Entrevista do Dr. Leonardo Palmeira no Programa Ligado em Saúde sobre Recuperação de um Transtorno Mental.
O psiquiatra Leonardo Palmeira fala sobre o novo conceito de recuperação, o de recuperação pessoal, que parte da perspectiva do paciente e inclui uma visão mais otimista e esperançosa dos transtornos mentais, como esquizofrenia e transtorno bipolar, o que hoje é considerado essencial para a recuperação.
Ele enfatiza que é importante que pacientes e familiares compreendam melhor a doença, aceitem melhor suas vulnerabilidades e se engajem num processo que envolve a capacitação para enfrentamento do problema, aumento da resiliência através de terapias e grupos de suporte e, finalmente, o empoderamento, encarando que é fundamental que pessoas envolvidas tomem para si o desafio de se recuperarem.
Pessoas mais empoderadas têm maior chance de aderir ao tratamento, de buscar uma vida mais saudável, de fazer melhores escolhas sociais e de ter atividades sociais e ocupacionais mais significativas. Tratamentos médicos e psicossociais precisam incorporar este novo conceito para se abrirem mais para a opinião dos pacientes e dos seus familiares, compartilhando as decisões, compreendendo melhor os objetivos do paciente e trabalhando mais em pareceria para conquistar os objetivos traçados por eles.
Programa Ligado em Saúde
TV Canal Saúde, Fiocruz, 27/06/16
Apresentação: Marcela Morato
Treinamento cognitivo para pessoas com esquizofrenia.
O Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB), através do Programa Academia do Cérebro, está realizando um estudo sobre treinamento cognitivo em pacientes com esquizofrenia.
Os pesquisadores estão recrutando pacientes com diagnóstico de esquizofrenia para participarem de um treinamento cognitivo de 40 horas (sessões de uma hora cada), que pode ser realizado no IPUB ou na casa do paciente através de um computador com acesso à internet.
O paciente será avaliado antes, durante e após o treinamento para conhecer melhor sua cognição, seus sintomas e sua qualidade de vida, além de alguns parâmetros laboratoriais.
O objetivo é avaliar um método de treinamento cognitivo que ajude o paciente a melhorar problemas de memória, concentração e aprendizado, que tanto interferem nas atividades produtivas dos pacientes.
A participação é totalmente voluntária e gratuita. Maiores informações pelo telefone (21) 3938-5588 ou pelo e-mail neuroufrj@gmail.com
Estudos abordam o significado da recuperação pessoal (“recovery”) na esquizofrenia.
Recuperação pessoal (do inglês, “recovery”) é um conceito que vem sendo difundido no mundo todo e aplicado pela maioria dos países desenvolvidos na estruturação dos seus serviços de saúde mental.
Um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia em abril deste ano, em Florença, por pesquisadores da Universidade de Dublin comparou pacientes em recuperação com pacientes não recuperados depois de 20 anos do primeiro episódio psicótico e concluiu, depois de entrevistas semi-estruturadas de 45 a 90 minutos de duração, que a recuperação pessoal pode ser definida como um processo de gradativa maturação no qual o tempo, o empoderamento e a autoria pessoal (self-agency) do paciente interagem entre si, permitindo que a pessoa aprenda sobre si mesma, sobre sua doença e sobre sua vida. A personalidade do indivíduo parece interagir com o ambiente de forma a aumentar a sua resiliência, que, finalmente, influencia positivamente todo o processo de recuperação pessoal (O’Keeffe et al: A Provisional Qualitative Analysis of the Meaning of and Influences on Recovery According to People Diagnosed with a First Episode Psychosis 20 Years Ago and Their Family members/partners, SIRS 2016).
Componentes da recuperação pessoal (recovery)
Capacitação e auto-gerenciamento
- Identificar indicadores de melhora
- Procurar ajuda/suporte
- Manejar o estresse
Motivação para engajar-se na vida
- Esperança
- Propósito e significado
- Estrutura e equilíbrio
Empoderamento e autoria pessoal (self-agency)
- Compreender a doença
- Outras auto-percepções (perceber-se a si mesmo)
- Controle da doença e da vida
Perceber os benefícios do trabalho de recuperação pessoal
- Relacionamentos recíprocos
- Recuperação clínica
- Liberdade e independência
Diferenças entre pessoas recuperadas e não recuperadas
O mesmo grupo de pesquisadores apresentou outro trabalho, de metanálise, revisando os conceitos de recuperação pessoal de 12 estudos, chegando aos fatores que apoiam ou inibem a recuperação pessoal em diferentes esferas, como pessoal, familiar, do serviço de saúde mental e da sociedade como um todo.
(O’Keeffe et al: A Systematic Review and Meta-Synthesis of Service Users’ Perceptions of the Meaning of and Influences on Recovery in Psychosis, SIRS 2016).
A recuperação pessoal é um processo que depende da busca ativa por parte do paciente, auxiliado pelo seu tratamento, pelas pessoas que o cercam, pelas atividades que lhe dão prazer, sabendo viver um dia de cada vez, com seus diferentes desafios, sem perder a perspectiva de longo prazo e tendo como horizonte seus objetivos que o levarão a uma vida plena e significativa.
A recuperação precisa ser construída e referendada no dia-a-dia, nas suas atitudes, crenças, nas escolhas e decisões, mesmo em relação às atividades corriqueiras da vida. O paciente precisa buscar um sentimento de poder e auto-determinação, acreditar e ter esperança na sua recuperação e num futuro melhor, esses serão os alicerces para que ele tome as decisões corretas voltadas ao seu bem estar e ao desenvolvimento das habilidades de enfrentamento da doença, que lhe serão muito úteis para superar os obstáculos que ainda estão por vir. Esse é um processo lento e gradual, porém acumulativo, de aprendizado, amadurecimento e auto-conhecimento, que podem ajudá-lo a sair definitivamente de um estado de maior vulnerabilidade para um estado de resiliência e fortalecimento.
Programa Sem Censura - 19 de Abril de 2016.
Dr. Leonardo Palmeira fala da importância dos tratamentos psicossociais e das possibilidades de cada paciente dentro de um novo paradigma, a recuperação pessoal, em que o paciente se torna mais consciente, desenvolve a sua auto-crítica, sua resiliência e se empodera para ser capaz de planejar sua vida e tomar as decisões necessárias para se recuperar. Ele cita a psicoeducação de família, através de seminários e grupos de auto-ajuda, a psicoterapia individual e o apoio ao trabalho e ao estudo como terapias chaves nesse processo. O psiquiatra fala também do trabalho que desenvolve no Instituto de Psiquiatria da UFRJ e dos grupos comunitários que foram criados a partir do Programa de Psicoeducação e que hoje oferecem uma rede de suporte gratuita em bairros do Rio de Janeiro de forma autônoma e independente. O trabalho foi apresentado neste mês no congresso mundial sobre esquizofrenia em Florença.
O cineasta, diretor do filme a ser lançado nesta semana sobre a vida da Nise da Silveira, Roberto Berliner conta a história da psiquiatra e como foi passar dois meses no hospital do Engenho de Dentro convivendo com os pacientes e filmando o longa-metragem.
Programa Sem Censura
TV Brasil, 19/04/16
Apresentação: Leda Nagle
Curso de capacitação para cuidadores em saúde mental.
Estão abertas inscrições para um curso de capacitação de cuidadores em saúde mental organizado pela colega Fortunée Nigri, profissional séria e bastante qualificada. É uma oportunidade para aqueles que possuem cuidadores prestando serviços a algum familiar de encaminhá-los para se aperfeiçoarem e adquirirem mais conhecimento na área. A profissão de cuidador em saúde mental requer, além de sensibilidade e aptidão, noções básicas de saúde mental, psicologia, terapia ocupacional e capacidade de escuta e reflexão de suas práticas. A atitude de um cuidador tem reflexos diretos na saúde mental e física do paciente. Portanto, não percam essa oportunidade!
Chega ao Brasil a Vortioxetina, primeiro antidepressivo multimodal para o tratamento da depressão.
Comercializado nos EUA e Europa desde 2014, a Vortioxetina chega ao Brasil esta semana com o nome de fantasia Brintellix, comercializado pelo laboratório dinamarquês Lundbeck.
Todos sabemos que os estados depressivos cursam com uma redução da serotonina cerebral e que antidepressivos ajudam a regular os níveis de serotonina. Mas o que nem todos sabem é que outros neurotransmissores podem ser igualmente importantes na depressão e que somente aumentar os níveis de serotonina no cérebro pode não ser suficiente para a remissão de todos os sintomas depressivos.
Entre os antidepressivos mais modernos estão aqueles que agem sobre dois sistemas de neurotransmissão ao mesmo tempo, a serotonina e a noradrenalina. São conhecidos como duais e costumam ser mais eficazes do que os que agem somente no sistema da serotonina.
Desde setembro de 2013 o FDA, órgão máximo nos EUA para a regulação de medicamentos, aprovou a Vortioxetina, medicamento com um mecanismo de ação totalmente inovador, para o tratamento da depressão. Essa substância possui ação diferenciada em receptores de serotonina, agindo como inibidor, antagonista, agonista ou agonista parcial em diferentes subtipos de receptores (veja a figura). Essa ação diferenciada permite que ele tenha ação modulatória indireta em diversos sistemas de neurotransmissão, como serotonina, noradrenalina, dopamina, GABA, histamina e acetilcolina, agindo em diferentes sistemas de neurotransmissão.

Os estudos com a Vortioxetina mostram eficácia em diferentes sintomas depressivos e ansiosos, melhorando a função cognitiva, como memória, aprendizado e função executiva, sendo melhor tolerado do que os seus antecessores, sem efeitos indesejáveis sobre o peso e a função sexual e mais fácil de interromper, por não causar sintomas de descontinuação.
Um estudo duplo-cego realizado com pacientes deprimidos na Ásia no ano passado comparou a Vortioxetina com a Venlafaxina (antidepressivo dual) e verificou que a Vortioxetina foi tão eficaz quanto à Venlafaxina no tratamento da depressão, sendo que os pacientes interromperam menos o tratamento com a Vortioxetina, devido à menor incidência de efeitos colaterais (Fonte: http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1185/03007995.2015.1014028). Porém são necessários mais estudos comparativos com outros antidepressivos para comprovação da superioridade quanto à eficácia clínica.
Comercializado nos EUA e Europa desde 2014, a Vortioxetina chega ao Brasil esta semana com o nome de fantasia Berintellix, comercializado pelo laboratório dinamarquês Lundbeck.
Falha imunológica pode ser uma das causas da esquizofrenia.
Cientistas americanos descobriram que o risco de esquizofrenia nos jovens está ligado a um determinado gene do sistema imunológico que controla o processo conhecido como "poda sináptica", a redução de células de conexão cerebral que não são mais necessárias ao corpo. Publicada na última quarta-feira (27) no periódico Nature, o estudo foi recebido como um importante marco no desenvolvimento de métodos para o diagnóstico precoce da doença e novos tratamentos.
Realizada por neurocientistas e geneticistas de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a pesquisa analisou 29.000 casos de esquizofrenia, 36.000 pessoas sem a doença e 700 cérebros de pacientes que morreram em decorrência da esquizofrenia. Eles colheram informações de cerca de 22 países do globo e identificaram, durante a pesquisa, o papel decisivo do gene C4 (ou componente complementar 4).
Localizado no cromossomo 6, o gene C4 sinaliza quais sinapses - conexões cerebrais que transmitem dados de um neurônio a outro - devem ser eliminadas durante o processo normal de "poda sináptica". O que os pesquisadores perceberam foi que, em pacientes com esquizofrenia, uma única variação do C4 na sequência do DNA pode levar à eliminação de células que deveriam continuar em funcionamento, resultando em perda de massa cinzenta. "O gene está marcando sinapses demais, e elas estão sendo devoradas" explicou Beth Stevens, neurocientista do Children's Hospital and Broad e co-autora da pesquisa.
"Pela primeira vez a origem da esquizofrenia não é mais uma completa 'caixa preta'. Estudos recentes sobre o mecanismo biológico do câncer têm levado a muitos novos tratamentos", disse Eric Lander, diretor do Board Institute, instituto do MIT que liderou as pesquisas. A esquizofrenia, que tem como principal sintoma a psicose, afeta mais de 25 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo publicado na Nature não indica que a cura da doença esteja próxima - seus mecanismos patogênicos ainda intrigam médicos e cientistas -, mas traz informações importantes para outras pesquisas nos campos da neurociência e genética.
Fonte: Veja.com
Os efeitos 13 anos depois da mudança de nome da esquizofrenia no Japão.
Em 2002 a Associação Nacional de Famílias de Doentes Mentais do Japão solicitou à Sociedade Japonesa de Psiquiatria e Neurologia a mudança de nome da esquizofrenia, por considerar que o termo era estigmatizante e ligado a uma visão negativa e pessimista da doença, interferindo com a recuperação daqueles que dela padeciam. O nome foi, então, alterado para Distúrbio da Integração.
Treze anos depois a mudança de nome fez com que o estigma no Japão fosse reduzido, que mais diagnósticos fossem feitos e que pacientes e famílias aceitassem melhor a doença. As pessoas mais jovens, mais da metade, chegam a reconhecer que os dois termos retratam doenças distintas.
Porém, este efeito de longo prazo está seriamente ameaçado, pois a mídia japonesa continua publicando conteúdos negativos relacionados ao novo nome da mesma forma como antes faziam com a esquizofrenia. Um estudo japonês mostrou que embora menos estigmatizante que outrora, a “nova” esquizofrenia está associada a maior estigma do que doenças como depressão e diabetes.
O estudo avaliou 51 789 artigos de jornais e 1106 textos de telejornais japoneses entre 1985 e 2013 que trataram das doenças esquizofrenia, depressão e diabetes. Depois de 2002, 97% dos artigos só usavam o novo termo, Distúrbio da Integração, para retratar a esquizofrenia.
Os autores constataram que a quantidade de artigos sobre esquizofrenia e depressão aumentou mais do que sobre diabetes, inclusive depois de 2003, sendo que houve mais artigos sobre esquizofrenia do que sobre depressão entre 2000 e 2005, época em que o nome da doença mudou.
Ao analisarem as 20 palavras mais utilizadas nos artigos, os autores constataram que aqueles relacionados à esquizofrenia continham mais palavras associadas à violência, crime, suicídio e auto-flagelo do que nos artigos sobre depressão e diabetes (31,5% vs 16% vs 8,2%, respectivamente).
Os autores concluem que, apesar da mudança de nome, houve pouca diferença na forma como a mídia aborda a doença, com conteúdo focado mais em casos de violência e crime do que, p.ex., nos impactos positivos da mudança de nome. O estudo japonês traz resultados semelhantes aos estudos na Inglaterra e nos EUA, que também encontraram uma associação forte dos artigos de jornais e outras mídias ao atribuírem à esquizofrenia crimes e violência, desconsiderando outros fatores associados, como situação econômico-financeira, adversidades familiares e abuso de drogas e álcool.
Os autores temem que, como a mídia possui grande influência sobre o estigma dos transtornos mentais, isso possa comprometer a redução do estigma que fora alcançado com a mudança do nome da esquizofrenia para Distúrbio da Integração. Artigos sobre esquizofrenia deveriam focar mais nos aspectos positivos, como informação médica sobre a doença, casos que se recuperaram e voltaram a trabalhar e a ter uma vida normal, e os aspectos negativos deveriam ser analisados à luz de outros fatores do ambiente capazes de gerar violência, não os atribuindo exclusivamente à doença.
Artigo: Shinsuke Koike, Sosei Yamaguchi, Yasutaka Ojio, Kazusa Ohta, and Shuntaro Ando. Effect of Name Change of Schizophrenia on Mass Media Between 1985 and 2013 in Japan: A Text Data Mining Analysis. Schizophr Bull first published online November 26, 2015 doi:10.1093/schbul/sbv159
Grupos comunitários de Auto-Ajuda do Rio de Janeiro participam de debate na UFRJ. Assista!
No dia 5 de dezembro ocorreu no Instituto de Psiquiatria da UFRJ (IPUB) um debate com familiares e pacientes que participam dos 3 grupos comunitários de auto-ajuda da cidade do Rio de Janeiro. Os grupos são resultado do trabalho do Programa de Psicoeducação de Família do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, desde 2011, realizado pelos psiquiatras Alexandre Keusen, Leonardo Palmeira e Elias Carim e a psicóloga Olga Leão.
O grupo Abra Sua Mente, primeiro a ser formado em 2013, na Tijuca, e os grupos Mentes em Ação, no Centro, e É Possível, no Catete, ambos a partir de fevereiro de 2015, debateram com a plateia temas como recuperação, empoderamento, resiliência, o papel da família, a importância da informação e do apoio par a par, dentre outros temas que cercam os transtornos mentais severos, particularmente a esquizofrenia. Pacientes puderam dar seu depoimento, de como esse trabalho em grupo os ajudou a melhorar.
Esse encontro é um convite à reflexão de todos, de como é possível viver com mais otimismo e esperança, apesar das adversidades, e que é possível sim ser feliz e buscar cada vez mais a harmonia da convivência e uma melhor qualidade de vida. Para tornar tudo isso realidade, o apoio mútuo através desta rede de suporte é fundamental.
Vida longa para os grupos de auto-ajuda da cidade do Rio de Janeiro!
https://www.youtube.com/watch?v=5NFivgprQR8
Conheça os grupos:
• GRUPO "ABRA A SUA MENTE": Igreja Batista Itacuruça - Praça Barão de Corumbá, 49, Tijuca.
→ Descrição: o grupo é composto de familiares e pacientes e se reúne uma vez por mês em datas específicas, aos sábados pela manhã. Para maiores informações contactar um dos coordenadores do grupo - Amaury (tel: 7235-2882 / e-mail: amaurycavalcanti@outlook.com) e Wilson (tel: 98907-3347 / e-mail: wrfraga@ig.com.br)
• GRUPO "É POSSIVEL!": Rua do Catete n. 311, sala cobertura 01, Largo do Machado, Catete.
→ Descrição: o grupo é composto de familiares e se reúne uma vez por mês em datas específicas, aos sábados pela manhã. Para maiores informações contactar um dos coordenadores do grupo - Clarice Nunes (tels: 2245-5568; 99923-3429) e Pedro Nin Ferreira (tel.: 2210-1256) ou pelo e-mail: familiaresepossivel@gmail.com
• GRUPO "MENTES EM AÇÃO": Rua Sete de Setembro 151/153, acesso por dentro da loja Casa da Criança, Centro do Rio.
→ Descrição: o grupo é composto de familiares e se reúne a cada quinze dias em datas específicas, aos sábados pela manhã. Para maiores informações contactar um dos coordenadores do grupo - Luiza Lins (tel.: 99236-1268 / e-mail: luizalins@bol.com.br) e Gustavo Meano (e-mail: gustavomeano@gmail.com).
Facebook: https://www.facebook.com/mentesemacao
Website: http://www.mentesemacao.org
Matéria da BBC com participação do Dr. Leonardo Palmeira.
Equipe da BBC veio ao Rio observar o trabalho do psiquiatra Vitor Pordeus, que acredita seja capaz de curar a esquizofrenia através do teatro. Ele trabalha no Hospital Municipal Nise da Silveira com pacientes com esquizofrenia e outros transtornos mentais e diz constatar a melhora de seus pacientes a medida em que eles participam da companhia teatral criada por ele. Eles se apresentam com regularidade no calçadão do Arpoador, na Praia de Ipanema. Vitor diz inclusive que consegue reduzir os remédios de seus pacientes com o teatro.
Dr Leonardo Palmeira foi consultado pela reportagem da BBC e afirmou que, embora o teatro e as artes sejam benéficos no tratamento de transtornos mentais, isoladamente eles não podem ser considerados curativos. "A esquizofrenia requer um tratamento mais abrangente, em que medicamentos, psicoterapia e outras estratégias de recuperação, incluindo o teatro e outras expressões artísticas, agem em conjunto. Falar em cura seria exagerado", diz.
→ Clique aqui para assistir ao vídeo (em inglês).
Tratamentos coordenados para recuperação da esquizofrenia foram superiores aos tratamentos centrados na medicação, afirma estudo.
Um estudo norte-americano publicado hoje no periódico American Journal os Psychiatry confirma que o tratamento com medicamentos, terapia de família, psicoterapia individual e suporte para trabalho e estudo é superior em vários aspectos ao tratamento usual, centrado na medicação. Os pacientes tiveram melhora da qualidade de vida, dos sintomas, engajaram-se mais em atividades como trabalho e estudo do que aqueles que só tomaram medicamentos.
O Portal Entendendo a Esquizofrenia teve acesso ao estudo e divulga, em primeira mão, os detalhes sobre a metodologia e os resultados.
Este estudo é uma parte de um programa maior do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA (foto), chamado RAISE, que se preocupa fundamentalmente com a recuperação de pessoas que estejam sofrendo um primeiro episódio esquizofrênico. O objetivo é encurtar a demora com que pessoas com essa doença esperam para receber tratamento, em média de um a um ano e meio de atraso, e possibilitar que elas se recuperem o mais rapidamente possível, sem sofrer com as complicações e os sintomas crônicos que ocorrem quando o tratamento não é dispensado adequadamente.
A ideia do projeto é desenvolver em todo EUA um tratamento integrado, centrado nas pessoas e na família, de forma a não só promover a melhoria dos sintomas, mas, mais do que isso, possibilitar que essas pessoas possam se recuperar funcionalmente da doença, voltar às suas atividades, estudar, trabalhar, se socializar e viver sua vida de forma independente e autônoma.
Este estudo, conhecido por RAISE-ETP (Early Treatment Program), recrutou 404 pessoas entre 15 e 40 anos de idade, em 34 centros de tratamento comunitário de 21 estados, que tivessem experimentado um único episódio psicótico e não tivessem tomado medicamento antipsicótico por mais de 6 meses.
As clínicas de tratamento foram divididas em dois grupos: o primeiro grupo ofereceu um tratamento experimental chamado NAVIGATE, que incluía 4 intervenções principais: medicação, psicoeducação de família, psicoterapia individual focada na resiliência e ajuda/suporte no emprego e nos estudo. Todos os tratamentos foram ofertados considerando um modelo de decisão compartilhada e a preferência do paciente e os profissionais receberam um treinamento para aplica-lo. O segundo grupo, chamado de “atenção comunitária”, ofereceu o tratamento usual, com medicamentos e outros tratamentos de acordo com a disponibilidade dos serviços, como já era de praxe. Todos os grupos foram tratados ao longo de dois anos.
Para avaliar os pacientes foram utilizadas escalas de qualidade de vida, escala de sintomas positivos e negativos da esquizofrenia, dentre outras. 223 pacientes participaram do tratamento NAVIGATE, enquanto 181 do tratamento usual.
Resultados
Os pacientes que receberam o tratamento NAVIGATE ficaram em média seis meses mais tempo no tratamento do que o grupo que recebeu o tratamento usual, tiveram maior ganho em atividades como trabalho e escola, melhoraram mais dos sintomas positivos e negativos e tiveram melhor qualidade de vida.
Um achado interessante é que pacientes com menor tempo de doença (menos do que 74 semanas) aceitaram melhor o tratamento NAVIGATE, como também tiveram maiores benefícios, com melhor qualidade de vida e maior redução de sintomas positivos e negativos da esquizofrenia quando comparados ao grupo com mais tempo de doença.
Este estudo é o primeiro nos EUA a coordenar diferentes modalidades de tratamento em diferentes centros de saúde mental e o primeiro no mundo com essa abrangência de avaliação clínica e social. Os pacientes que permaneceram no estudo serão acompanhados até concluírem 5 anos de tratamento para averiguar se os benefícios se mantém a longo prazo.
Os autores acreditam que os benefícios do tratamento NAVIGATE tenham relação com o modelo de cuidado centrado na pessoa, através de decisões compartilhadas, onde são levadas em conta as preferências do paciente, além da cobertura do aspecto familiar (através da psicoeducação), do pessoal (trabalhando a resiliência de cada um) e do auxílio nas atividades como trabalho e estudo.
Entenda melhor os conceitos que envolvem a Recuperação pessoal de quem sofre esquizofrenia, CLIQUE AQUI
Estudo: http://ajp.psychiatryonline.org/doi/full/10.1176/appi.ajp.2015.15050632
Cariprazina é aprovada pelo FDA como o mais novo tratamento para Esquizofrenia e Transtorno Bipolar.
Um novo antipsicótico para tratar sintomas negativos persistentes da esquizofrenia e melhorar o funcionamento global dos pacientes acaba de ser aprovado pelo FDA, órgão máximo de regulação dos EUA. O medicamento Vraylar (cariprazina) já foi testado em 1754 pacientes com esquizofrenia em três estudos e mostrou ser eficaz em reduzir os sintomas da esquizofrenia. O medicamento também recebeu a aprovação para o tratamento do Transtorno Bipolar.
No estudo de fase 3, anterior à aprovação, a cariprazina foi comparada com a risperidona em 461 pacientes, mostrando ser mais eficaz do que ela no tratamento dos sintomas negativos, como apatia, isolamento social e embotamento afetivo, tendo eficácia semelhante no combate aos sintomas positivos, por atuar também em receptores de dopamina.
“O importante é que a cariprazina foi significativamente mais eficaz do que a risperidona não somente melhorando os sintomas, mas também o funcionamento social dos pacientes”, afirmou György Németh, director medico do laboratório Gedeon Richter, que desenvolveu o medicamento.
Isso pode ter um grande impacto na qualidade de vida dos pacientes. O estudo foi apresentado durante o 28º Congresso da Sociedade Européia de Neuropsicofarmacologia, em agosto passado.
A cariprazina é um antipsicótico diferente dos de segunda geração, por apresentar uma atividade agonista parcial dos receptores D2 e D3, ao invés da tradicional ação antagonista em receptores D2. Neste sentido ele se assemelha ao aripirazol, já comercializado, inclusive no Brasil, embora este não tenha a ação nos receptores D3. Acredita-se que por isso a cariprazina possa ter melhor atuação nos sintomas negativos e cognitivos.
O medicamento deve estar disponível nas farmácias norte-americanas nos próximos meses, mas não existe ainda uma previsão de chegada ao mercado brasileiro.
Nova droga é testada contra Alzheimer
Um novo tipo de droga para combater o Alzheimer tem se mostrado promissor quando administrado em pessoas nos estágios iniciais da doença, anunciou o laboratório farmacêutico Eli Lilly nesta quarta-feira (22).
Conhecida como Solanezumab, o medicamento é um anticorpo monoclonal que potencialmente tem capacidade de impedir o desenvolvimento das placas de proteínas beta-amilóide que se formam no cérebro e provocam a doença.
O Alzheimer afeta 44 milhões de pessoas em todo o mundo e que não tem nenhum tratamento eficaz. Numa primeira fase, em 2012, o Solanezumab não teve resultados positivos, se mostrando tão eficaz quando os placebos de açúcar nos testes clínicos.
Um editorial no "New England Journal of Medicine" de 2014 indicou que, um quarto dos pacientes estudados nos primeiros ensaios podiam ter demência, mas não o Alzheimer, e que os ensaios científicos deveriam continuar em pessoas com Alzheimer confirmado.
Resultados
Desta vez, os pesquisadores realizaram ensaios randomizados controlados, duplo cego, envolvendo 1.322 pessoas com doença de Alzheimer em estágio inicial.
Alguns receberam o medicamento imediatamente, outros depois de um período de dois anos. Médicos e pacientes não sabiam quem recebia pílula de açúcar ou da droga real.
Quando os pesquisadores compararam a função cognitiva dos dois grupos, após dois anos do estudo, a diferença foi "estatisticamente significativa", segundo Eli Lilly em um comunicado.
Se comprovado, será o primeiro tratamento a ser capaz de impedir o avanço desta doença neurológica degenerativa, desde que detectada precocemente.
O estudo foi publicado na revista "Alzheimer's and Dementia: Translational Research and Clinical Interventions", e foi discutido na Conferência Anual da Associação de Alzheimer na capital dos Estados Unidos.
Fonte: G1
Importação de remédio por pessoa física ficará isenta de impostos.
A partir de 13/07/2015 a Receita Federal passou a isentar de cobrança de impostos medicamentos importados por pessoas físicas no Brasil e que não têm registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.
A medida facilita o tratamento com drogas não comercializadas no país e que são prescritas por médicos para doenças crônicas. Entre os remédios que devem ser beneficiados está o canabidiol (CBD), substância derivada da maconha.
A Receita Federal alterou a portaria 156, de 1999, mudança publicada no Diário Oficial desta segunda. A nova regra se estende a encomendas aéreas internacionais, transportadas por empresa de entrega expressa. Na prática, o medicamento será entregue no domicílio do importador sem o recolhimento de tributos federais.
Apenas quem cadastrar o laudo médico e a prescrição do medicamento na Anvisa é que se beneficiará com a medida.
Segundo o órgão, ligado ao Ministério da Saúde, para importar medicamentos sem registro no país é preciso realizar um cadastro na agência, apresentando laudo médico, documento que explica a necessidade do remédio pelo paciente, e a prescrição, a famosa "receita", contendo a posologia e a quantidade de medicamentos a ser importada.
Para saber mais detalhes, a Anvisa pede que um e-mail seja enviado para o endereço med.controlados@anvisa.gov.br. No caso do canabidiol, uma página especial foi criada para facilitar a importação. A aprovação do cadastro pode levar até quatro dias.
Novas regras do Canabidiol
Desde o dia 7 deste mês começaram a valer as novas regras e procedimentos específicos para importação de produtos à base do CBD. O regulamento complementa as ações já tomadas pela agência para que os pacientes tenham acesso ao produto.
Em janeiro, a Diretoria Colegiada da Anvisa decidiu retirar o canabidiol da lista de substâncias de uso proibido (proscrito), abrindo o caminho para que a comercialização de medicamentos com a substância seja facilitada no país. Antes, a venda era vetada.
Agora, empresas interessadas poderão produzir e vender derivados de CBD após a obtenção de um registro da Anvisa. No fim de 2014, uma empresa europeia entrou com um pedido para comercializar medicamentos com a substância.
A aquisição do produto deverá ocorrer de forma controlada, com a exigência de receita médica de duas vias. (Fonte: G1)
Benefícios para pacientes que não responderam aos medicamentos comercializados no Brasil
Alguns medicamentos que já são comercializados nos EUA e na Europa e que ainda não chegaram ao Brasil ou não têm previsão de serem comercializados por aqui podem ser adquiridos a um custo menor do que antes, graças à redução de impostos.
Na psiquiatria, além do Canabidiol (leia a resolução do CFM que regulamenta a prescrição médica de Canabidiol), citado na reportagem, existem medicamentos para o tratamento da depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, TDAH e alcoolismo que não têm previsão de chegada ao Brasil. Eis alguns exemplos:
Para Depressão
Brintellix (vortioxetina) - trata-se de um antidepressivo diferenciado, com mecanismo de ação multimodal, que atua como antagonista, agonista parcial e agonista total de diferentes receptores de serotonina, aumentando os níveis de serotonina, mas também de noradrenalina e dopamina, outros neurotransmissores envolvidos na depressão. Já está sendo comercializado nos EUA e alguns países da Europa desde 2014.
Para Esquizofrenia
Abilify Maintena (aripiprazol) - versão injetável de longa ação do Abilify, antipsicótico indicado para o tratamento da esquizofrenia (marca mais comercializada no Brasil é o Aristab), permite o tratamento da doença com uma injeção mensal. Hoje no Brasil, o único antipsicótico de ação semelhante a ele é o Invega Sustenna (palmito de paliperidona). Foi aprovado para comercialização nos EUA e Europa em 2013, desde então está presente nos EUA, em alguns países da Europa, na Austrália e no Japão. Não sabe-se ao certo o motivo pelo qual o laboratório Otsuka/Lundbeck não trouxe ainda a medicação para o Brasil. Acredita-se que possa ser por razões econômicas, uma vez que o mercado brasileiro não parece ser muito receptivo aos medicamentos injetáveis para esquizofrenia.
Para Esquizofrenia e Depressão Bipolar
Latuda (lurasidona) - medicamento antipsicóticos com ação antagonista de receptores dopaminérgicos D1 e D2, de receptores de serotonina e agonista parcial de receptores 5HT1A, a lurasidona têm ação também nos quadros depressivos do TBH. Foi aprovada e comercializada nos EUA em 2011, no Canadá em 2012 e em seis países da Europa em 2013.
Para TDAH
Strattera (atomoxetina) - medicamento para tratamento do transtorno de deficit de atenção/hiperatividade aprovado desde 2006 nos EUA, utilizado em vários países. É um medicamento diferente dos demais utilizados no tratamento do TDAH no Brasil por não ser derivado de anfetamina, portanto, não é um psicoestimulante. Seu mecanismo de ação é pela via noradrenérgica (noradrenalina). Não se sabe o motivo pelo qual o medicamento não veio para o Brasil, mas pode ter a ver com questões de patente, pois uma ação na Justiça Federal julgou improcedente o pedido do laboratório Eli Lilly, quem desenvolveu o produto, de manter a patente por 10 anos.
Para Alcoolismo
Vivitrol (naltrexona injetável) - versão injetável de longa ação do Revia (nome comercializado no Brasil). Trata-se de um medicamento que trata a dependência de álcool e opióides na forma injetável, de uso mensal, através do bloqueio de receptores opióides, aumentando o tempo de abstinência e reduzindo as recaídas. Acredita-se que a ação farmacológica seja responsável pela redução dos efeitos prazerosos do álcool que provocam o reforço da dependência. Foi aprovado em 2010 pelos EUA, sendo utilizado também na Europa.
Selincro (nalmefene) - antagonista opióide de uso oral para o tratamento do alcoolismo, dependência de opióides e jogo patológico. Foi aprovado em 2013 pela agência européia de medicamentos, sendo comercializada em alguns países da Europa, mas não é comercializada nos EUA.
Órgão americano aprova Invega Trinza, novo tratamento para esquizofrenia com quatro injeções anuais.
Uma nova opção para o tratamento da esquizofrenia acaba de ganhar aprovação pelo órgão máximo de regulação norte-americano, o FDA, devendo estar em meados deste mês nas farmácias dos EUA. É o primeiro antipsicótico de longa ação que promete tratar a esquizofrenia com apenas quatro injeções anuais, sendo o injetável com o maior intervalo entre doses, 3 meses, em comparação com outros já existentes no mercado, que precisam ser administrados quinzenal ou mensalmente.
O Invega Trinza é uma evolução do Invega Sustenna, último lançamento da Janssen-Cilag, pertencente ao grupo Johnson & Johnson, e poderá ser utilizado nos pacientes que estejam sendo tratados com o Invega Sustenna por pelo menos 4 meses. Trata-se do mesmo princípio ativo (palmitato de paliperidona), porém com duração superior (o Invega Sustenna requer que a administraçãoo seja feita mensalmente).
Num estudo de longo prazo, conduzido entre abril de 2012 e abril de 2014, 93% dos pacientes tratados com Invega Trinza não tiveram recaídas ou piora dos sintomas positivos da esquizofrenia. “Com um tratamento mais duradouro, pacientes, familiares e terapeutas podem focar melhor nas questões pertinentes à recuperação da pessoa para além do controle dos sintomas a curto prazo”, afirma o investigador do estudo, Dr. Joseph Kwentus. “Com o controle dos sintomas a longo prazo, pacientes podem se dedicar melhor ao desenvolvimento de seus objetivos pessoais”.
O estudo de longo prazo mostrou também que o Invega Trinza foi tão seguro e bem tolerado quanto o Invega Sustenna, que já é utilizado no Brasil desde 2012. A companhia espera que o Invega Trinza possa chegar ao Brasil a partir de 2016.
Fonte: Drugs.com
Novos grupos de auto-ajuda para familiares e pacientes são criados no Rio de Janeiro.
Dois novos grupos de auto-ajuda para familiares e pacientes com transtorno mental severo, como esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno esquizoafetivo, inauguraram suas salas este mês. Os grupos foram formados pelo Programa de Psicoeducação de Família do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, sob coordenação dos psiquiatras Alexandre Keusen e Leonardo Palmeira. O objetivo deste trabalho é empoderar as famílias para que possam comandar grupos de ajuda na comunidade e, assim, ampliar o número de famílias atendidas por essa metodologia de tratamento.
Os grupos “É Possível!”, que passa a se reunir na Zona Sul, e o “Mentes em Ação”, que acontece no Centro da Cidade, juntam-se ao grupo ”Abra Sua Mente”, que já funciona há mais de um ano na Tijuca.
Este é um trabalho pioneiro no Brasil que visa construir uma rede de apoio para familiares e pacientes na comunidade, através de iniciativas administradas pelos próprios, como parte de um processo mais abrangente de recuperação pessoal, onde a psicoeducação e os grupos de família passam a ter um papel de protagonismo no tratamento desses transtornos, juntamente com o tratamento médico e psicossocial.
“É Possível!”
Reune-se mensalmente, no sábado, no bairro do Catete.
Endereço: Rua do Catete n. 311, sala cobertura 01, Largo do Machado, Catete.
Para mais informações entre em contato com os coordenadores:
Clarice Nunes - tel.: 2245-5568; 99923-3429
Pedro Nin Ferreira - tel.: 2210-1256
E-mail: familiaresepossivel@gmail.com
Grupo “Mentes em Ação”
Reune-se quinzenalmente, aos sábados, no Centro do Rio.
Endereço: Rua Sete de Setembro 151/153, acesso por dentro da loja Casa da Criança, Centro do Rio.
Para mais informações entre em contato com os coordenadores:
Luiza Lins – tel.: 99236-1268
E-mail: luizalins@bol.com.br
Gustavo Meano
E-mail: gustavomeano@gmail.com
Para informações sobre todos os grupos de auto-ajuda, CLIQUE AQUI!
TDAH dificulta resposta ao tratamento da depressão e do transtorno bipolar.
Já escrevi aqui no site artigos sobre depressão que não melhora com antidepressivos, que é uma situação comum do dia-a-dia do psiquiatra. Existem muitos pacientes que já usaram diversos antidepressivos ou estão em tratamento medicamentoso há anos sem uma resposta satisfatória. O último artigo a esse respeito falava dos estados mistos e da relação entre depressão e bipolaridade (clique aqui para ler). Hoje resolvi dar maior ênfase à comorbidade da depressão e do transtorno bipolar com o Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Vamos começar por um relato de caso de um paciente.
Caso clínico
Paulo tem 35 anos e faz tratamento para depressão desde 22 anos de idade. Já passou por diversos psiquiatras e já usou vários antidepressivos. Relata que sempre que ocorre mudança de remédio ele responde satisfatoriamente, porém, após alguns meses, volta a se sentir deprimido e desanimado. Um sintoma que chamou mais atenção na consulta de Paulo foi que, apesar da medicação antidepressiva, ele continuava sentindo, pela manhã, logo que se levantava, uma angústia intensa que melhorava com o passar de algumas horas. Depois do almoço, seu humor voltava a oscilar para baixo, dando uma sensação de desânimo e cansaço, muitas vezes levando-o a tirar uma soneca no trabalho. Procurando explorar com mais detalhes a dinâmica desse sintoma, foi possível perceber que um dos gatilhos para a sensação de mal-estar provinha de seus próprios pensamentos. Pela manhã, Paulo acordava já com seus pensamentos a mil, sempre com problemas ou compromissos de trabalho. Ele tendia a avaliar tudo de forma mais pessimista e com um sentimento de que fracassaria e não conseguiria resolver tudo o que tinha para aquele dia. Isso gerava a sensação de angústia e cansaço. Depois no trabalho, após o almoço, ele olhava os papéis sobre a mesa e tinha dificuldade de se organizar por onde começar. Faltava a Paulo a capacidade de fazer um planejamento, traçar a melhor estratégia para suas tarefas. Muitas vezes começava resolvendo uma coisa e interrompia, passando para outra, sem que a primeira tivesse sido concluída. Com o passar das horas, começava a se sentir mais confuso ainda, perdido no meio de tantas obrigações e, ao final de um dia de trabalho, tinha a sensação de que nada havia sido resolvido e que seu dia tinha sido improdutivo, gerando mais cansaço e angústia. Para Paulo era este o sintoma que não melhorava com a troca de antidepressivos.
Uma escala para triagem de déficit de atenção e hiperatividade/impulsividade levantou a suspeita de que Paulo poderia ter algo mais além do quadro depressivo. A escala ASRS é a principal escala usada em adultos para este fim e é validada para o português desde 2006. As respostas de Paulo demonstravam sintomas de déficit de atenção e hiperatividade em níveis bastante elevados.
Conversando sobre sua infância e adolescência, Paulo relatou que, desde que se entende por gente, tem dificuldade de organizar e planejar suas tarefas. Sempre teve uma tendência de se “desligar” com facilidade, de passar de uma atividade para outra sem concluí-la ou mesmo fazer várias atividades ao mesmo tempo. Sempre que ocorrem barulhos ou pessoas conversando no ambiente, distrai-se muito facilmente a ponto de precisar interromper o que está fazendo para buscar um lugar mais sossegado. Apesar disso, nunca teve um prejuízo maior na vida acadêmica ou no trabalho, mas reconhece que tem um grande dispêndio de energia com esses sintomas, não raro sentindo um cansaço precoce.
Para explorarmos melhor esta queixa cognitiva, solicitei a Paulo uma testagem neuropsicológica, que é uma bateria de testes para avaliar a atenção, a memória, a inteligência, o raciocínio e a capacidade executiva e de planejamento. A testagem revelou um rebaixamento da concentração frente às demais funções psíquicas. Paulo também apresentou maior lentidão cognitiva global, dificuldade para alternar o foco da atenção, para inibir estímulos irrelevantes e leve impulsividade cognitiva. Embora esses achados também pudessem ocorrer no quadro depressivo, a percepção clínica de que esses sintomas antecediam o diagnóstico de depressão nos fez suspeitar de uma comorbidade com o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).
Paulo começou a usar um medicamento específico para o tratamento para o TDAH juntamente com sua medicação antidepressiva e notou, desde a primeira dosagem, que sua ansiedade e os pensamentos embaralhados melhoraram significativamente, a angústia pela manhã e o cansaço à tarde não ocorriam mais e seu desempenho no trabalho também melhorou, a ponto dos colegas de trabalho notarem diferença. Paulo passou a não deixar as tarefas acumularem. Mesmo após um ano de uso contínuo do medicamento, os sintomas permanecem sob controle. Outra vantagem foi que, com a estabilização do quadro, Paulo não precisou mais trocar as medicações que utilizava para o tratamento da depressão.
TDAH no adulto
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade no adulto (TDAH) é uma das comorbidades mais frequentes e menos diagnosticadas em pessoas com transtornos de humor, segundo o Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (2012). Ele está presente em até 22% dos adultos com depressão e em quase 13% das pessoas com Transtorno Bipolar (TBH).
Um dos desafios para o diagnóstico dos dois transtornos é que TBH e TDAH compartilham sintomas, fatores de risco e de vulnerabilidade. Um exemplo é que a hiperatividade, impulsividade, distraibilidade e necessidade reduzida de sono podem estar presentes tanto em pessoas com TDAH como em bipolares. Existe também um maior índice de TDAH em crianças que desencadeiam um TBH antes da puberdade em comparação com as que adoecem na adolescência.
Portanto, existem evidências clínicas substanciais da coexistência desses dois transtornos, o que traz um desafio para a prática clínica, uma vez que o TDAH não melhora com o tratamento empregado para depressão ou TBH.
A comorbidade com TDAH traz riscos adicionais para os transtornos de humor, como o aumento do risco de suicídio em comparação com os pacientes deprimidos e bipolares que não possuem TDAH. O TDAH na infância está relacionado também a episódios afetivos (depressivos ou bipolares) mais precoces, maior ansiedade, pior funcionamento social, mais sintomas bipolares ao longo da vida e é mais comum quando há histórico familiar de TBH, depressão ou psicose.
Um estudo publicado em 2004 na Revista Clinical Psychopharmacology, por Simon e colaboradores, constatou que somente 9% dos pacientes com comorbidade entre TBH e TDAH tinha o TDAH diagnosticado e tratado. Os autores sugerem que se pesquise TDAH nos pacientes sempre que houver prejuízo funcional significativo (p.ex. estudo, trabalho) e que se considere o tratamento específico para o TDAH mesmo que o humor esteja estabilizado.
Pacientes com diagnóstico de TDAH na infância e depressão têm um risco maior de ter TBH ao longo da vida. Quando a criança tem TDAH e um dos pais tem TBH, o risco dessa criança desenvolver TBH é da ordem de 40%. Esses achados alertam para a necessidade de se pesquisar TBH em pacientes com TDAH e distúrbios de humor. Nestes casos, o tratamento combinado com psicoestimulante (medicação para TDAH) e estabilizador do humor (medicação para bipolaridade) pode apresentar resultados clínicos melhores do que os tratamentos isolados.
Um aspecto central no diagnóstico do TDAH é o que se convencionou chamar de labilidade emocional (LE). LE corresponde a reações emocionais exageradas com mudanças frequentes de humor, p.ex. irritabilidade, temperamento forte, volatilidade (hiperreatividade de humor). Van Beijsterveldt (2004) verificou que 60 a 70% da LE era hereditária, ou seja, a maioria tinha características emocionais semelhantes na família e que passavam de geração em geração.
A LE no TDAH pode ser observada das seguintes formas:
- flutuações de humor de um dia para o outro ou num mesmo dia, com reações repentinas e persistentes às frustrações do dia-a-dia;
- sentimento de irritabilidade e explosões de raiva frequentes de curta duração, que podem ser sentidas como mudança rápida do humor normal para depressão ou excitação leve;
- o humor é muito volátil, pode mudar quatro ou cinco vezes num mesmo dia, em questão de horas.
Juntamente com a desatenção e os sintomas de hiperatividade/impulsividade, a LE é um fator hereditário comum nas famílias. Os autores do estudo sugerem que todos os pacientes com labilidade emocional crônica sejam investigados quanto à presença ou ausência de TDAH.
Diagnóstico Diferencial entre TDAH e TBH
O diagnóstico diferencial dos dois transtornos é difícil e muitas vezes o TDAH não está aparente, pois os sintomas do humor são mais chamativos e normalmente a queixa do paciente tem a ver com o humor. Por isso a necessidade dos médicos investigarem melhor a comorbidade. Existem características clínicas que podem auxiliar.
Pacientes com TDAH+TBH têm com maior frequência comportamentos disruptivos, transtorno opositivo-desafiador, transtorno de conduta e depressão do que pacientes com apenas o diagnóstico de TDAH. Uma forma de diferenciar os sintomas dos dois transtornos na prática clínica é:
- se o déficit de concentração ocorre somente durante os episódios de humor, provavelmente são secundários ao TBH
- se o déficit de concentração é crônico, ou seja, ocorrem mesmo quando o paciente está com seu humor estabilizado, é necessário considerar se ocorre ou não comorbidade com TDAH.
- se o déficit de concentração ocorre antes do diagnóstico ou dos primeiros sintomas do TBH e piora com os episódios de humor, também se deve considerar a possibilidade de comorbidade.
Outro ponto de encontro e diferenciação é relacionado a alguns sintomas que podem causar confusão entre mania e TDAH, p.ex., idéias ou planos grandiosos, agitação psicomotora ou comportamento inquieto podem ocorrer em ambas as condições, porém se forem excessivos e episódicos, deve-se considerar o distúrbio de humor.
Irritabilidade também é um ponto em comum, sendo difícil diferenciar as duas condições. Porém, se a irritabilidade ocorre de forma crônica e não-episódica, ela é mais preditiva de ansiedade e depressão em pacientes com TDAH do que de TBH.
Veja a tabela a seguir com as principais diferenças entre TDAH e TBH:
| Diferenças | TDAH | TBH | TDAH + TBH |
|---|---|---|---|
| Déficit de atenção | Crônico | Episódico, associado ao estado de humor | Crônico com piora nos episódios de humor |
| Hiperatividade | Crônica | Episódica, associada ao estado de humor, e geralmente mais excessiva | Crônica com piora nos episódios de humor |
| Impulsividade | Crônica | Episódica, associada ao estado de humor | Crônica com piora nos episódios de humor |
| Labilidade emocional e mudanças de humor | Rápida, as vezes várias vezes ao dia | Mais episódica, embora possa ser mais rápida em cicladores rápidos | Rápida, varias vezes ao dia |
| Tratamento médico | Psicoestimulante | Estabilizador de humor | Primeiro estabilizador de humor, depois associação com psicoestimulante |
| Comorbidades | DQ T de Conduta T Desafiador-Opositivo T dos impulsos/compulsões T de Ansiedade Depressão Maior | DQ T de Ansiedade T dos impulsos/compulsões T Personalidade Borderline | Todas as anteriores |
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