Castigos físicos aumentam chances de crianças apresentarem distúrbios mentais na vida adulta
Já são conhecidos os danos que maus tratos graves, como abuso sexual, podem causar à saúde mental das crianças. Nova pesquisa demonstra que bater e empurrar também podem desencadear abuso de álcool e drogas, transtorno de ansiedade e outros problemas de comportamento.
Punições físicas aplicadas pelos pais para disciplinar os filhos podem desencadear uma série de problemas mentais entre as crianças ao longo da vida. Segundo um novo estudo publicado nesta segunda-feira na revista Pediatrics, agressões — mesmo que não sejam as formas mais graves de abuso, como sexual ou negligência, comprovadamente prejudiciais à saúde mental — como empurrar, bater e agarrar, estão associadas a distúrbios de ansiedade e de personalidade.
Segundo os autores do trabalho, está clara a relação entre maus tratos às crianças, tanto físicos e emocionais quanto abuso sexual, e problemas emocionais apresentados por elas durante a vida adulta. No entanto, de acordo com eles, pouco foi estudado sobre os efeitos negativos das punições físicas que são usadas como uma forma de castigo, para a saúde mental dos indivíduos.
Para a pesquisa, uma equipe da Universidade de McMaster, no Canadá, se baseou em dados de 600 americanos inscritos no Exame Nacional de Epidemiologia em Álcool e Condições Relacionadas, dos Estados Unidos, que coletou dados de 34.653 pessoas maiores do que 20 anos entre 2004 e 2005. Os autores observaram que entre 2% e 7% dos distúrbios mentais apresentados pelos participantes -- entre eles os transtornos de humor, ansiedade, bulimia, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e abuso de álcool e drogas -- foram atribuídos a punições físicas na infância.
Os autores da pesquisa explicam que, embora essa porcentagem pareça pequena, ela já é suficiente para mostrar que os castigos físicos podem ser considerados como fatores de risco para problemas mentais. Eles acreditam que esses resultados reforçam a ideia de que reduzir o castigo físico pode ajudar a diminuir a prevalência de transtornos mentais na população em geral.
Brasil — Uma pesquisa divulgada em junho pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo indicou que um em cada cinco brasileiros sofreu punição física regular, ou seja, ao menos uma vez por semana, na infância, e que pouco mais de 70% apanharam ao menos uma vez quando crianças. O levantamento, feito em 2010 com 4.025 pessoas de onze capitais do país, também mostrou que os indivíduos que relataram sofrer mais punições físicas apresentavam mais chances de adotar a violência na criação de seus filhos.
Fonte: Veja
Leia também: Pesquisa diz que maus-tratos na infância alteram genes do estresse em adultos.
EUA aprovam nova droga contra a obesidade
Após 13 anos sem aprovar novos remédios para a obesidade, a FDA liberou ontem a comercialização do Belviq (cloridrato de lorcaserina).
Fabricado pela Arena Pharmaceuticals, o remédio age ativando um receptor de serotonina no cérebro, o 2C. Esse mecanismo colabora para a diminuição do apetite e para a sensação de saciedade após as refeições.
O cloridrato de lorcaserina foi aprovado para pacientes com sobrepeso e obesos, com IMC (índice de massa corporal) a partir de 27 e pelo menos uma complicação ligada ao excesso de peso, como pressão alta e diabetes.
Estudos viram que usuários do remédio tiveram perda média de 3,7% do peso. Ou seja, alguém com 100 kg conseguiria emagrecer, em média, menos de 4 kg.
"É uma perda modesta. Sem dúvida, entre as opções que eles tinham para aprovar, a locaserina é a que menos emagrecia", avalia Rosana Radominski, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).
Segundo ela, porém, mesmo com o emagrecimento pouco expressivo, o remédio pode ser benéfico para alguns pacientes, uma vez que ele ajuda a controlar problemas associados à obesidade, como pressão alta e complicações metabólicas.
O novo remédio não deve ser usado por grávidas e, em combinação com alguns remédios, como certos antidepressivos, pode causar sérios efeitos adversos. "O Belviq também pode causar distúrbios de atenção ou memória", diz a FDA.
A última droga contra a obesidade aprovada pela agência havia sido o Xenical, da Roche, em 1999. Um dos efeitos colaterais da droga é o excesso perceptível de gordura eliminada nas fezes.
"A FDA demora mais a aprovar as drogas contra a obesidade porque há uma série de exigências muito rígidas contra os efeitos colaterais. Afinal, esses medicamentos agem no sistema nervoso central", diz Rosana.
Com a maior população de obesos do planeta, os Estados Unidos estão enfrentando uma pressão grande para a liberação de novas drogas contra o distúrbio.
Fonte: Folha de SP
Ganho de peso com medicações psiquiátricas.
Sem sombra de dúvida este é o efeito colateral mais temido e menos tolerado por pacientes que estão em tratamento com medicações psiquiátricas. Por este motivo decidi escrever mais sobre o tema, com as informações e orientações que costumo passar aos meus pacientes.
Primeiramente é preciso entender que este efeito colateral é o mais pessoal de todos, o que significa que um mesmo medicamento pode provocar ganho de peso em uns e não em outros. Geralmente alguns aspectos individuais contribuem para esta diferença:
- Facilidade para ganhar peso: algumas pessoas têm mais facilidade de engordar do que outras. Isto pode ser determinado geneticamente, por questões hormonais e do metabolismo de cada um, por hábitos como dieta e atividades físicas, por doenças pré-existentes, dentre outros motivos. Neste caso pacientes com maior facilidade para ganhar peso terão também mais risco de engordar com alguns medicamentos.
- Sedentarismo: a falta do hábito de uma atividade física regular, ao menos quatro vezes na semana, contribui para o aumento de peso, mesmo que o paciente não esteja em uso de medicações ou tenha modificado sua dieta, portanto, pacientes sedentários terão também maior probabilidade de ganho de peso com o tratamento.
- Hábito alimentar: pacientes que não costumam se alimentar em horários regulares ou fazem longos períodos de intervalo entre as alimentações estão mais sujeitos ao ganho de peso, pois o organismo quando passa muito tempo sem receber alimento entende que o mesmo está escasso, que passará por privações e o resultado é um aumento do apetite para carboidratos, gorduras e açucares (alimentos com maior teor calórico que permitem o armazenamento de gorduras no tecido adiposo). Todo o indivíduo com fome fará em sua próxima refeição escolha por carboidratos ou terá mais vontade de “beliscar” doces e salgados com alto teor calórico (isto pode ocorrer sem que o paciente se dê conta). A melhor dica é se alimentar de 3 em 3 horas em pequenas quantidades ou interpor às principais refeições (café, almoço e jantar) uma fruta ou um lanche leve. Os pacientes que comem espaçadamente, fazem apenas uma ou duas grandes refeições ao dia ou são “beliscadores” tenderão a ganhar peso também com as medicações psiquiátricas.
- Compulsão alimentar: indivíduos obesos ou com sobrepeso que já tenham dificuldade para controlar o peso por apresentar algum transtorno alimentar, seja compulsão alimentar periódica, bulimia ou anorexia nervosa, precisam tratar do transtorno alimentar independentemente de tratarem também do outro transtorno mental. Da mesma forma os pacientes que descontam a ansiedade na comida (geralmente “beliscadores compulsivos”) precisam relatar ao médico este sintoma para um tratamento específico.
- O próprio transtorno: existem transtornos psiquiátricos que causam aumento de peso, p.ex. transtorno bipolar, algumas formas de depressão (principalmente as ansiosas), outros transtornos de ansiedade e, claro, os transtornos alimentares. A melhor forma de perder peso é tratar o transtorno de base.
Em segundo lugar deve-se ter em mente que o fato de um medicamento “poder causar ganho de peso” não deve inviabilizar o tratamento. A grande maioria dos medicamentos psiquiátricos pode provocar ganho de peso. Um maior exemplo disso é a fluoxetina, antidepressivo usado com frequência por endocrinologistas para emagrecimento. Embora a fluoxetina cause emagrecimento nos primeiros meses, por um efeito colateral de enjoo e perda do apetite, a maioria dos pacientes ganha peso após 1 ano de uso da fluoxetina.
Se você for se preocupar mais com o possível efeito colateral do que com o efeito terapêutico do medicamento, não vai conseguir se tratar. Você pode iniciar o medicamento e paralelamente monitorar seu peso. Em caso de ganho de peso, deve relatar ao médico e discutir com ele as alternativas, sem precisar abrir mão do seu tratamento e de sua estabilidade.
Muitos argumentam que aumentando o peso sentir-se-ão pior psicologicamente (com o que concordo plenamente, não é agradável para ninguém ganhar peso!). Porém é preciso considerar que este ganho pode ser transitório, que você pode vir a perder peso novamente e, por se sentir melhor de seu transtorno de base, conseguir manter hábitos de vida mais saudáveis e compatíveis também com um corpo mais em forma.
Costuma ser assim com grande parte dos medicamentos psiquiátricos que causam aumento do peso. Após um período, que geralmente não ultrapassa os 6 meses, esse ganho se estabiliza e o paciente começa a perder. Claro que no início do tratamento, dependendo do ritmo de ganho de peso, será possível decidir se podemos ou não aguardar este prazo.
Portanto:
1) Não se desespere ou desista do tratamento antes de tentá-lo. Você pode estar “queimando” um medicamento que pode fazer grande diferença no seu transtorno e você nem sabe ainda se ele terá ou não consequências no seu peso.
2) Não se deixe levar por fóruns na internet, geralmente as pessoas que postam lá são as que estão insatisfeitas com o medicamento ou não o toleraram.
3) Lembre-se de que cada caso é um caso. Existem pessoas que ganham peso, outras que perdem, outras que ganham por um período e depois perdem, enfim, você só poderá perceber qual o seu caso se experimentar o medicamento.
4) Seu médico vai ouvi-lo e acompanhá-lo passo a passo, caso esteja ganhando peso além do esperado isto será considerado e alternativas serão discutidas com você.
5) Procure fazer a sua parte: faça uma atividade física regular, cuide de sua dieta, não passe muito tempo sem se alimentar, se estiver beliscando muito, peça uma ajuda para controlar este comportamento, dose seus hormônios, pesquise se existem outras causas para o ganho de peso.
Não vamos fazer do ganho de peso mais um tabu para não cuidar da saúde mental. Já basta a resistência de aceitar o transtorno e a necessidade de tratamento psiquiátrico. Juntos podemos encontrar as alternativas e vencer o problema.
Suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens no mundo.
Uma série de estudos publicada no periódico "Lancet" chama a atenção para um assunto tabu: o suicídio.
Segundo um dos artigos, essa é a primeira causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos. Entre os homens, o suicídio ocupa o terceiro lugar, depois de acidentes de trânsito e da violência.
No Brasil, o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens, ficando atrás de acidentes e homicídios.
"As taxas sempre foram maiores na terceira idade. Hoje a gente observa que, entre os jovens, elas sobem assustadoramente", afirma Alexandrina Meleiro, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.
Entre os jovens, a taxa multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4 a cada 100 mil pessoas.
Segundo o estudo, os adolescentes evitam procurar ajuda por temerem o estigma e que rumores sobre seus pensamentos suicidas se espalhem pela escola.
Há outra mudança no perfil dos que cometem suicídio. O risco, que sempre foi maior entre homens, tem aumentado entre as meninas.
Segundo Meleiro, isso se deve a gestações precoces e não desejadas, prostituição e abuso de drogas.
SILÊNCIO
O problema, porém, é negligenciado, como mostram dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). A entidade afirma que os casos de suicídio aumentaram 60% nos últimos 45 anos e que 1 milhão de pessoas no mundo morrem dessa forma por ano.
No Brasil, estima-se que ocorram 24 suicídios por dia. O número de tentativas é até 20 vezes maior que o de mortes.
"O suicídio é uma epidemia silenciosa. E o preconceito em torno das doenças mentais faz com que as pessoas não procurem ajuda", diz Meleiro. Cerca de 90% dos suicídios estão ligados a transtornos mentais.
Segundo a OMS, pouco tem sido feito em termos de prevenção. Os pesquisadores, da Universidade de Oxford e da Universidade Stirling, na Escócia, dizem que mais pesquisas são necessárias para compreender os fatores de risco e melhorar a prevenção.
Uma estratégia é limitar o acesso a meios que facilitem o suicídio, como armas.
Meleiro diz ainda que as pessoas costumam dar sinais antes de uma tentativa. "Acredita-se que perguntar se a pessoa tem pensamentos suicidas vai estimulá-la, mas isso pode levá-la a procurar ajuda."
A psiquiatra da infância e da adolescência Jackeline Giusti, do Hospital das Clínicas da USP, afirma que é importante prestar atenção a sinais de automutilação nos adolescentes, porque a prática aumenta o risco de suicídio.
"Professores, clínicos e pediatras têm que ficar atentos a essa possibilidade e investigar. É um sinal de que algo não está legal e merece cuidados. Em geral os adolecescentes que se mutilam são deprimidos, têm ansiedade e têm uma dificuldade enorme pra dizer o que estão sentindo ou para pedir ajuda."
Fonte: Folha de São Paulo
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Sinais que devem servir de alerta para o risco de suicídio.
O suicídio é mais comum em jovens e depois na meia idade. Em jovens está quase sempre associado a transtornos psiquiátricos não diagnosticados ou não tratados ou a características de personalidade em que o indivíduo não possui recursos emocionais para lidar com as perdas ou com a sobrecarga emocional e acaba agindo impulsivamente e pondo fim precocemente à vida.
Na meia vida entram em jogo outros fatores ambientais, como perdas, endividamento, desemprego, mas a saúde mental muitas vezes é negligenciada.
Uma coisa importante: o tratamento psiquiátrico previne o suicídio! Afirmo isso, pois existem estudos com medicamentos capazes de proteger o paciente dessas ideias e, na prática, vemos muitos pacientes melhorando das ideias de suicídio quando começam a se tratar. Este efeito ocorre já no início do tratamento, antes mesmo que o paciente se recupere plenamente do transtorno mental, o que sabemos pode demorar um pouco mais.
Existem alguns sinais que devem servir de alerta e os pais não devem temer abordar o assunto abertamente, pois muitas vezes essas pessoas precisam e querem muito ajuda, mas ao mesmo tempo têm muito medo e preconceito. Para elas, saber que para as ideias de suicídio existe tratamento é um alento.
- distanciamento emocional e social (começa a ir mal na escola, desinteressa pelas atividades corriqueiras, pelos amigos ou pela família);
- reações extremadas de raiva, seja dirigida a terceiros ou a si próprio (auto-mutilação, ferir-se mesmo que de forma aparentemente despropositada);
- conflitos existenciais;
- bullying;
- interesse crescente por temas que envolvem violência, armas de fogo e morte (muitos procuram na internet por meios de se matar);
- ser displicente ou inconsequente com sua integridade física e segurança;
- sinais frequentes de alterações de humor: depressão, ansiedade, irritabilidade;
- distanciamento da realidade, avaliações deturpadas de eventos que ocorreram (p.ex. ideias de perseguição ou de culpa demasiada por algo que aparentemente não foi culpado).
Esses sinais servem de alerta para a necessidade de uma avaliação médica, não são específicos ou significam a eminência de uma tentativa de suicídio. O psiquiatra irá avaliar o paciente e seu contexto sócio-familiar para um diagnóstico mais assertivo do caso. O objetivo é que pais e educadores possam ter um papel preventivo na procura de tratamento o quanto antes, pois o suicídio muitas vezes é uma complicação de um transtorno mental não tratado a tempo.
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Suicídio: tragédia silenciosa
Chega ao Brasil o Saphris, novo antipsicótico com indicação na esquizofrenia e no TBH.
Chega este mês no Brasil um novo antipsicótico com indicação no tratamento da esquizofrenia e do transtorno bipolar. É o maleato de asenapina (nome comercial Saphris – laboratório Lundbeck), já comercializado nos EUA há 2 anos. A asenapina é do grupo dos antipsicóticos atípicos ou de segunda geração e o único de administração sublingual.
Em estudos comparativos com a risperidona (Risperdal) e a olanzapina (Zyprexa), a asenapina foi igualmente eficaz no controle dos sintomas positivos e negativos da esquizofrenia, bem como da mania e dos episódios mistos (depressão com mania) no transtorno bipolar.
A asenapina também mostrou-se eficaz no tratamento do transtorno bipolar e da esquizofrenia a longo prazo, bem como em pacientes esquizofrênicos com sintomas negativos predominantes (estudos de 26 a 52 semanas).
Seu perfil de tolerabilidade nos estudos que avaliaram a asenapina em comparação com risperidona e olanzapina é bom, com baixa incidência de efeitos extrapiramidais (tipo parkinsoniano), menor ganho de peso e pouca influência no colesterol, triglicerídeos, enzimas hepáticas e glicemia de jejum. Os efeitos colaterais mais comuns foram: dormência transitória na língua ou na boca após a administração, sonolência, insônia, náuseas, ansiedade e inquietação.
O Saphris está sendo comercializado na forma de comprimidos de 5mg em embalagens com 60 comprimidos. Está prevista também a comercialização de comprimidos de 10mg. Ele deve ser administrado duas vezes ao dia na forma sublingual, desintegrando-se em alguns segundos quando em contato com a saliva. O comprimido deve ser manuseado com as mãos secas e não deve ser mastigado ou engolido, pois isto altera a absorção. É recomendado que o paciente não beba água ou ingira alimentos por 10 minutos após a administração, pois isso também pode comprometer a biodisponibilidade.
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Depressão na gravidez e no pós-parto.
Depressão durante a gravidez é um problema sério: primeiro tira da mãe a oportunidade de curtir a gestação e interfere precocemente na relação que se estabelecerá entre a mãe e o bebê no puerpério, afinal a gestação daquela criança ficará marcada pela tristeza e pela angústia. Em segundo lugar, existem estudos que correlacionam depressão materna na gravidez com problemas obstétricos no parto, problemas para o desenvolvimento emocional e intelectual do bebê e também é fator de risco para outros problemas mentais no futuro daquela criança.
Depressão na gravidez é sempre um alerta também para a qualidade da vida desta mãe e de seu filho no pós-parto, pois é comum que a depressão se agrave após o parto. A maioria das mulheres que desenvolveram depressão pós-parto já tinha sinais de depressão na gravidez. Cuidar desta mãe durante a gravidez é fundamental para a prevenção e o tratamento da depressão pós-parto, quando as mudanças hormonais são mais marcantes.
Um dado preocupante é que a grande maioria das mulheres depressivas resiste a procurar o psiquiatra enquanto grávidas por crença de que a medicação poderá fazer mal ao feto e também retarda muito a procura por ajuda no puerpério. Geralmente chega ao consultório com quadros graves e muitos prejuízos para as relações com o seu bebê e sua família.
O que é preciso saber é que depressão na gravidez pode fazer mais mal ao feto do que a medicação que se utiliza para o tratamento. Da mesma forma, uma mãe deprimida amamentando seu filho forçosamente ou irritada, sem saber lidar com a sobrecarga do puerpério, fará muito mais mal ao bebê (e a si própria) e prejudicará a relação com este filho de forma muito mais contundente do que se procurasse tratamento a tempo.
É necessário esclarecer que existem medicamentos que podem ser utilizados na gestação e na amamentação, não se justificando protelar o tratamento. A mãe e a família precisam se conscientizar deste grave problema de saúde pública a fim de prevenir complicações e sequelas que relacionamentos precocemente perturbados por transtornos emocionais tratáveis podem trazer para a convivência familiar no futuro.
Sinais de depressão na gravidez ou puerpério que devem alertar para a necessidade de procurar tratamento:
- tristeza, angústia, crises de choro ou maior labilidade (emocionar-se muito facilmente com tudo)
- insônia e/ou aumento do sono diurno
- irritabilidade, intolerância, pavio curto, agressividade
- pensamentos de desesperança, de que não será ou não é boa mãe, de que o filho é um estorvo, um castigo, sentimento de culpa, rejeição ao bebê, idéias de suicídio ou tipo "se a vida me levasse não me importaria".
- distúrbio do apetite (ausência ou aumento do apetite além do normal)
- cansaço além do normal, desânimo, não vê prazer ou graça em nada
- não consegue cuidar da casa e do bebê, torna-se desorganizada ou negligente com as coisas
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Depressão Pós-Parto – Estudos sobre a Interação Mãe-Bebê na Depressão Pós-parto
Depressão e Transtorno Bipolar em Foco
Short-cuts: sonolência excessiva está relacionada com obesidade, depressão e estresse.
Esta queixa é muito frequente nos consultórios e está relacionada à baixa qualidade de sono noturno que ocorrem na depressão (por redução do sono REM), no estresse (por demora a iniciar o sono, geralmente associado a ruminações ou pensamentos residuais do dia) e na obesidade (como p.ex. por apneia do sono). É importante ressaltar que distúrbios do sono tanto podem ser consequência de um transtorno emocional, como podem predispor a pessoa a transtornos mentais no futuro, principalmente os transtorno de humor. Que tipo de transtorno a pessoa poderá desenvolver no futuro dependerá também de sua predisposição e vulnerabilidade individual, tanto biológica como psicossocial, portanto, dependendo do caso, estou me referindo inclusive aos transtornos mentais graves, como transtorno bipolar e psicoses. A conclusão a que se chega é a seguinte: procure ajuda médica tão logo observe sonolência excessiva ao longo do dia ou padrões alterados de sono. A prevenção é o melhor caminho!
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A obesidade e a depressão são os principais culpados pelo excesso de sonolência sentida por determinadas pessoas ao longo do dia. Essa é a conclusão que uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, chegou após realizar três estudos sobre o assunto. Todos os trabalhos serão apresentados nesta quarta-feira no SLEEP 2012, o encontro anual das Sociedades de Sono Associadas (APSS, na sigla em inglês), na cidade americana de Boston.
Em um dos trabalhos, 222 adultos que relatavam sentir sonolência excessiva durante o dia foram acompanhados ao longo de sete anos. Ao compararem as características dos participantes no início e no final do estudo, os pesquisadores observaram que aqueles que tinham obesidade ou depressão tinham mais chances de sofrerem com o problema da sonolência por mais tempo. Esse trabalho foi semelhante ao segundo estudo dos autores, que acompanhou 103 voluntários e chegou à mesma conclusão.
Na terceira pesquisa da equipe, os pesquisadores avaliaram 1.741 adultos e concluíram que aqueles que relatavam sentir muita sonolência e fadiga durante o dia também eram mais propensos a terem excesso de peso e sofrer de stress emocional.
“A sonolência excessiva se tornou uma epidemia, assim como a obesidade e o stress psicossocial. Os distúrbios do sono, do peso e a depressão deveriam ser nossas prioridades em termos de prevenção às complicações médicas e aos riscos de acidente apresentados pela sonolência durante o dia”, diz o coordenador das pesquisas Alexandros Vgontzas.
Fonte: Veja On Line
Quando a mente cai em tentação: estudo identifica área do cérebro capaz de agir de forma disciplinada.
A pessoa está extremamente determinada a não sair da dieta. Mas eis que uma barra de chocolate aparece à sua frente e, em questões de segundos, é devorada. O resultado é um dia inteiro de remorso pela frente, com uma pergunta que não sai da cabeça: por que fiz isso? Do ponto de vista neurocerebral, existe um culpado: o córtex prefrontal dorsolateral. Assim como os anjinhos dos desenhos animados, que fazem de tudo para evitar que alguém caia em tentação, essa região do cérebro é responsável pela tomada de decisões sensatas. Quando, porém, ela fica menos ativada, o risco de sair da linha é grande. Surge então o diabinho, que instiga a pessoa a agir de forma impensada.
Embora cientistas já tenham feito essa relação anteriormente, pela primeira vez ela foi comprovada com imagens. O neurocientista William Hedgcock, da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, observou, em exames de ressonância magnética funcional, o padrão de ativação do cérebro em situações nas quais os voluntários agiam dentro do esperado e naquelas em que perdiam o controle.
O cientista, que também é especialista em neuromarketing, explica que há uma área do cérebro, chamada córtex cingulado anterior, que reconhece uma situação na qual o autocontrole é exigido. Essa região não indica o que fazer, mas funciona como um alerta. Por exemplo, se a pessoa que está em dieta entra em uma sala em que há pizzas, hambúrgueres e pratos mais leves, como saladas, o córtex cingulado anterior é ativado, em um sinal de que há escolhas a serem feitas, sendo que algumas podem ser melhores que outras.
No teste realizado com voluntários, eles ficaram deitados dentro da máquina de ressonância e executaram duas tarefas relacionadas ao autocontrole. “A primeira tinha a ver com o controle da atenção. Eles tinham de manter os olhos fixados na figura de uma cruz no meio de uma tela, enquanto apareciam várias palavras, que deveriam ignorar. A segunda foi uma tarefa de escolha. Os participantes tinham de optar se atenderiam ao pedido de olhar apenas para a cruz ou se desviariam os olhos para ler as palavras. Estávamos interessados especialmente nessa segunda tarefa”, relata Hedgcock.
Nos dois casos, o córtex cingulado anterior se manteve ativado da mesma maneira, indicando que os participantes foram alertados por seus cérebros de que eles estavam diante de situações envolvidas com opções. Além disso, o córtex prefrontal dorsolateral – o “anjinho” que ajuda a fazer a coisa certa – mostrou estar em atividade. No segundo teste, porém, essa região se comportou de forma diferente. Os voluntários, já cansados, perderam o autocontrole e admitiram que não sabiam mais se olhavam para a cruz ou para as palavras. Nesses casos, o córtex prefrontal dorsolateral quase não foi diagnosticado nas imagens, de tão fraca a sua ativação.
Intervenções Segundo Hedgcock, o autocontrole é como uma fonte, que pode se esgotar. Isso significa que tentações em excesso diminuem a atividade do córtex prefrontal dorsolateral. “Não sabemos, somente com os dados do nosso estudo, se essa pode ser uma questão fisiológica. Porém, outras pesquisas já indicaram que algumas pessoas têm, naturalmente, uma menor atividade nessa região. Por exemplo, como essa é uma área que se desenvolve mais tarde, crianças têm uma capacidade menor nesse sentido. O envelhecimento também pode diminuir a atividade do córtex prefrontal dorsolateral, fazendo com que alguns idosos tenham menos autocontrole. Mas são especulações, não temos provas disso”, ressalta.
Apesar de o excesso de opções ou de tentações inibir a tomada de decisões acertadas, isso não significa que as pessoas, necessariamente, vão falhar quando estão determinadas a fazer alguma coisa que consideram importante. “É possível aumentar a motivação ou a força de vontade para lutar contra a falta de controle. No nosso teste, encorajamos as pessoas a pensarem em maneiras de exercer o autocontrole no futuro e elas disseram que isso ajudou”, diz o pesquisador.
Hedgcock conta que há diversas formas de fazer isso e uma delas é aprender a lidar com consequências desagradáveis. “Se você está de dieta e quer evitar comer um determinado tipo de comida, como fast-food, por exemplo, pode combinar com um amigo de pagar para ele toda vez que cair em tentação. Essa pena é uma consequência real da sua perda de autocontrole, então você vai se treinando a tomar a decisão acertada. Mas existem diversos tipos de intervenção que podem ser aplicados”, afirma.
Dedicação Para Thomas F. Denson, psicólogo da Universidade de New South Wales, na Austrália, treinar o autocontrole é como aprender a tocar piano: requer bastante prática e dedicação. Recentemente, ele escreveu um artigo sobre o assunto, no qual reforça a importância de exercer a força de vontade diariamente. “A falta de autocontrole está muito fortemente ligada à violência e à agressão. Muitos pesquisadores têm buscado estratégias para lidar com isso”, alerta. Denson acredita que o treino é uma boa maneira para lidar com comportamentos impulsivos.
Em um estudo, ele pediu que os voluntários destros passassem a usar mais a mão esquerda e vice-versa, durante duas semanas. “Eles tinham de fazer isso em tarefas cotidianas, que são basicamente automáticas, como girar a maçaneta da porta ou usar o mouse do computador”, conta. “No começo, é difícil, mas, aos poucos, as pessoas vão adquirindo prática. Então, da mesma forma, é possível praticar o autocontrole para coisas importantes, como corrigir uma postura errada ou não estourar toda vez que seu colega de trabalho faz uma coisa que te desagrada”, diz.
William Hedgcock acredita que sua pesquisa de neuroimagem, que deverá ser publicada em janeiro do ano que vem no Journal of Consumer Psychology, poderá ajudar no desenvolvimento de novas abordagens para lidar com o autocontrole. “O interessante de ver como o cérebro se comporta durante a falta de autocontrole é justamente poder estudar uma maneira de fazer com que essa falha seja consertada. Em casos graves, como vício em álcool ou drogas, dados sobre a ativação cerebral podem ajudar, inclusive, em intervenções farmacológicas. Mas mais pesquisas precisam ser feitas antes disso”, ressalta.
Fonte: Correio Braziliense
Bebês prematuros têm mais chances de desenvolver problemas psiquiátricos
Bebês prematuros têm mais chance de desenvolver uma saúde mental mais frágil ao longo da vida, afirma um estudo feito por pesquisadores britânicos e suecos. Desordem bipolar, depressão e psicose estão entre os problemas mais prováveis, sugere o trabalho, publicado nos Arquivos de Psiquiatria Geral.
Os riscos de que esses distúrbios sejam desenvolvidos são pequenos também entre os prematuros, mas ocorrem com mais incidência neste grupo que em pessoas que passaram nove meses na barriga das mães antes de nascer. Especialistas, por sua vez, dizem que houve nos últimos anos avanços significativos no processo de cuidado de bebês prematuros - que são aproximadamente um em cada 13 crianças recém-nascidas.
Os pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do King's College, de Londres, e do Karolinska Institute, de Estocolmo, analisaram dados de 1,3 milhão de pessoas nascidas na Suécia entre 1973 e 1985. Eles descobriram que cerca de 10,5 mil pessoas deram entrada em hospitais para tratar desordens psiquiátricas, e que destas, 580 eram prematuras.
De acordo com os especialistas, crianças que permaneceram 40 semanas - o período regular de 9 meses - na barriga de suas mães tiveram duas chances em mil de desenvolver esses distúrbios. Para os que a gestação durou 36 semanas, as chances foram de quatro em mil. Para os de 32 semanas, foram de seis em mil. Alguns dos bebês prematuros tiveram setes vezes mais chances de desenvolver desordem bipolar e quase três vezes mais de sofrer de depressão.
Chiara Norsati, uma das pesquisadoras, disse que os números reais, porém, podem ser ainda maiores, já que nem todos que desenvolveram os distúrbios podem ter procurado hospitais. Ela, porém, afirmou que a maioria dos bebês que nascem antes dos nove meses é perfeitamente saudável.
"Não acho que os pais devem se preocupar, mas sabemos que se o bebê é prematuro, é mais vulnerável a uma série de variáveis psiquiátricas e talvez deva ser monitorado caso demonstre sinai de problemas", disse, acrescentando que a "interrupção da gestação" pode afetar o desenvolvimento cerebral o feto.
Fonte: O Estado de São Paulo
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Casamento deixa as pessoas mais felizes
Pessoas casadas tendem a ser mais felizes a longo prazo do que os solteiros, sugere um novo estudo feito na Michigan State University. A pesquisa, publicada na edição online do Journal of Research in Personality, revela que embora o casamento não torne ninguém mais feliz do que era quando solteiro, parece proteger contra o declínio que ocorre na felicidade ao longo da vida adulta.
"Nosso estudo sugere que as pessoas, em média, são mais felizes do que teriam sido se não tivessem se casado", diz Stevie C.Y. Yap, pesquisador do departamento de psicologia da universidade.
Yap, Ivana Anusic e Richard Lucas estudaram dados de milhares de participantes em uma pesquisa de longo prazo. Eles queriam definir se a personalidade ajuda as pessoas a se adaptar a grandes eventos da vida, incluindo o casamento.
A resposta, essencialmente, foi não: traços de personalidade como consciência não ajudam as pessoas a lidar com acontecimentos como perder o emprego ou ter um filho.
"Estudos anteriores sugerem que a personalidade é importante em como as pessoas reagem a importantes acontecimentos", diz Yap. "Mas nós descobrimos que não há efeitos consistentes da personalidade em como as pessoas reagem e se adaptam a esses acontecimentos", diz ele.
Em geral, participantes com idades similares que não eram casados mostraram um declínio gradual na felicidade com a passagem dos anos. Aqueles que eram casados, no entanto, não seguiram essa tendência. Isso não quer dizer que o casamento aumentou o nível de satifação, observa Yap, mas pelo menos deixou o nível estável.
Fonte: Estado de São Paulo
Estudo investiga uso de remédio para tensão entre mulheres
A maioria das mulheres que fazem uso indevido de ansiolíticos compra os medicamentos com receita médica, mas apesar de serem acompanhadas por um profissional de saúde não recebem orientação adequada sobre os riscos do uso prolongado desse tipo de droga.
As conclusões estão em um artigo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O estudo qualitativo, financiado pela Fapesp e coordenado por Ana Regina Noto, entrevistou 33 mulheres entre 18 e 60 anos com o objetivo de compreender os padrões de uso indevido de benzodiazepínicos.
Essa classe de medicamentos – da qual fazem parte o Rivotril, o Dormonid e o Alprazolam – é indicada principalmente para tratar quadros de ansiedade e insônia. Seu uso por mais de quatro semanas, contudo, não é recomendado pelo risco de desenvolvimento de dependência.
No estudo da Unifesp, foram definidos como uso indevido os casos de pacientes que compraram o medicamento sem prescrição médica ou que consumiram a droga em quantidades ou prazos superiores ao recomendado.
“Levantamentos epidemiológicos têm indicado com frequência o uso abusivo de benzodiazepínicos e decidimos investigar esse fenômeno com mais profundidade. Optamos pelas mulheres porque é a população que esses estudos apontam como a de maior consumo”, contou Ana Regina.
Das 33 mulheres entrevistadas, 24 disseram receber acompanhamento médico e 30 afirmaram comprar o medicamento com receita apropriada. No entanto, apenas cinco entrevistadas souberam mencionar as principais orientações que devem ser dadas sobre o consumo de benzodiazepínicos: não usar em associação com o álcool, não dirigir sob o efeito da droga e o risco de dependência associado ao uso prolongado.
“Os benzodiazepínicos são drogas depressoras do sistema nervoso central e, se consumidas com álcool, esse efeito é potencializado. Isso diminui a coordenação motora e aumenta as chances de a paciente se envolver em vários tipos de acidente. É uma importante causa de queda entre os idosos”, afirmou a pesquisadora.
A maioria das entrevistadas afirmou usar a droga por períodos superiores ao recomendado. O tempo mencionado variou entre 50 dias e 37 anos, sendo que a mediana foi de sete anos. Apesar disso, apenas 16 mulheres reconheceram ser dependentes e a maioria afirmou que prefere assumir os riscos do uso crônico para manter os benefícios proporcionados pela droga.
“Alguns estudos sugerem que o uso de benzodiazepínicos ao longo de muitos anos pode trazer prejuízos cognitivos, afetando principalmente a memória. Mas a dependência em si já é um grande problema, pois faz com que a paciente perca sua autonomia e a capacidade de controlar seu próprio comportamento”, disse Ana Regina.
No artigo, algumas pacientes relatam sentir desespero e angústia ao perceber que os comprimidos estão acabando e ao pensar que teriam de ficar sem o medicamento. Dizem ainda sentir irritação e dificuldade para dormir quando estão sem a droga.
Segundo Ana Regina, a maioria das pesquisas científicas tem como tema o consumo de drogas ilegais, como crack, cocaína e maconha, mas também é preciso dar atenção ao uso de psicotrópicos vendidos na forma de medicamentos.
“O uso abusivo desse tipo de droga não é tão valorizado na sociedade, mas acontece. Os dependentes existem e não são identificados. Há subnotificação”, afirmou.
O relato das pacientes indica também que uma parcela dos médicos tem consciência do uso abusivo e facilita o acesso ao medicamento. “Nós tínhamos uma hipótese de que essas mulheres adquiriam os medicamentos de forma clandestina, mas não foi o observado. A maioria passa por um médico e consegue a receita”, disse a pesquisadora.
As pacientes, completou, desenvolvem estratégias ao longo do tempo para garantir o acesso à droga. “Vão mudando de médico ou já procuram um profissional que elas sabem que vai prescrever o medicamento. Elas vão aprendendo a fazer a queixa. Já sabem que com um determinado discurso vão conseguir a receita.”
Quando questionados sobre por que continuam prescrevendo a droga nesses casos, contou a pesquisadora, os médicos afirmam não existir alternativas na rede pública de saúde para lidar com a ansiedade e a insônia de suas pacientes.
“Seria preciso proporcionar acesso a atividades como ioga, meditação e outras técnicas de relaxamento. Além disso, é necessário conscientizar os médicos para que possam orientar adequadamente as pacientes.”
Fonte: Exame.com
Brasil registra remédio que pode prevenir HIV
O remédio Truvada, que recebeu o aval da comissão consultora da agência sanitária dos EUA para ser usado na prevenção de infecção pelo HIV, foi registrado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O antirretroviral é produzido pela Gilead.
Isso não significa, porém, que a droga passará automaticamente a ser usada no Brasil para tratamento de pacientes com HIV ou indicada antes de relações sexuais desprotegidas com parceiros soropositivos ou com situação sorológica desconhecida.
"O governo precisa discutir qual estratégia será adotada para o medicamento e chamar a sociedade para esse debate", diz Jorge Beloqui, do Grupo Incentivo à Vida de São Paulo.
No início do mês, uma comissão ligada ao FDA recomendou a indicação do uso da droga, uma combinação de tenofovir com emtricitabina na prevenção da aids. Isso permitiria que pessoas não contaminadas pudessem manter relações com soropositivos sem usar preservativo.
O remédio já é usado em vários países no tratamento de pacientes com aids. Se a autorização for concedida pelo FDA, a fabricante poderá também indicar o remédio para prevenir a infecção. O Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde afirmou que o registro da Anvisa não vai modificar, no momento, a estratégia brasileira de combate à doença.
O assessor do departamento, Ronaldo Hallal, argumenta que, embora alguns estudos mostrem que o remédio exerce um papel protetor, não está claro, ainda, como isso seria aplicado em uma ação de saúde pública.
Beloqui avalia que qualquer mudança na política de tratamento no País deveria ser precedida de pesquisas de aceitação e estudos-piloto. "É um assunto delicado. Claro que o remédio não pode ser usado em larga escala", comentou. Mas ele considera ser preciso avaliar a eficácia do uso do remédio como prevenção entre grupos com risco acrescido, como homens que fazem sexo com homens, por determinados períodos da vida.
Mário Scheffer, presidente do Grupo pela Vidda, elogia a cautela adotada pelo governo nesse debate. "Acho prematuro falar em adoção do remédio, até porque a Emea, a agência europeia, também não opinou sobre o tema." Ele diz, no entanto, que a discussão deve ocorrer. "Talvez para grupos altamente vulneráveis, uma seleção rigorosa. Mas não sem antes a realização de um estudo-piloto. Pessoas que usam o remédio têm de fazer acompanhamento periódico", pondera.
Fonte: Estado de São Paulo
Olanzapina (Zyprexa).
Olanzapina (Zyprexa) é um antipsicótico desenvolvido inicialmente para a esquizofrenia (1996) e depois aprovado para o tratamento do transtorno bipolar (2004), das fases maníacas, mistas e depressivas (esta última em associação com antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina) e também na manutenção a longo prazo, para prevenir recaídas.
Ela age em receptores de dopamina e de serotonina dos neurônios, reduzindo o excesso de dopamina, comum nos estados psicóticos e maníacos, e aumentando a serotonina, cuja falta está associada aos sintomas depressivos e ansiosos.
A olanzapina tem indicação aprovada pelo FDA (órgão que regula os medicamentos nos EUA) na depressão clássica (unipolar) em sua apresentação combinada com a fluoxetina (comercializada somente nos EUA).
A olanzapina vem sendo utilizada também no tratamento de transtornos de ansiedade, como ansiedade generalizada, estresse pós-traumático e transtorno do pânico, e de transtornos alimentares, embora essas indicações não estejam aprovadas por órgãos regulatórios, pois carecem ainda de estudos controlados.
Os efeitos colaterais mais comuns da olanzapina são sonolência, boca seca, coriza, aumento de apetite para doces e carboidratos, ganho de peso (mais no tratamento de longo prazo), edema ou inchaço nos pés. O ganho de peso ocorre geralmente em doses superiores a 5mg/d e pode ser minimizado se o paciente fizer atividades físicas regulares e cuidar de sua dieta.
Efeitos colaterais tradicionalmente associados aos antipsicóticos, como tremores, rigidez muscular, parkinsonismo, hipersalivação e inquietação são raros.
Laboratorialmente podem ocorrer aumento do colesterol, dos triglicerídeos, da glicose e das transaminases hepáticas, geralmente transitórios. A longo prazo existe um risco de síndrome metabólica em pacientes obesos, sedentários e/ou predispostos à diabetes. Exames de sangue periódicos devem ser feitos enquanto o paciente estiver sendo tratado com olanzapina para avaliar os riscos a longo prazo.
As doses usualmente recomendadas são:
2,5 a 5mg/d– depressão, ansiedade, alteração do comportamento em idosos
10 a 20mg/d – transtorno bipolar e esquizofrenia
Dose máxima recomendada: 20mg/d
No Brasil a olanzapina é comercializada pelo laboratório Eli Lilly sob o nome de Zyprexa em três apresentações:
Comprimidos orais de 2,5, 5 e 10mg
Comprimidos orodispersíveis (Zyprexa Zydis) de 5 e 10mg
Ampola para aplicação IM (Zyprexa IM) de 10mg
A Eli Lilly oferece um desconto para pacientes que se cadastrarem no programa do laboratório através dos SAC 0800 701 0444
Duloxetina (Cymbalta).
Duloxetina (Cymbalta) é um antidepressivo que atua ao mesmo tempo em dois sistemas de neurotransmissão: serotonina e noradrenalina. Por este motivo a duloxetina pertence à nova geração de antidepressivos conhecidos como duais, ou seja, que atuam em dois neurotransmissores envolvidos na depressão. A duloxetina inibe os receptores de recaptação de serotonina e noradrenalina na membrana dos neurônios, desta forma aumentando a concentração desses dois neurotransmissores na fenda sináptica. A depressão está associada com a queda na concentração de serotonina e noradrenalina.
A duloxetina possui outras indicações, como no tratamento de quadros de ansiedade, como ansiedade generalizada, dor crônica, como dor neuropática associada à diabetes, dores musculoesqueléticas, dor lombar crônica e fibroimialgia, e incontinência urinária devido ao estresse.
A duloxetina costuma ter boa tolerabilidade, porém alguns sintomas podem ocorrer em 10 a 20% dos pacientes no inicio do tratamento, como náuseas, boca seca, dores de cabeça, tonteira, diarreia, perda do apetite e redução da libido. Esses efeitos podem reduzir ou até mesmo desaparecer com a continuação do tratamento, à medida que o organismo vai se acostumando à medicação.
Efeitos colaterais de mais longo prazo são ganho de peso, geralmente leve a moderado e que pode ser controlado com dieta e atividades físicas, redução da libido, que pode requerer redução da dose ou substituição do medicamento (quando este efeito não minimiza com o decorrer do tratamento) e síndrome de descontinuação.
A síndrome de descontinuação é uma característica dos antidepressivos que atuam na serotonina, que quando retirados abruptamente podem causar um mal estar geral, ansiedade, taquicardia, tonteiras, enjoos. Portanto, não se recomenda a parada abrupta da duloxetina. Ela deve ser reduzida gradativamente de acordo com a orientação médica. A redução lenta também previne recaídas do quadro depressivo ou ansioso.
É recomendável monitoramento sanguíneo, pois a duloxetina pode aumentar transitoriamente as transaminases hepáticas.
A dose de duloxetina varia entre 30 e 120mg/d. Doses maiores que 90mg/d requerem monitoramento da pressão arterial (pode aumentar a pressão).
No Brasil a duloxetina é comercializada pelo laboratório Eli Lilly sob o nome de Cymbalta nas apresentações de 30mg (14 cápsulas) e 60 mg (28 cápsulas).
A Eli Lilly oferece um desconto para pacientes que se cadastrarem no programa do laboratório através dos SAC 0800 701 0444
Ácido Valpróico (Depakote).
Ácido valpróico ou valproato de sódio é uma molécula inicialmente desenvolvida para epilepsia graças às suas propriedades anticonvulsivantes, mas que se mostrou eficaz também como estabilizadora de humor e anti-enxaquecosa, com indicação no tratamento dos transtornos de humor, principalmente o transtorno bipolar (TBH), e da profilaxia das crises de enxaqueca. A mistura do sal valproato de sódio com o ácido valpróico forma o divalproato de sódio, composto comercializado pelo laboratório Abbott sob o nome de Depakote, que é a forma mais utilizada hoje em dia do ácido valpróico.
Ele age bloqueando canais de sódio e de cálcio da membrana dos neurônios, motivo pelo qual ele possui ação anticonvulsivante, e aumenta a concentração do neurotransmissor GABA na fenda sináptica, ação relacionada à propriedade estabilizadora de humor equivalente ao lítio.
Entre outras indicações o divalproato de sódio tem mostrado efeito positivo no controle de sintomas de ansiedade e pânico, impulsividade e reações agressivas, compulsão por drogas, depressão (é particularmente útil em depressões agitadas e na depressão pós-parto) e dor neuropática. É utilizado com frequência associado a antidepressivos, a outros estabilizadores de humor e aos antipsicóticos em pacientes com TBH, depressão e esquizofrenia.
A dose do divalproato de sódio pode ser monitorada no sangue para ver qual a dosagem oral um paciente necessita para alcançar a dose terapêutica no sangue (entre 50 e 100 pg/ml). Doses sanguíneas inferiores a 50 podem ser ineficazes e superiores a 100 podem aumentar o risco de intoxicação.
Esta dosagem no sangue deve ser feita com no mínimo 7 dias de tratamento com o medicamento na mesma dose oral (sem variação de dose) e o paciente deve colher o sangue pela manhã, sem se esquecer de tomar a dose da noite anterior. Se ele tiver que tomar a dose do medicamento pela manhã, deve fazê-lo somente após a coleta do sangue. Não é necessário jejum, a menos que o paciente vá fazer outros exames que exijam o jejum.
O divalproato de sódio costuma ser bem tolerado. Efeitos iniciais que podem ocorrer são sedação, sonolência, insônia, ansiedade, náuseas, dor de cabeça, tonteira e tremores, que geralmente reduzem com os dias de tratamento. A longo prazo podem ocorrer ganho de peso (por aumento de apetite ou ingesta de carboidratos) e queda de cabelo.
O ganho de peso não costuma ser um motivo para interrupção do tratamento e pode ser controlado com dieta e atividades físicas, havendo um momento de estabilização deste ganho e perda de peso, dependendo de cada paciente.
A queda de cabelo raramente deixa falhas no couro cabeludo, é percebido como maior quantidade de cabelo na escova ao se pentear, no banho ao enxaguar a cabeça e no travesseiro. A reposição de vitaminas contendo zinco e selênio (Vitergan Zinco PL) geralmente reverte a queda de cabelo, sendo raramente preciso interromper o tratamento.
É necessário um monitoramento periódico do sangue, pois o divalproato de sódio pode aumentar transitoriamente as transaminases hepáticas, reduzir as plaquetas, afetar a coagulação, embora esses efeitos sejam raros.
Geriatras alertam para os perigos da medicina antienvelhecimento.
Além da falta de comprovação científica quanto à sua eficácia, as novas terapias de combate aos efeitos do envelhecimento podem comprometer o bom funcionamento do organismo e aumentar os riscos de câncer, segundo a presidenta da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Silvia Pereira. A reposição de nutrientes e o uso de remédios, como hormônio do crescimento (GH), para ganhar músculos e queimar gordura com facilidade, podem aumentar a incidência de cânceres.
“Estão vendendo ilusão de antienvelhecimento para a população sem nenhuma comprovação científica e que pode fazer mal a saúde. Com a idade, o metabolismo mais lento e a ingestão de algumas substâncias podem aumentar o risco de várias doenças”, alertou a médica.
Segundo ela, estudos sobre vitaminas E, C e betacaroteno, por exemplo, apontam que, se consumidas em excesso, essas substâncias aumentam o risco de câncer e não reduzem doenças crônico-degenerativas. O tema será discutido durante o 18º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, que reunirá mais de 4 mil pessoas. O encontro começa amanhã (22) e termina na sexta-feira (25). Entre os convidados está o especialista em longevidade Tomas Perls, da Boston University School of Medicine, nos Estados Unidos.
O diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rubens de Fraga, ressaltou que velhice não é doença e, portanto, não deve ser prevenida. “Hoje os consumidores estão obcecados com o envelhecimento. Esse mercado gera US$ 100 bilhões por ano no mundo. Tem seu lado positivo, que é a busca da alimentação balanceada e do exercício físico. Mas tem o lado negativo, que é o medo das rugas e a idolatria dos ideais de juventude eterna. Os velhos são bibliotecas vivas e em muitos casos sustentam famílias inteiras. Não existe uma pílula mágica. O importante é buscar envelhecer com autonomia e independência.”
Ele criticou a venda dos chamados hormônios bioidênticos para retardar a velocidade do envelhecimento, que são produzidos em laboratório, e passam por um processo industrial de síntese, transformação ou de modificação na sua estrutura química. “Não existe estudo científico sério que ateste qualquer benefício dos hormônios chamados bioidênticos manipulados. A fabricação individualizada de um hormônio é praticamente impossível.”
Na sexta-feira, geriatras, gerontólogos e representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB), entre outros, vão discutir a criação de mecanismos para coibir a prática do antienvelhecimento no Brasil. O encontro será aberto ao público. Mais informações podem ser obtidas no site http://www.cbgg2012.com.br/
Fonte: Estado de São Paulo
Psiquiatra alerta famílias sobre os riscos dos "vícios digitais"
Pais que checam constantemente seus smartphones e tablets enquanto estão com seus filhos talvez os estejam influenciando a criar uma dependência por dispositivos digitais, disse o psiquiatra Aric Sigman, segundo o site Daily Mail. Ele fala que a "paternalidade passiva" diante do novo panorama da mídia também pode ser considerada uma forma de negligência.
Nesta quarta-feira o Dr. Sigman debaterá com um grupo de médicos britânicos este vício da atualidade, que pode causar danos físicos e mentais a uma geração. Estatísticas recentes mostram que adolescentes entre 12 e 15 anos de idade passam em média mais de seis horas por dia em frente a telas. Este quadro se aplica pricipalmente ao que acontece dentro de casa, e não em relação ao computador utilizado na escola, por exemplo.
Sigman acredita que a TV deveria ser "banida" entre as crianças e ser usada com bastante moderação entre os jovens. O médico também alerta aos pais que usam a tecnologia como uma "babá" que tal prática pode gerar problemas de saúde aos seus filhos.
O trabalho do psiquiatra, assim como estudos de outros pesquisadores, relacionam o tempo passado diante de telas com problemas de saúde que incluem obesidade, colesterol e pressão altos, sedentarismo e dificuldades para ler e fazer contas, e ainda distúrbios do sono e autismo. Alguns desses problemas podem ser causados simplesmente pela falta de exercícios ou dietas inadequadas, outros por mudanças hormonais ou efeitos na capacidade de atenção e concentração.
Estudos também revelam que a reação do cérebro a jogos de computadores é similar ao que se vê em casos de uso de álcool e drogas. Sigman afirma que dirá o seguinte durante a conferência anual do Royal College of Paediatrics and Child Health em Glasgow: "Muitas crianças e adultos estão abusando do uso de tecnologias e desenvolveram uma dependência que não é saudável".
Na opinião do médico, as televisões deveriam ser retiradas do quartos. Ele também defende que crianças mais jovens, em pleno desenvolvimento cerebral, não deveriam assistir TV de forma alguma. Entre os três e os sete anos de idade, crianças não deveriam assistir mais do que uma hora e meia de TV por dia. Já as crianças mais velhas deveriam se contentar com somente duas horas diárias de TV e jogos no computador.
"Um grande número de estudos está descobrindo que regras criadas pelos pais para limitar o tempo que os filhos pasam diante de telas, como retirar a TV do quarto, tem se mostrado efetivas em reduzir tal comportamento nas crianças", diz Sigman, que não é o primeiro a alertar sobre os perigos da estreita relação que as gerações mais jovens tem com a tecnologia.
Uma pesquisa da Mental Health Foundation mostra que a obsessão dos jovens britânicos com as redes sociais criou uma geração "Eleanor Rigby" (termo inspirado na canção de mesmo nome dos Beatles, que fala sobre pessoas solitárias), afastada da família e dos amigos.
A pesquisadora britânica Susan Greenfield, avisou repetidamente sobre o quanto as redes socias poderiam estar prejudicando o cérebro infantil, diminuindo a capacidade de atenção, encorajando as gratificações instantâneas e fazendo dos jovens indivíduos mais egocêntricos.
Segundo estudos, o uso constante do computador também poderia "infantilizar" o cérebro, tornando o aprendizado uma tarefa mais difícil.
Fonte: Terra
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