Metilfolato pode melhorar a resposta ao tratamento na depressão, bipolaridade e esquizofrenia.


Estudos vem demonstrando uma conexão entre a deficiência de folato e distúrbios psiquiátricos, particularmente depressão. Os níveis de folato estão inversamente relacionados à gravidade e duração de episódios depressivos, além de pacientes com a deficiência responderem mal ao tratamento com medicamentos.

Folato é um tipo de vitamina B encontrado em alimentos na forma natural de dihidrofolato e em vitaminas e suplementos na forma sintética como ácido fólico. Dihidrofolato e ácido fólico são metabolizados, quando ingeridos, para uma forma ativa, única capaz de cruzar a barreira hematoencefálica e chegar ao cérebro: L-metilfolato. O L-metilfolato é um cofator importante na produção de monoaminas, como serotonina, dopamina, norepinefrina e glutamato, substâncias que estão envolvidas na regulação do humor e nos mecanismos de ação dos antidepressivos. A sua biodisponibilidade é alta se comparada ao ácido fólico.

Acredita-se que até 70% dos pacientes deprimidos tenham uma variação genética da enzima que converte o folato da dieta ou o ácido fólico sintético em L-metilfolato (conhecida pela sigla MTHFR), apresentando carência de L-metilfolato mesmo com níveis séricos normais de ácido fólico. Para esses pacientes a suplementação oral de L-metilfolato pode melhorar a resposta a antidepressivos.

Alguns estudos demonstraram que a associação de 7,5 a 15mg diário de L-metilfolato ao tratamento melhorou de forma significativa a recuperação social e clínica da depressão em alguns pacientes. Um estudo recente mostrou que pacientes com depressão bipolar também se beneficiaram da suplementação de L-metilfolato, com até 60% dos pacientes melhorando 50% e 40% dos pacientes apresentando remissão da depressão.

Em um estudo com 55 pacientes com esquizofrenia divididos em dois grupos, um que recebeu placebo e outro que recebeu L-metilfolato, mostrou que os pacientes que receberam a suplementação demonstraram melhora de sintomas negativos e aumento do volume cortical na região do córtex órbito-frontal medial.

A atividade da enzima MTHFR pode ser hoje avaliada através da maioria dos testes de farmacogenética (leia mais sobre o teste), que testam os alelos da enzima no DNA, identificando os indivíduos que possuam baixa atividade enzimática. Essas pessoas podem se beneficiar da suplementação oral de L-metilfolato como complemento ao tratamento com medicamentos.

Ainda são necessários mais estudos, particularmente estudos controlados em diferentes doenças, como depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia, para que se conheça melhor os benefícios do L-metilfolato nos distúrbios psiquiátricos.

Referências:
Shelton RC, Sloan Manning J, Barrentine LW, Tipa EV. Assessing Effects of l-Methylfolate in Depression Management: Results of a Real-World Patient Experience Trial. Prim Care Companion CNS Disord. 2013;15(4):PCC.13m01520.

Andrew A. Nierenberg, Rebecca Montana, Gustavo Kinrys, Thilo Deckersbach, Steven Dufour, Ji Hyun Baek, L-Methylfolate For Bipolar I depressive episodes: An open trial proof-of-concept registry, Journal of Affective Disorders, Volume 207, 2017,Pages 429-433.

Roffman JL, Petruzzi LJ, Tanner AS, et al. Biochemical, physiological and clinical effects of l-methylfolate in schizophrenia: a randomized controlled trial. Mol Psychiatry. 2017;23(2):316-322.

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