilizada no tratamento adjuvante da depressão graças aos seus efeitos antidepressivos observados em casos clínicos. Em 2003 ela ganhou aprovação do órgão americano que regula os medicamentos nos EUA (FDA) para tratamento de manutenção do transtorno bipolar e da depressão bipolar, comparável ao lítio.

Ela age nos canais de sódio dos neurônios, estabilizando a membrana e facilitando a transmissão do impulso nervoso, reduzindo a liberação de neuroaminas excitatórias como glutamato e aspartato. Ela é uma opção interessante para o tratamento de estados hiperexcitatórios cerebrais (que cursam com aumento de glutamato), presentes na esquizofrenia, no transtorno bipolar, na depressão, na epilepsia e em lesões ou traumas do SNC (o excesso de glutamato estimula a atividade dos astrócitos e a formação de glioses, cicatrizes do tecido cerebral).

Além do efeito regulador de humor e antidepressivo na depressão bipolar, estudos mais recentes têm investigado a eficácia da lamotrigina na depressão unipolar. Os resultados demonstram que a lamotrigina é uma opção de tratamento para depressões de início recente ou para depressões resistentes (que não responderam bem a antidepressivos) e também para quadros depressivos associados a ansiedade e/ou dor crônica.

Os efeitos clínicos da lamotrigina costumam aparecer entre duas e seis semanas de tratamento, nas doses entre 50 e 100mg por dia. O paciente percebe um aumento da disposição, redução do cansaço e da sonolência diurna, redução da tristeza, da angústia/ ansiedade e da irritabilidade, melhora do ciclo sono-vigília, melhora da concentração e da memória (quando afetada pelo transtorno).

A lamotrigina costuma ser muito bem tolerada, tem poucos efeitos sedativos e não provoca efeitos gastrointestinais, como náuseas e diarreia. Alguns pacientes podem queixar-se de dores de cabeça, aumento da ansiedade ou da irritabilidade, tremores, falha na coordenação motora e esquecimentos, mas geralmente esses efeitos são brandos ou cessam com o tempo do tratamento ou redução da dosagem.

O maior risco da lamotrigina é o rash cutâneo (manchas vermelhas na pele que coçam), muito raro (frequência de 0,08% dos pacientes que usam a medicação), mas que pode ocorrer no início do tratamento, na fase de aumento de doses. Por isso que o aumento da lamotrigina deve ser feito a cada 2 semanas.

A dose terapêutica da lamotrigina é em geral entre 100 e 200mg por dia, podendo haver resposta com doses menores ou maiores e o tempo de uso para o transtorno de humor é entre 1 e 2 anos, podendo ser utilizada por tempo indeterminado dependendo das características de cada caso.

Lamotrigina é fabricada e comercializada pelo laboratório GlaxoSmithKline com o nome de Lamictal nas seguintes apresentações:
Comprimidos orais de 25, 50 e 100mg.

Comprimidos dispersíveis (Lamictal dispersível) de 25, 50, 100 e 200mg.

Não existe diferença de eficácia entre o comprimido oral e o dispersível, muda apenas a tecnologia do comprimido.

Genéricos ou similares deste medicamento podem ter diferenças em relação ao original (Lamictal, laboratório Glaxo), o que pode comprometer a eficácia e a tolerabilidade.

Abaixo alguns links interessantes sobre a medicação:
FDA – http://www.fda.gov/downloads/AdvisoryCommittees/CommitteesMeetingMaterials/PediatricAdvisoryCommittee/UCM234474.pdf
História da descoberta da lamotrigina – http://jpk.cdxinli.com/0804ck/sdarticle.pdf
Estudo da lamotrigina na depressão unipolar – http://ukpmc.ac.uk/abstract/MED/12197456

Compartilhe: