Transtorno Bipolar começa geralmente na adolescência.

O que muitos pais podem achar que é apenas uma fase da adolescência, na verdade, pode indicar sinais de um transtorno. Uma pesquisa desenvolvida no Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos sugere que os primeiros sinais de bipolaridade aparecem na adolescência e não a partir dos 20 anos, como se pensava. O estudo foi divulgado na publicação Archives of General Psychiatry.

Os principais sintomas de transtorno bipolar são episódios de mania e depressão que se alternam entre si. Para mensurar a taxa de incidência desses sintomas nos jovens, os pesquisadores fizeram perguntas sobre humor e comportamento a mais de 10.000 adolescentes, com idades entre 13 e 18 anos.

A equipe de pesquisa descobriu que 2,5% desses jovens tiveram episódios de mania e depressão nos últimos 12 meses. Além disso, 1,3% das crianças apresentaram apenas mania e 5,7%, apenas depressão. Todos os participantes que apresentaram sintomas preencheram os critérios para o diagnóstico da doença, de acordo com um manual de psiquiatria.

Os transtornos de humor eram mais comuns conforme os jovens ficavam mais velhos. De acordo com a pesquisa, 1,4% das crianças com 13 e 14 anos preencheram os critérios para mania, enquanto quase o dobro dos adolescentes de 17 e 18 apresentou o transtorno. Para os autores, as taxas de transtornos de humor encontradas entre os adolescentes estão próximas ao que é visto em adultos, confirmando a tese de que os sintomas aparecem na juventude. Os especialistas acreditam que isso pode ajudar em diagnóstico e tratamento mais eficazes.

Diferenças entre crianças e adultos

Na maioria dos adultos as manifestações clínicas são clássicas, o humor oscila de um extremo ao outro, da alegria incontrolável e raciocínio veloz à depressão e apatia. No caso das crianças, não é comum ocorrer essa gangorra emocional. “A doença se apresenta por meio de uma conjunção de sintomas menos específicos, como impulsividade, irritabilidade, dispersão, agitação e acessos de raiva”, diz Evelyn Vinocur.

Diagnóstico – Por causa dos sintomas pouco específicos, é recorrente que a criança bipolar seja diagnosticada com outros males, como o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). “É muito pesado para os pais levantarem a hipótese do transtorno, o que contribui para um desconhecimento dos sintomas e um atraso muito grande no diagnóstico e tratamento”, explica a psicoterapeuta Evelyn. Por isso, o Transtorno Bipolar do Humor na Infância e Adolescência é uma condição que precisa ser muito divulgada.

Fonte: Tribuna da Bahia

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Artigo de revisão sobre o tema Depressão e Doença Bipolar na Infância e Adolescência

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Autor: Dr. Leonardo Palmeira

Psiquiatra pela faculdade de medicina da UFRJ com especialização e pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto Philippe Pinel, Rio de Janeiro. Membro Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (Schizophrenia International Research Society) desde 2005. Autor do livro "Entendendo a Esquizofrenia.

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2 Comentários

  1. Oi Dr. boa noite ! Gostaria de tirar uma dúvida se possível . Tenho uma filha de 15 anos que foi diagnosticada com autismo leve. Ela esta sendo tratada com neurologista por alguns meses . Minha filha tem problemas na parte de socialização . Não consegue se aproximar das pessoas com medo de alguém lhe fazer mal. As vezes fala coisas sem sentido e fica muito nervosa quando contrariada . Tenho notado que ela vem piorando agora na adolescência . As vezes fica agressiva . Não quer fazer mais nada .Deixou de ir na escola e abandonou as atividades físicas e agora só quer ficar trancada no seu quarto escuro. Já fiz de tudo para mudar esse quadro em que ela se encontra .Ela estava fazendo uso de risperidona ha alguns anos e teve que parar porque a sua prolactina foi a 133 . Agora o neuro passou para ela tomar olanzapina 5mg. Estou na duvida de dar para ela devido a sua idade . Gostaria muito de saber a sua opinião sobre essa medicação. Desde já agradeço !

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    • Dulcineia, a Olanzapina é um antipsicótico de segunda geração, assim como a Risperidona, embora o perfil de ação e de efeitos adversos seja um tanto diferente. Não tenho como dizer se a Olanzapina seria o mais adequado à sua filha, pois não a examinei. Sugiro que converse melhor com o neurologista e pergunte a ele quais as diferenças entre os dois tratamentos no caso de sua filha e porque ele optou pela olanzapina em relação a outros antipsicóticos de segunda geração. Um abraço!

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