Sinais que devem servir de alerta para o risco de suicídio.


O suicídio é mais comum em jovens e depois na meia idade. Em jovens está quase sempre associado a transtornos psiquiátricos não diagnosticados ou não tratados ou a características de personalidade em que o indivíduo não possui recursos emocionais para lidar com as perdas ou com a sobrecarga emocional e acaba agindo impulsivamente e pondo fim precocemente à vida.

Na meia vida entram em jogo outros fatores ambientais, como perdas, endividamento, desemprego, mas a saúde mental muitas vezes é negligenciada.

Uma coisa importante: o tratamento psiquiátrico previne o suicídio! Afirmo isso, pois existem estudos com medicamentos capazes de proteger o paciente dessas ideias e, na prática, vemos muitos pacientes melhorando das ideias de suicídio quando começam a se tratar. Este efeito ocorre já no início do tratamento, antes mesmo que o paciente se recupere plenamente do transtorno mental, o que sabemos pode demorar um pouco mais.

Existem alguns sinais que devem servir de alerta e os pais não devem temer abordar o assunto abertamente, pois muitas vezes essas pessoas precisam e querem muito ajuda, mas ao mesmo tempo têm muito medo e preconceito. Para elas, saber que para as ideias de suicídio existe tratamento é um alento.

– distanciamento emocional e social (começa a ir mal na escola, desinteressa pelas atividades corriqueiras, pelos amigos ou pela família);
– reações extremadas de raiva, seja dirigida a terceiros ou a si próprio (auto-mutilação, ferir-se mesmo que de forma aparentemente despropositada);
– conflitos existenciais;
– bullying;
– interesse crescente por temas que envolvem violência, armas de fogo e morte (muitos procuram na internet por meios de se matar);
– ser displicente ou inconsequente com sua integridade física e segurança;
– sinais frequentes de alterações de humor: depressão, ansiedade, irritabilidade;
– distanciamento da realidade, avaliações deturpadas de eventos que ocorreram (p.ex. ideias de perseguição ou de culpa demasiada por algo que aparentemente não foi culpado).

Esses sinais servem de alerta para a necessidade de uma avaliação médica, não são específicos ou significam a eminência de uma tentativa de suicídio. O psiquiatra irá avaliar o paciente e seu contexto sócio-familiar para um diagnóstico mais assertivo do caso. O objetivo é que pais e educadores possam ter um papel preventivo na procura de tratamento o quanto antes, pois o suicídio muitas vezes é uma complicação de um transtorno mental não tratado a tempo.

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