Bebês prematuros têm mais chances de desenvolver problemas psiquiátricos
Bebês prematuros têm mais chance de desenvolver uma saúde mental mais frágil ao longo da vida, afirma um estudo feito por pesquisadores britânicos e suecos. Desordem bipolar, depressão e psicose estão entre os problemas mais prováveis, sugere o trabalho, publicado nos Arquivos de Psiquiatria Geral.
Os riscos de que esses distúrbios sejam desenvolvidos são pequenos também entre os prematuros, mas ocorrem com mais incidência neste grupo que em pessoas que passaram nove meses na barriga das mães antes de nascer. Especialistas, por sua vez, dizem que houve nos últimos anos avanços significativos no processo de cuidado de bebês prematuros - que são aproximadamente um em cada 13 crianças recém-nascidas.
Os pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do King's College, de Londres, e do Karolinska Institute, de Estocolmo, analisaram dados de 1,3 milhão de pessoas nascidas na Suécia entre 1973 e 1985. Eles descobriram que cerca de 10,5 mil pessoas deram entrada em hospitais para tratar desordens psiquiátricas, e que destas, 580 eram prematuras.
De acordo com os especialistas, crianças que permaneceram 40 semanas - o período regular de 9 meses - na barriga de suas mães tiveram duas chances em mil de desenvolver esses distúrbios. Para os que a gestação durou 36 semanas, as chances foram de quatro em mil. Para os de 32 semanas, foram de seis em mil. Alguns dos bebês prematuros tiveram setes vezes mais chances de desenvolver desordem bipolar e quase três vezes mais de sofrer de depressão.
Chiara Norsati, uma das pesquisadoras, disse que os números reais, porém, podem ser ainda maiores, já que nem todos que desenvolveram os distúrbios podem ter procurado hospitais. Ela, porém, afirmou que a maioria dos bebês que nascem antes dos nove meses é perfeitamente saudável.
"Não acho que os pais devem se preocupar, mas sabemos que se o bebê é prematuro, é mais vulnerável a uma série de variáveis psiquiátricas e talvez deva ser monitorado caso demonstre sinai de problemas", disse, acrescentando que a "interrupção da gestação" pode afetar o desenvolvimento cerebral o feto.
Fonte: O Estado de São Paulo
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Casamento deixa as pessoas mais felizes
Pessoas casadas tendem a ser mais felizes a longo prazo do que os solteiros, sugere um novo estudo feito na Michigan State University. A pesquisa, publicada na edição online do Journal of Research in Personality, revela que embora o casamento não torne ninguém mais feliz do que era quando solteiro, parece proteger contra o declínio que ocorre na felicidade ao longo da vida adulta.
"Nosso estudo sugere que as pessoas, em média, são mais felizes do que teriam sido se não tivessem se casado", diz Stevie C.Y. Yap, pesquisador do departamento de psicologia da universidade.
Yap, Ivana Anusic e Richard Lucas estudaram dados de milhares de participantes em uma pesquisa de longo prazo. Eles queriam definir se a personalidade ajuda as pessoas a se adaptar a grandes eventos da vida, incluindo o casamento.
A resposta, essencialmente, foi não: traços de personalidade como consciência não ajudam as pessoas a lidar com acontecimentos como perder o emprego ou ter um filho.
"Estudos anteriores sugerem que a personalidade é importante em como as pessoas reagem a importantes acontecimentos", diz Yap. "Mas nós descobrimos que não há efeitos consistentes da personalidade em como as pessoas reagem e se adaptam a esses acontecimentos", diz ele.
Em geral, participantes com idades similares que não eram casados mostraram um declínio gradual na felicidade com a passagem dos anos. Aqueles que eram casados, no entanto, não seguiram essa tendência. Isso não quer dizer que o casamento aumentou o nível de satifação, observa Yap, mas pelo menos deixou o nível estável.
Fonte: Estado de São Paulo
Estudo investiga uso de remédio para tensão entre mulheres
A maioria das mulheres que fazem uso indevido de ansiolíticos compra os medicamentos com receita médica, mas apesar de serem acompanhadas por um profissional de saúde não recebem orientação adequada sobre os riscos do uso prolongado desse tipo de droga.
As conclusões estão em um artigo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O estudo qualitativo, financiado pela Fapesp e coordenado por Ana Regina Noto, entrevistou 33 mulheres entre 18 e 60 anos com o objetivo de compreender os padrões de uso indevido de benzodiazepínicos.
Essa classe de medicamentos – da qual fazem parte o Rivotril, o Dormonid e o Alprazolam – é indicada principalmente para tratar quadros de ansiedade e insônia. Seu uso por mais de quatro semanas, contudo, não é recomendado pelo risco de desenvolvimento de dependência.
No estudo da Unifesp, foram definidos como uso indevido os casos de pacientes que compraram o medicamento sem prescrição médica ou que consumiram a droga em quantidades ou prazos superiores ao recomendado.
“Levantamentos epidemiológicos têm indicado com frequência o uso abusivo de benzodiazepínicos e decidimos investigar esse fenômeno com mais profundidade. Optamos pelas mulheres porque é a população que esses estudos apontam como a de maior consumo”, contou Ana Regina.
Das 33 mulheres entrevistadas, 24 disseram receber acompanhamento médico e 30 afirmaram comprar o medicamento com receita apropriada. No entanto, apenas cinco entrevistadas souberam mencionar as principais orientações que devem ser dadas sobre o consumo de benzodiazepínicos: não usar em associação com o álcool, não dirigir sob o efeito da droga e o risco de dependência associado ao uso prolongado.
“Os benzodiazepínicos são drogas depressoras do sistema nervoso central e, se consumidas com álcool, esse efeito é potencializado. Isso diminui a coordenação motora e aumenta as chances de a paciente se envolver em vários tipos de acidente. É uma importante causa de queda entre os idosos”, afirmou a pesquisadora.
A maioria das entrevistadas afirmou usar a droga por períodos superiores ao recomendado. O tempo mencionado variou entre 50 dias e 37 anos, sendo que a mediana foi de sete anos. Apesar disso, apenas 16 mulheres reconheceram ser dependentes e a maioria afirmou que prefere assumir os riscos do uso crônico para manter os benefícios proporcionados pela droga.
“Alguns estudos sugerem que o uso de benzodiazepínicos ao longo de muitos anos pode trazer prejuízos cognitivos, afetando principalmente a memória. Mas a dependência em si já é um grande problema, pois faz com que a paciente perca sua autonomia e a capacidade de controlar seu próprio comportamento”, disse Ana Regina.
No artigo, algumas pacientes relatam sentir desespero e angústia ao perceber que os comprimidos estão acabando e ao pensar que teriam de ficar sem o medicamento. Dizem ainda sentir irritação e dificuldade para dormir quando estão sem a droga.
Segundo Ana Regina, a maioria das pesquisas científicas tem como tema o consumo de drogas ilegais, como crack, cocaína e maconha, mas também é preciso dar atenção ao uso de psicotrópicos vendidos na forma de medicamentos.
“O uso abusivo desse tipo de droga não é tão valorizado na sociedade, mas acontece. Os dependentes existem e não são identificados. Há subnotificação”, afirmou.
O relato das pacientes indica também que uma parcela dos médicos tem consciência do uso abusivo e facilita o acesso ao medicamento. “Nós tínhamos uma hipótese de que essas mulheres adquiriam os medicamentos de forma clandestina, mas não foi o observado. A maioria passa por um médico e consegue a receita”, disse a pesquisadora.
As pacientes, completou, desenvolvem estratégias ao longo do tempo para garantir o acesso à droga. “Vão mudando de médico ou já procuram um profissional que elas sabem que vai prescrever o medicamento. Elas vão aprendendo a fazer a queixa. Já sabem que com um determinado discurso vão conseguir a receita.”
Quando questionados sobre por que continuam prescrevendo a droga nesses casos, contou a pesquisadora, os médicos afirmam não existir alternativas na rede pública de saúde para lidar com a ansiedade e a insônia de suas pacientes.
“Seria preciso proporcionar acesso a atividades como ioga, meditação e outras técnicas de relaxamento. Além disso, é necessário conscientizar os médicos para que possam orientar adequadamente as pacientes.”
Fonte: Exame.com
Brasil registra remédio que pode prevenir HIV
O remédio Truvada, que recebeu o aval da comissão consultora da agência sanitária dos EUA para ser usado na prevenção de infecção pelo HIV, foi registrado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O antirretroviral é produzido pela Gilead.
Isso não significa, porém, que a droga passará automaticamente a ser usada no Brasil para tratamento de pacientes com HIV ou indicada antes de relações sexuais desprotegidas com parceiros soropositivos ou com situação sorológica desconhecida.
"O governo precisa discutir qual estratégia será adotada para o medicamento e chamar a sociedade para esse debate", diz Jorge Beloqui, do Grupo Incentivo à Vida de São Paulo.
No início do mês, uma comissão ligada ao FDA recomendou a indicação do uso da droga, uma combinação de tenofovir com emtricitabina na prevenção da aids. Isso permitiria que pessoas não contaminadas pudessem manter relações com soropositivos sem usar preservativo.
O remédio já é usado em vários países no tratamento de pacientes com aids. Se a autorização for concedida pelo FDA, a fabricante poderá também indicar o remédio para prevenir a infecção. O Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde afirmou que o registro da Anvisa não vai modificar, no momento, a estratégia brasileira de combate à doença.
O assessor do departamento, Ronaldo Hallal, argumenta que, embora alguns estudos mostrem que o remédio exerce um papel protetor, não está claro, ainda, como isso seria aplicado em uma ação de saúde pública.
Beloqui avalia que qualquer mudança na política de tratamento no País deveria ser precedida de pesquisas de aceitação e estudos-piloto. "É um assunto delicado. Claro que o remédio não pode ser usado em larga escala", comentou. Mas ele considera ser preciso avaliar a eficácia do uso do remédio como prevenção entre grupos com risco acrescido, como homens que fazem sexo com homens, por determinados períodos da vida.
Mário Scheffer, presidente do Grupo pela Vidda, elogia a cautela adotada pelo governo nesse debate. "Acho prematuro falar em adoção do remédio, até porque a Emea, a agência europeia, também não opinou sobre o tema." Ele diz, no entanto, que a discussão deve ocorrer. "Talvez para grupos altamente vulneráveis, uma seleção rigorosa. Mas não sem antes a realização de um estudo-piloto. Pessoas que usam o remédio têm de fazer acompanhamento periódico", pondera.
Fonte: Estado de São Paulo
Olanzapina (Zyprexa).
Olanzapina (Zyprexa) é um antipsicótico desenvolvido inicialmente para a esquizofrenia (1996) e depois aprovado para o tratamento do transtorno bipolar (2004), das fases maníacas, mistas e depressivas (esta última em associação com antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina) e também na manutenção a longo prazo, para prevenir recaídas.
Ela age em receptores de dopamina e de serotonina dos neurônios, reduzindo o excesso de dopamina, comum nos estados psicóticos e maníacos, e aumentando a serotonina, cuja falta está associada aos sintomas depressivos e ansiosos.
A olanzapina tem indicação aprovada pelo FDA (órgão que regula os medicamentos nos EUA) na depressão clássica (unipolar) em sua apresentação combinada com a fluoxetina (comercializada somente nos EUA).
A olanzapina vem sendo utilizada também no tratamento de transtornos de ansiedade, como ansiedade generalizada, estresse pós-traumático e transtorno do pânico, e de transtornos alimentares, embora essas indicações não estejam aprovadas por órgãos regulatórios, pois carecem ainda de estudos controlados.
Os efeitos colaterais mais comuns da olanzapina são sonolência, boca seca, coriza, aumento de apetite para doces e carboidratos, ganho de peso (mais no tratamento de longo prazo), edema ou inchaço nos pés. O ganho de peso ocorre geralmente em doses superiores a 5mg/d e pode ser minimizado se o paciente fizer atividades físicas regulares e cuidar de sua dieta.
Efeitos colaterais tradicionalmente associados aos antipsicóticos, como tremores, rigidez muscular, parkinsonismo, hipersalivação e inquietação são raros.
Laboratorialmente podem ocorrer aumento do colesterol, dos triglicerídeos, da glicose e das transaminases hepáticas, geralmente transitórios. A longo prazo existe um risco de síndrome metabólica em pacientes obesos, sedentários e/ou predispostos à diabetes. Exames de sangue periódicos devem ser feitos enquanto o paciente estiver sendo tratado com olanzapina para avaliar os riscos a longo prazo.
As doses usualmente recomendadas são:
2,5 a 5mg/d– depressão, ansiedade, alteração do comportamento em idosos
10 a 20mg/d – transtorno bipolar e esquizofrenia
Dose máxima recomendada: 20mg/d
No Brasil a olanzapina é comercializada pelo laboratório Eli Lilly sob o nome de Zyprexa em três apresentações:
Comprimidos orais de 2,5, 5 e 10mg
Comprimidos orodispersíveis (Zyprexa Zydis) de 5 e 10mg
Ampola para aplicação IM (Zyprexa IM) de 10mg
A Eli Lilly oferece um desconto para pacientes que se cadastrarem no programa do laboratório através dos SAC 0800 701 0444
Duloxetina (Cymbalta).
Duloxetina (Cymbalta) é um antidepressivo que atua ao mesmo tempo em dois sistemas de neurotransmissão: serotonina e noradrenalina. Por este motivo a duloxetina pertence à nova geração de antidepressivos conhecidos como duais, ou seja, que atuam em dois neurotransmissores envolvidos na depressão. A duloxetina inibe os receptores de recaptação de serotonina e noradrenalina na membrana dos neurônios, desta forma aumentando a concentração desses dois neurotransmissores na fenda sináptica. A depressão está associada com a queda na concentração de serotonina e noradrenalina.
A duloxetina possui outras indicações, como no tratamento de quadros de ansiedade, como ansiedade generalizada, dor crônica, como dor neuropática associada à diabetes, dores musculoesqueléticas, dor lombar crônica e fibroimialgia, e incontinência urinária devido ao estresse.
A duloxetina costuma ter boa tolerabilidade, porém alguns sintomas podem ocorrer em 10 a 20% dos pacientes no inicio do tratamento, como náuseas, boca seca, dores de cabeça, tonteira, diarreia, perda do apetite e redução da libido. Esses efeitos podem reduzir ou até mesmo desaparecer com a continuação do tratamento, à medida que o organismo vai se acostumando à medicação.
Efeitos colaterais de mais longo prazo são ganho de peso, geralmente leve a moderado e que pode ser controlado com dieta e atividades físicas, redução da libido, que pode requerer redução da dose ou substituição do medicamento (quando este efeito não minimiza com o decorrer do tratamento) e síndrome de descontinuação.
A síndrome de descontinuação é uma característica dos antidepressivos que atuam na serotonina, que quando retirados abruptamente podem causar um mal estar geral, ansiedade, taquicardia, tonteiras, enjoos. Portanto, não se recomenda a parada abrupta da duloxetina. Ela deve ser reduzida gradativamente de acordo com a orientação médica. A redução lenta também previne recaídas do quadro depressivo ou ansioso.
É recomendável monitoramento sanguíneo, pois a duloxetina pode aumentar transitoriamente as transaminases hepáticas.
A dose de duloxetina varia entre 30 e 120mg/d. Doses maiores que 90mg/d requerem monitoramento da pressão arterial (pode aumentar a pressão).
No Brasil a duloxetina é comercializada pelo laboratório Eli Lilly sob o nome de Cymbalta nas apresentações de 30mg (14 cápsulas) e 60 mg (28 cápsulas).
A Eli Lilly oferece um desconto para pacientes que se cadastrarem no programa do laboratório através dos SAC 0800 701 0444
Ácido Valpróico (Depakote).
Ácido valpróico ou valproato de sódio é uma molécula inicialmente desenvolvida para epilepsia graças às suas propriedades anticonvulsivantes, mas que se mostrou eficaz também como estabilizadora de humor e anti-enxaquecosa, com indicação no tratamento dos transtornos de humor, principalmente o transtorno bipolar (TBH), e da profilaxia das crises de enxaqueca. A mistura do sal valproato de sódio com o ácido valpróico forma o divalproato de sódio, composto comercializado pelo laboratório Abbott sob o nome de Depakote, que é a forma mais utilizada hoje em dia do ácido valpróico.
Ele age bloqueando canais de sódio e de cálcio da membrana dos neurônios, motivo pelo qual ele possui ação anticonvulsivante, e aumenta a concentração do neurotransmissor GABA na fenda sináptica, ação relacionada à propriedade estabilizadora de humor equivalente ao lítio.
Entre outras indicações o divalproato de sódio tem mostrado efeito positivo no controle de sintomas de ansiedade e pânico, impulsividade e reações agressivas, compulsão por drogas, depressão (é particularmente útil em depressões agitadas e na depressão pós-parto) e dor neuropática. É utilizado com frequência associado a antidepressivos, a outros estabilizadores de humor e aos antipsicóticos em pacientes com TBH, depressão e esquizofrenia.
A dose do divalproato de sódio pode ser monitorada no sangue para ver qual a dosagem oral um paciente necessita para alcançar a dose terapêutica no sangue (entre 50 e 100 pg/ml). Doses sanguíneas inferiores a 50 podem ser ineficazes e superiores a 100 podem aumentar o risco de intoxicação.
Esta dosagem no sangue deve ser feita com no mínimo 7 dias de tratamento com o medicamento na mesma dose oral (sem variação de dose) e o paciente deve colher o sangue pela manhã, sem se esquecer de tomar a dose da noite anterior. Se ele tiver que tomar a dose do medicamento pela manhã, deve fazê-lo somente após a coleta do sangue. Não é necessário jejum, a menos que o paciente vá fazer outros exames que exijam o jejum.
O divalproato de sódio costuma ser bem tolerado. Efeitos iniciais que podem ocorrer são sedação, sonolência, insônia, ansiedade, náuseas, dor de cabeça, tonteira e tremores, que geralmente reduzem com os dias de tratamento. A longo prazo podem ocorrer ganho de peso (por aumento de apetite ou ingesta de carboidratos) e queda de cabelo.
O ganho de peso não costuma ser um motivo para interrupção do tratamento e pode ser controlado com dieta e atividades físicas, havendo um momento de estabilização deste ganho e perda de peso, dependendo de cada paciente.
A queda de cabelo raramente deixa falhas no couro cabeludo, é percebido como maior quantidade de cabelo na escova ao se pentear, no banho ao enxaguar a cabeça e no travesseiro. A reposição de vitaminas contendo zinco e selênio (Vitergan Zinco PL) geralmente reverte a queda de cabelo, sendo raramente preciso interromper o tratamento.
É necessário um monitoramento periódico do sangue, pois o divalproato de sódio pode aumentar transitoriamente as transaminases hepáticas, reduzir as plaquetas, afetar a coagulação, embora esses efeitos sejam raros.
Geriatras alertam para os perigos da medicina antienvelhecimento.
Além da falta de comprovação científica quanto à sua eficácia, as novas terapias de combate aos efeitos do envelhecimento podem comprometer o bom funcionamento do organismo e aumentar os riscos de câncer, segundo a presidenta da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Silvia Pereira. A reposição de nutrientes e o uso de remédios, como hormônio do crescimento (GH), para ganhar músculos e queimar gordura com facilidade, podem aumentar a incidência de cânceres.
“Estão vendendo ilusão de antienvelhecimento para a população sem nenhuma comprovação científica e que pode fazer mal a saúde. Com a idade, o metabolismo mais lento e a ingestão de algumas substâncias podem aumentar o risco de várias doenças”, alertou a médica.
Segundo ela, estudos sobre vitaminas E, C e betacaroteno, por exemplo, apontam que, se consumidas em excesso, essas substâncias aumentam o risco de câncer e não reduzem doenças crônico-degenerativas. O tema será discutido durante o 18º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, que reunirá mais de 4 mil pessoas. O encontro começa amanhã (22) e termina na sexta-feira (25). Entre os convidados está o especialista em longevidade Tomas Perls, da Boston University School of Medicine, nos Estados Unidos.
O diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rubens de Fraga, ressaltou que velhice não é doença e, portanto, não deve ser prevenida. “Hoje os consumidores estão obcecados com o envelhecimento. Esse mercado gera US$ 100 bilhões por ano no mundo. Tem seu lado positivo, que é a busca da alimentação balanceada e do exercício físico. Mas tem o lado negativo, que é o medo das rugas e a idolatria dos ideais de juventude eterna. Os velhos são bibliotecas vivas e em muitos casos sustentam famílias inteiras. Não existe uma pílula mágica. O importante é buscar envelhecer com autonomia e independência.”
Ele criticou a venda dos chamados hormônios bioidênticos para retardar a velocidade do envelhecimento, que são produzidos em laboratório, e passam por um processo industrial de síntese, transformação ou de modificação na sua estrutura química. “Não existe estudo científico sério que ateste qualquer benefício dos hormônios chamados bioidênticos manipulados. A fabricação individualizada de um hormônio é praticamente impossível.”
Na sexta-feira, geriatras, gerontólogos e representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB), entre outros, vão discutir a criação de mecanismos para coibir a prática do antienvelhecimento no Brasil. O encontro será aberto ao público. Mais informações podem ser obtidas no site http://www.cbgg2012.com.br/
Fonte: Estado de São Paulo
Psiquiatra alerta famílias sobre os riscos dos "vícios digitais"
Pais que checam constantemente seus smartphones e tablets enquanto estão com seus filhos talvez os estejam influenciando a criar uma dependência por dispositivos digitais, disse o psiquiatra Aric Sigman, segundo o site Daily Mail. Ele fala que a "paternalidade passiva" diante do novo panorama da mídia também pode ser considerada uma forma de negligência.
Nesta quarta-feira o Dr. Sigman debaterá com um grupo de médicos britânicos este vício da atualidade, que pode causar danos físicos e mentais a uma geração. Estatísticas recentes mostram que adolescentes entre 12 e 15 anos de idade passam em média mais de seis horas por dia em frente a telas. Este quadro se aplica pricipalmente ao que acontece dentro de casa, e não em relação ao computador utilizado na escola, por exemplo.
Sigman acredita que a TV deveria ser "banida" entre as crianças e ser usada com bastante moderação entre os jovens. O médico também alerta aos pais que usam a tecnologia como uma "babá" que tal prática pode gerar problemas de saúde aos seus filhos.
O trabalho do psiquiatra, assim como estudos de outros pesquisadores, relacionam o tempo passado diante de telas com problemas de saúde que incluem obesidade, colesterol e pressão altos, sedentarismo e dificuldades para ler e fazer contas, e ainda distúrbios do sono e autismo. Alguns desses problemas podem ser causados simplesmente pela falta de exercícios ou dietas inadequadas, outros por mudanças hormonais ou efeitos na capacidade de atenção e concentração.
Estudos também revelam que a reação do cérebro a jogos de computadores é similar ao que se vê em casos de uso de álcool e drogas. Sigman afirma que dirá o seguinte durante a conferência anual do Royal College of Paediatrics and Child Health em Glasgow: "Muitas crianças e adultos estão abusando do uso de tecnologias e desenvolveram uma dependência que não é saudável".
Na opinião do médico, as televisões deveriam ser retiradas do quartos. Ele também defende que crianças mais jovens, em pleno desenvolvimento cerebral, não deveriam assistir TV de forma alguma. Entre os três e os sete anos de idade, crianças não deveriam assistir mais do que uma hora e meia de TV por dia. Já as crianças mais velhas deveriam se contentar com somente duas horas diárias de TV e jogos no computador.
"Um grande número de estudos está descobrindo que regras criadas pelos pais para limitar o tempo que os filhos pasam diante de telas, como retirar a TV do quarto, tem se mostrado efetivas em reduzir tal comportamento nas crianças", diz Sigman, que não é o primeiro a alertar sobre os perigos da estreita relação que as gerações mais jovens tem com a tecnologia.
Uma pesquisa da Mental Health Foundation mostra que a obsessão dos jovens britânicos com as redes sociais criou uma geração "Eleanor Rigby" (termo inspirado na canção de mesmo nome dos Beatles, que fala sobre pessoas solitárias), afastada da família e dos amigos.
A pesquisadora britânica Susan Greenfield, avisou repetidamente sobre o quanto as redes socias poderiam estar prejudicando o cérebro infantil, diminuindo a capacidade de atenção, encorajando as gratificações instantâneas e fazendo dos jovens indivíduos mais egocêntricos.
Segundo estudos, o uso constante do computador também poderia "infantilizar" o cérebro, tornando o aprendizado uma tarefa mais difícil.
Fonte: Terra
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Quetiapina (Seroquel).
Quetiapina (Seroquel) é uma droga antipsicótica desenvolvida inicialmente para esquizofrenia, para qual foi aprovada em 1997 pelo órgão regulatório norte-americano FDA. Em 2008 foi aprovada também para o tratamento do transtorno bipolar (TBH), tanto das fases maníacas como das depressivas e como tratamento de manutenção para evitar recaídas. Mais recentemente a quetiapina tem sido estudada na depressão unipolar (depressão clássica) e na ansiedade generalizada como monoterapia e com excelentes resultados.
Ela age no cérebro bloqueando os receptores de dopamina, estimulando receptores de serotonina e inibindo a bomba de recaptação de noradrenalina, atuando desta forma nos três sistemas de neurotransmissão (dopamina, serotonina e noradrenalina), o que justifica sua ação na psicose, na mania, na depressão e na ansiedade.
Em 2007 foi desenvolvido o comprimido de liberação prolongada (Seroquel XRO) que têm como vantagem a tomada única diária com a redução dos efeitos sedativos (por não haver o pico plasmático da droga em função de sua liberação no intestino ser prolongada).
O efeito colateral principal da quetiapina é a sedação. Geralmente esta sedação é de 10 a 12 horas após a tomada do comprimido, reduzindo significativamente após 2 semanas de tratamento, sendo a sedação maior com o comprimido de liberação imediata do que com o de liberação controlada (XRO). É recomendável que o paciente tome o medicamento mais cedo, por volta de 20 ou 21h, para evitar a sonolência no dia seguinte de manhã.
Outros efeitos colaterais que podem ocorrer são boca seca, tonteira (associada a sensação de sonolência), aumento de apetite e ganho de peso (mais no tratamento de longo prazo). O ganho de peso ocorre geralmente em doses superiores a 400mg/d e dificilmente é a razão para descontinuação do medicamento, principalmente se o paciente fizer atividades físicas regulares e cuidar de sua dieta. Em doses maiores do que 400mg apenas 10% dos pacientes ganharam mais do que 7% do peso que tinham antes do tratamento segundo os dados do estudo com Seroquel.
Efeitos colaterais tradicionalmente associados aos antipsicóticos, como tremores, rigidez muscular, parkinsonismo, hipersalivação, inquietação são muito raros e mostraram-se equivalente ao placebo nos estudos comparativos.
Laboratorialmente pode ocorrer aumento discreto do colesterol, dos triglicerídeos e da glicose, aumentando o risco de síndrome metabólica em pacientes obesos, sedentários e/ou predispostos à diabetes. Exames de sangue periódicos devem ser feitos enquanto o paciente estiver sendo tratado com Quetiapina para avaliar o risco a longo prazo.
As doses usualmente recomendadas são:
XRO 50 – 150 – 300 mg/d – depressão unipolar e ansiedade generalizada
XRO 300mg/d – depressão bipolar
XRO 300-600mg/d – mania, tratamento de manutenção do TBH e esquizofrenia
Dose máxima recomendada: 800mg/d
Na prática clínica tem-se utilizado a quetiapina de liberação imediata como hipnótico em pacientes que tenham contra-indicação do uso de tranquilizantes ou que tenham insônia resistente aos hipnóticos tradicionais.
O uso de quetiapina em idosos tem-se mostrado seguro, sendo uma opção útil nas crises de ansiedade, insônia ou em alterações do comportamento.
A quetiapina foi desenvolvida e é comercializada pelo laboratório AstraZeneca sob o nome de Seroquel e Seroquel XRO.
Cientistas identificam os genes mais importantes da esquizofrenia.
Cientistas anunciaram ter identificado os genes mais atuantes na esquizofrenia, uma descoberta revolucionária que, afirmam, vai melhorar o diagnóstico e o tratamento desta doença mental debilitante.
Em um estudo que envolveu informação genética de milhares de pacientes com esquizofrenia, bem como de um grupo de controle saudável, os cientistas disseram ter identificado centenas de genes capazes de apontar quem corre mais riscos de desenvolver a doença.
"Quebramos o código genético da esquizofrenia, identificando muitos dos genes envolvidos e como eles funcionam juntos para provocar a doença", declarou o autor do estudo, Alexander Niculescu, da Escola de Medicina da Universidade de Indiana, em Indianápolis.
"Entendendo melhor a base genética e biológica da doença, podemos desenvolver testes e tratamentos melhores", acrescentou.
Tais testes poderiam ser usados para determinar se crianças em famílias com caso de esquizofrenia correriam riscos de desenvolver a doença, explicou Niculescu.
"Se forem determinados como em risco elevado, então seriam acompanhados mais de perto pelos médicos, aconselhados a evitar estresse, álcool e drogas, tratados com terapia, suplementos nutricionais (como cápsulas de óleo de peixe com Õmega-3) e inclusive com ingestão precoce de medicamentos antipsicóticos para evitar o desenvolvimento completo da doença", acrescentou.
As descobertas foram publicadas no periódico Molecular Psychiatry.
Pacientes com esquizofrenia costumam ouvir vozes que não são reais, tendem à paranoia e a sofrer de discurso e pensamento desordenados. Acredita-se que a doença afete uma em cada 100 pessoas.
Niculescu explicou que após identificar os genes relacionados com a esquizofrenia, a equipe de pesquisas testou suas descobertas em outros pacientes fora do grupo de estudos "para mostrar que os resultados seriam reproduzíveis e têm habilidade previsível".
Estudos genéticos sobre psiquiatria costumam gerar uma excitação inicial, afirmou, "mas depois não são reproduzidos em populações independentes, que são a prova mais importante de que uma descoberta é sólida e real".
A equipe também usou dados cerebrais de camundongos que tomaram medicamentos que imitavam a esquizofrenia.
"Alguns genes e mecanismos biológicos que identificamos podem ser usados para o desenvolvimento de um novo remédio", disse Niculescu.
Eles também podem ser usados para redirecionar drogas normalmente usadas para tratar outros distúrbios.
Niculescu reforçou que "genes não são destino".
"O ambiente também desempenha um papel. Os genes que identificamos atuam na conectividade cerebral, portanto podem ocasionar mais criatividade em alguns indivíduos ou doença clínica em outros, dependendo se há um excesso destas mutações genéticas na combinação errada e um ambiente estressante", acrescentou.
Fonte: IG
Lamotrigina (Lamictal).
Lamotrigina é uma droga anticonvulsivante usada no tratamento da epilepsia e do transtorno bipolar. Ela também é utilizada no tratamento adjuvante da depressão graças aos seus efeitos antidepressivos observados em casos clínicos. Em 2003 ela ganhou aprovação do órgão americano que regula os medicamentos nos EUA (FDA) para tratamento de manutenção do transtorno bipolar e da depressão bipolar, comparável ao lítio.
Ela age nos canais de sódio dos neurônios, estabilizando a membrana e facilitando a transmissão do impulso nervoso, reduzindo a liberação de neuroaminas excitatórias como glutamato e aspartato. Ela é uma opção interessante para o tratamento de estados hiperexcitatórios cerebrais (que cursam com aumento de glutamato), presentes na esquizofrenia, no transtorno bipolar, na depressão, na epilepsia e em lesões ou traumas do SNC (o excesso de glutamato estimula a atividade dos astrócitos e a formação de glioses, cicatrizes do tecido cerebral).
Além do efeito regulador de humor e antidepressivo na depressão bipolar, estudos mais recentes têm investigado a eficácia da lamotrigina na depressão unipolar. Os resultados demonstram que a lamotrigina é uma opção de tratamento para depressões de início recente ou para depressões resistentes (que não responderam bem a antidepressivos) e também para quadros depressivos associados a ansiedade e/ou dor crônica.
Os efeitos clínicos da lamotrigina costumam aparecer entre duas e seis semanas de tratamento, nas doses entre 50 e 100mg por dia. O paciente percebe um aumento da disposição, redução do cansaço e da sonolência diurna, redução da tristeza, da angústia/ ansiedade e da irritabilidade, melhora do ciclo sono-vigília, melhora da concentração e da memória (quando afetada pelo transtorno).
A lamotrigina costuma ser muito bem tolerada, tem poucos efeitos sedativos e não provoca efeitos gastrointestinais, como náuseas e diarreia. Alguns pacientes podem queixar-se de dores de cabeça, aumento da ansiedade ou da irritabilidade, tremores, falha na coordenação motora e esquecimentos, mas geralmente esses efeitos são brandos ou cessam com o tempo do tratamento ou redução da dosagem.
O maior risco da lamotrigina é o rash cutâneo (manchas vermelhas na pele que coçam), muito raro (frequência de 0,08% dos pacientes que usam a medicação), mas que pode ocorrer no início do tratamento, na fase de aumento de doses. Por isso que o aumento da lamotrigina deve ser feito a cada 2 semanas.
A dose terapêutica da lamotrigina é em geral entre 100 e 200mg por dia, podendo haver resposta com doses menores ou maiores e o tempo de uso para o transtorno de humor é entre 1 e 2 anos, podendo ser utilizada por tempo indeterminado dependendo das características de cada caso.
Lamotrigina é fabricada e comercializada pelo laboratório GlaxoSmithKline com o nome de Lamictal nas seguintes apresentações:
Comprimidos orais de 25, 50 e 100mg.
Comprimidos dispersíveis (Lamictal dispersível) de 25, 50, 100 e 200mg.
Não existe diferença de eficácia entre o comprimido oral e o dispersível, muda apenas a tecnologia do comprimido.
Genéricos ou similares deste medicamento podem ter diferenças em relação ao original (Lamictal, laboratório Glaxo), o que pode comprometer a eficácia e a tolerabilidade.
Abaixo alguns links interessantes sobre a medicação:
FDA - http://www.fda.gov/downloads/AdvisoryCommittees/CommitteesMeetingMaterials/PediatricAdvisoryCommittee/UCM234474.pdf
História da descoberta da lamotrigina - http://jpk.cdxinli.com/0804ck/sdarticle.pdf
Estudo da lamotrigina na depressão unipolar - http://ukpmc.ac.uk/abstract/MED/12197456
Transtorno Bipolar começa geralmente na adolescência.
O que muitos pais podem achar que é apenas uma fase da adolescência, na verdade, pode indicar sinais de um transtorno. Uma pesquisa desenvolvida no Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos sugere que os primeiros sinais de bipolaridade aparecem na adolescência e não a partir dos 20 anos, como se pensava. O estudo foi divulgado na publicação Archives of General Psychiatry.
Os principais sintomas de transtorno bipolar são episódios de mania e depressão que se alternam entre si. Para mensurar a taxa de incidência desses sintomas nos jovens, os pesquisadores fizeram perguntas sobre humor e comportamento a mais de 10.000 adolescentes, com idades entre 13 e 18 anos.
A equipe de pesquisa descobriu que 2,5% desses jovens tiveram episódios de mania e depressão nos últimos 12 meses. Além disso, 1,3% das crianças apresentaram apenas mania e 5,7%, apenas depressão. Todos os participantes que apresentaram sintomas preencheram os critérios para o diagnóstico da doença, de acordo com um manual de psiquiatria.
Os transtornos de humor eram mais comuns conforme os jovens ficavam mais velhos. De acordo com a pesquisa, 1,4% das crianças com 13 e 14 anos preencheram os critérios para mania, enquanto quase o dobro dos adolescentes de 17 e 18 apresentou o transtorno. Para os autores, as taxas de transtornos de humor encontradas entre os adolescentes estão próximas ao que é visto em adultos, confirmando a tese de que os sintomas aparecem na juventude. Os especialistas acreditam que isso pode ajudar em diagnóstico e tratamento mais eficazes.
Diferenças entre crianças e adultos:
Na maioria dos adultos as manifestações clínicas são clássicas, o humor oscila de um extremo ao outro, da alegria incontrolável e raciocínio veloz à depressão e apatia. No caso das crianças, não é comum ocorrer essa gangorra emocional. “A doença se apresenta por meio de uma conjunção de sintomas menos específicos, como impulsividade, irritabilidade, dispersão, agitação e acessos de raiva”, diz Evelyn Vinocur.
Diagnóstico - Por causa dos sintomas pouco específicos, é recorrente que a criança bipolar seja diagnosticada com outros males, como o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). “É muito pesado para os pais levantarem a hipótese do transtorno, o que contribui para um desconhecimento dos sintomas e um atraso muito grande no diagnóstico e tratamento”, explica a psicoterapeuta Evelyn. Por isso, o Transtorno Bipolar do Humor na Infância e Adolescência é uma condição que precisa ser muito divulgada.
Fonte: Tribuna da Bahia
Leia também:
Artigo de revisão sobre o tema Depressão e Doença Bipolar na Infância e Adolescência
EUA dão sinal verde para primeira droga que previne a aids
O FDA, órgão do governo americano que controla drogas e alimentos, se mostrou favorável a um estudo que recomenda o uso de um remédio comumente usado para combater o vírus do HIV e que pode ajudar na prevenção da AIDS em pessoas saudáveis. A pílula, chamada Truvada, se mostrou segura e eficiente para prevenir a doença contanto que seja tomada todos os dias.
A cúpula do FDA fará uma reunião na quinta-feira para discutir se o Truvada deve ser aprovado para pessoas com maior risco de contrair o HIV por meio do sexo. O relatório favorável do órgão à pílula sugere que ela vai se tornar o primeiro remédio aprovado para prevenir o HIV em pessoas com alto risco.
Apesar do parecer positivo, os relatores do FDA disseram que os pacientes precisam ser disciplinados em relação à ingestão diária do medicamento. Nos testes clínicos, nem todas as pessoas se comprometeram com a rotina. "No mundo real, as pessoas podem se esquecer de tomar o remédio mais até do que nos testes clínicos", informou o relatório do FDA.
A reunião do órgão americano votará se o Truvada deve ser aprovado para homens de qualquer orientação sexual, homens e mulheres em relacionamentos com parceiros infectados e outras pessoas sob risco de contrair o vírus por meio de atividade sexual. Apesar de o FDA não ser obrigado a seguir a conclusão das reuniões, raramente ele se posiciona de modo diferente.
A grande preocupação dos médicos é sobre o sucesso do Truvada entre as mulheres. Em 2011, uma pesquisa foi interrompida ao descobrir que mulheres tomando o remédio pareciam se infectar mais facilmente do que aquelas recebendo o placebo. Desde então, cientistas supõem que as mulheres precisam receber doses maiores para ter o mesmo efeito observado em homens. Os resultados negativos também podem ser resultado da indisciplina na ingestão diária do remédio.
Ansiedade: novas descobertas, novos tratamentos.
Neste momento, uma em cada quatro pessoas no mundo está com uma sensação de aperto no peito, sentindo o coração bater mais rápido, com as mãos suando. Na mente, um medo inexplicável ou preocupação obsessiva com algo que ainda nem aconteceu. Esses são alguns dos sintomas das crises de ansiedade, um dos transtornos mentais mais incidentes da atualidade e, assim como os demais, extremamente cruel. Dependendo do grau, tira o sono do indivíduo, deixa-o mais predisposto a sofrer de enfermidades cardiovasculares e o priva de sair de casa quando o medo atinge níveis incontroláveis.
Estudos mostram que a ansiedade é mais frequente do que transtornos de humor como a depressão. E dados divulgados pelo World Health Mental Survey, ligado à Organização Mundial da Saúde, revelam um triste panorama para o Brasil: 20% das pessoas que vivem em São Paulo convivem com ou tiveram algum transtorno ansioso nos últimos 12 meses. “Foram analisadas cidades de 24 países. Em São Paulo, encontramos o índice mais elevado”, diz Laura Andrade, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Mas um esforço monumental da medicina para buscar as origens da doença e criar novas opções de tratamento promete dar alívio a quem sofre desse pesadelo.
A ansiedade fazia parte das reações que nossos ancestrais manifestavam diante de ameaças como a possibilidade de um ataque animal ou a morte por frio extremo. Preocupar-se com esses eventos mantinha o corpo em alerta: mais tenso, pressão elevada, maior bombeamento de sangue. Se o perigo se concretizasse, o corpo estava pronto para reagir. Se não, o sistema era desligado. Esse esquema ficou gravado no cérebro e até hoje entra em ação diante de situações interpretadas como risco. Essas circunstâncias podem ser reais ou fictícias, resultado de mecanismos psíquicos não totalmente esclarecidos. O problema é que, se esse estado de preocupação se torna crônico, caso da ansiedade generalizada, ou leva a crises espontâneas, como os ataques de pânico, deixa de ser uma reação natural. Causa prejuízos à saúde e à vida social, afetiva e profissional. Transforma-se em doença.

Atualmente, há catalogados oito tipos da enfermidade (leia mais detalhes no quadro abaixo). Como ocorre com a maioria das enfermidades mentais, há dificuldade na detecção do problema. “Um estudo feito em Londres, pelo psiquiatra Paul Bebbington, mostrou que apenas 14% dos pacientes tinham sido diagnosticados e tratados no ano anterior ao trabalho”, contou Márcio Bernik, coordenador do Programa de Ansiedade (Amban) do Instituto de Psiquiatria da USP. O diagnóstico é feito por psicólogos ou psiquiatras, que recorrem a perguntas definidas para identificar a alteração, como ela se insere na vida do indivíduo e sua gravidade. “Uma das primeiras perguntas é se a pessoa sente que teve prejuízo em algum campo ou momento da vida por causa da doença”, diz o psiquiatra Bernik.

O tratamento varia de acordo com o transtorno especifico e a intensidade da enfermidade. Nos casos mais leves, indicam-se apenas medicamentos ou sessões de terapia cognitivo-comportamental (TCC), método cujo objetivo é modificar padrões de pensamentos e comportamentos associados. Uma pessoa que tenha receio permanente de perder o emprego, por exemplo, pode ser treinada para evitar esses pensamentos ou substituí-los por outros, mais otimistas e calcados na realidade. Nos casos moderados e mais graves, é recomendada a combinação de remédios com a TCC. Um trabalho da psicóloga Mariângela Savoia, ligada ao Amban, mostrou que essa associação foi mais eficaz do que o uso isolado dos métodos.
Os recursos criados recentemente são utilizados para os casos mais severos e que não respondem ao tratamento padrão. Um dos mais promissores é a aplicação da realidade virtual. A terapia consiste em expor o paciente – de modo virtual – às situações que desencadeiam crises para que, aos poucos, ele aprenda formas de evitar os pensamentos ansiosos. Na Universidade de Washington (EUA), o método está sendo aplicado para tratar fobias, a ansiedade gerada pelo estresse pós-traumático e aquela sentida durante a troca de curativos em pacientes com queimaduras. “Temos bons resultados”, disse à ISTOÉ Hunter Hoffman, coordenador da equipe que aplica a técnica.
Semelhante à realidade virtual, a terapia de modificação cognitiva com auxílio de computador também desponta como alternativa. Um trabalho da Brown University (EUA) mostrou que indivíduos com fobia de falar em público melhoraram depois de se submeter aos exercícios duas vezes por semana, por um mês. Eles consistem em instruir o paciente a evitar expressões faciais hostis – para quem tem fobia social isso detona crises – e a interpretar as reações de interlocutores de forma otimista.
Começa também a ser testada a eficácia da estimulação magnética transcraniana. A técnica submete o paciente a aplicações de ondas eletromagnéticas. O objetivo é regularizar a atividade elétrica nas regiões cerebrais associadas à doença. O médico Marco Marcolin, do Instituto de Psiquiatria da USP, iniciará até o fim do ano testes com 30 pacientes com fobia social. Por enquanto, não há nada conclusivo. Estudos com o método para tratar a ansiedade associada ao estresse pós-traumático deram resultados negativos no Brasil e positivos na Europa.
Ganhando espaço na prática clínica está o neurofeedback, método que se propõe a imprimir no cérebro um novo padrão de funcionamento, igual ao de uma pessoa sem a doença. “Eletrodos colocados sobre o couro cabeludo fazem a leitura da informação neurológica que está sendo produzida e registrada por eletroencefalografia”, explica o psicólogo Leonardo Mascaro, mestre em neurociências pelo Núcleo de Neurociências e Comportamento da USP e autor do livro “Para Que Medicação?”. Segundo ele, na presença de enfermidades como a ansiedade, os dados revelam padrões eletroencefalográficos anormais e específicos que possibilitam o reconhecimento da doença ou de outros comprometimentos neurológicos.
No treinamento, o paciente visualiza as alterações e também os padrões normais. “Os parâmetros corretos são então apresentados de volta aos neurônios por meio de um trabalho de condicionamento feito sob a forma de sinalização sonora e visual”, diz Mascaro. Essas sinalizações ocorrem somente quando os neurônios em treino produzem o tipo de atividade que está sendo solicitada. “Dessa maneira acontece a aprendizagem neurológica e a modificação da atividade cerebral, que se normaliza progressivamente”, complementa o psicólogo. “Conforme o tratamento caminha, a pessoa necessita de menos medicação e a retirada do medicamento acontece, sempre sob supervisão médica”, assegura Mascaro. A empresária Marisa Rollemberg Rocha, 40 anos, de Brasília, submeteu-se a três sessões até agora. “Já consigo dormir melhor e passei a suar menos nas mãos”, diz. A técnica, porém, não é aceita por todos os médicos. Bernik, do Amban, não a considera eficaz.
O desenvolvimento de instrumentos como esses só foi possível a partir do avanço do conhecimento sobre as bases neurológicas da doença. Apesar de a identificação das estruturas cerebrais vinculadas à enfermidade ter sido feita há algum tempo, dezenas de pesquisas estão revelando detalhes sobre a interação entre elas. Cientistas da Columbia University (EUA), por exemplo, descreveram a maneira pela qual operam o hipocampo e o córtex pré-frontal medial. “Vimos que o hipocampo envia muita informação para esta área do córtex, fazendo com que ela reconheça o ambiente como uma ameaça”, explicou Joshua Gordon, autor da pesquisa.
Por aqui, o psiquiatra Luiz Vicente Mello, de São Paulo, participa de um esforço internacional para entender melhor a relação entre comportamentos ansiosos e mecanismos de defesa legados pela evolução. “Muitas das nossas reações são anacrônicas. Ao mesmo tempo, não temos defesas para situações recentes, como o medo de carros, que precisa ser ensinado”, diz.
Ainda na USP, cientistas investigam a relação da enfermidade com o sistema serotonérgico do cérebro. Recentemente, o psiquiatra Felipe Corchs, em estudo feito no Amban com universidades da Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália, observou que as diferenças na quantidade de serotonina (substância que faz a comunicação entre neurônios) interferem na sensibilidade aos estímulos que iniciam crises. Para chegar a essa conclusão, os cientistas deixaram sem comer proteínas um dia inteiro voluntários que já haviam sido tratados de transtornos ansiosos. Não ingerir proteína prejudica o aporte de triptofano, aminoácido essencial para a formação da serotonina.
O resultado foi surpreendente: pacientes com pânico, estresse pós-traumático e fobia social ficaram mais sensíveis aos gatilhos de crise, sugerindo que a serotonina tem papel na modulação dessa resposta. “E pessoas que tinham melhorado com o tratamento pioraram quando os níveis da substância diminuíram”, explicou Felipe. A redução do composto não causou o mesmo impacto em pacientes com ansiedade generalizada e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Para estes, o que parece é que o contrário, o aumento na concentração da serotonina, faz diferença. Um outro estudo, feito pelo psicólogo Thiago Sampaio, também do Amban, indicou que portadores de TOC que possuem maior concentração de serotonina respondem mais rápido à terapia.
Intervir nas situações em que a ansiedade pode prejudicar o tratamento é hoje uma atitude incorporada por alguns hospitais. No Albert Einstein, em São Paulo, psicólogos entram em ação para atender pacientes internados que apresentam sintomas da doença. “Uma das formas de reduzi-los é ajudar os doentes a esclarecer suas dúvidas”, diz Ana Kernkraut, coordenadora do serviço de psicologia do hospital.
Nos EUA, médicos usaram a terapia com animais para diminuir o sentimento em indivíduos que se submeteriam a exames de imagem, situação que desencadeia temor. No Monmouth Medical Center, 28 pacientes que fariam ressonância magnética foram selecionados para brincar com cães por 15 minutos, meia hora antes de fazer o exame.
Comparados a doentes que não tiveram esse tempo com os animais, eles manifestaram muito menos ansiedade. “A terapia mostrou potencial para substituir os remédios contra crises às vezes dados aos pacientes”, disse Richard Ruchman, autor do estudo.
No Brasil, nos centros de equoterapia é possível aliviar os sintomas com o auxílio dos cavalos. A empresária Adriana Mazzagardi experimentou esses efeitos durante as aulas de equitação que teve na infância e decidiu expandir o benefício. “Os cavalos me ensinaram a controlar a minha ansiedade, que era muito intensa”, diz Adriana, que está à frente do Centro Equestre Equovita, em Jundiaí (SP). O local é frequentado por muitas pessoas em busca de alívio das tensões. “Se você está ansioso e sem concentração, o cavalo percebe e reage. Você precisa estar atento e calmo para que ele se deixe conduzir”, diz Adriana.
Manter a ansiedade sob controle é também importante porque reduz riscos para outras doenças. Na semana passada, pesquisadores da Stanford University (EUA) divulgaram os resultados de um estudo com animais, indicando que o sentimento contribui para o surgimento de tumores. A explicação é a de que a ansiedade costuma vir acompanhada de estresse. Juntas, as condições enfraquecem o sistema de defesa do organismo. “Eles podem acelerar a progressão do câncer”, afirmou o imunologista Firdaus Dhabhar, autor do experimento.
A conexão com a depressão também está sendo investigada. Um trabalho patrocinado pelo Canadian Institutes of Health Research apontou uma molécula (CRFR1) como a responsável pela interação entre a ansiedade, o estresse e a doença. Um primeiro passo já foi dado para quebrar a associação: em cobaias, a inibição da produção dessa molécula atenuou a ansiedade.
Mais conhecida, a relação da enfermidade com os males cardiovasculares exige também atenção. Tanto que médicos do Montreal Heart Institute, também no Canadá, fizeram um trabalho para provar que pacientes em risco para doenças do gênero e que apresentem traços de ansiedade devem ser submetidos a uma tomografia do coração, e não apenas a um eletrocardiograma. “O exame de imagem é mais efetivo para identificar doença cardíaca nesses indivíduos”, afirmou Simon Bacon, coautor do experimento.



Por Cilene Pereira e Mônica Tarantino da Revista Isto É
Psicoterapia deve ter metas e não se estender por anos
Terapeuta dos EUA causa polêmica ao defender que a maioria dos pacientes precisa só de poucas semanas de tratamento e que terapia deve ter objetivos para não ser um "desabafo"
Há 15 dias, o psicoterapeuta americano Jonathan Alpert mexeu com os brios dos colegas ao publicar um artigo no "New York Times" em que questionava a eficácia de tratamentos de longo prazo.
Citava um estudo de 2010 no "American Journal of Psychiatric" para dizer que só 10% dos pacientes fazem mais de 20 sessões e um de 2006 no "Journal of Consulting and Clinical Psychology" para afirmar que o progresso cai de 88% para 62% após a 12ª sessão. Culpava os pares.
A resposta, diz, veio numa avalanche de e-mails tanto mandando-o para o inferno como elogiando por contestar algo pouco questionado.
Artigos contra e a favor se multiplicaram, cartas de psicanalistas chegaram ao "Times" pedindo cuidado com generalizações e a lista de clientes do psicólogo que atende em Nova York e acaba de lançar "Be Fearless - Change Your Life in 28 Days" (Seja destemido - mude sua vida em 28 dias, que sai no Brasil no fim do ano) cresceu.
Mas ele nega que ofereça solução mágica, como acusam os críticos que viram no artigo uma autopromoção.
Sua defesa, diz, é de uma terapia que mostre resultado, em que paciente e analista tracem metas e que não sirva apenas "para desabafar".
"Pela minha experiência, a maioria busca ajuda para questões menores e tratáveis: insatisfação no trabalho ou no relacionamento. Não é preciso anos de terapia para isso." Alpert conversou com a Folha por telefone.
Folha - Qual tem sido a reação ao seu artigo? Crítica?
Jonathan Alpert - Interessante. Recebi centenas de e-mails, muitos de ódio, inclusive de outros terapeutas, que me mandaram para o inferno. Mas para cada negativo vieram uns três positivos.
Na manhã após a publicação, a secretária eletrônica do consultório tinha umas 20 ligações de gente que queria se tratar comigo. No fim da semana, mais 60 [ele atende 25 pacientes por semana].
Qual era sua relação com os colegas antes do artigo?
Dividida. Há outros terapeutas aqui que têm essa orientação mais comportamental como eu. E eles me apoiaram -recebi vários e-mails elogiando a coragem.
Quando você diz que terapia de longa duração é pouco eficaz, você se refere aos casos de forma geral ou quer dizer que terapeutas ruins mantêm o paciente por muito tempo?
O segundo caso. E meu argumento é que se você está na terapia e não está melhorando, você tem de sair. Há muita diferença entre se sentir bem e de fato melhorar. Eu costumo usar a analogia do cabeleireiro -se você vai e odeia o corte, vai voltar para quê? Se você vai à terapia semanalmente há anos e não vê nenhuma melhora, saia fora.
Mas como medir se a psicoterapia é eficaz?
O que eu faço, e muitos fazem, é definir metas desde o começo e monitorar o progresso. Se alguém com ansiedade social vem me ver, a meta é a pessoa se sentir confortável em um bar ou um encontro. Vamos trabalhando e vendo como ela se sai.
Você já tratou alguém por mais do que 12 semanas?
Sim, claro, há gente que eu trato por meses, e depois faço sessões de manutenção uma ou duas vezes por mês.
Sempre com as metas?
As pessoas podem ficar patinando na terapia. Você vai, desabafa e se sente bem por falar. Aí espera aquilo toda semana, mas isso não necessariamente faz você avançar em direção a um objetivo.
E quando a terapia pode durar mais e ser boa?
Alguns transtornos precisam de mais tempo para serem tratados, como estresse pós-traumático. E condições psiquiátricas ou psicológicas mais graves precisam não só de mais tratamento, mas também de manutenção.
Não é o caso da ansiedade e da depressão leve, que levam a maioria ao consultório?
Eu cito essas duas no artigo. As razões que levam mais gente ao consultório -ao meu, ao menos- são ansiedade, problemas na carreira, problemas no relacionamento e estresse. Nada disso precisa de anos para ser tratado.
Mas qual deve ser o objetivo do terapeuta e do paciente? Um problema pontual pode ser resolvido em semanas, mas e a raiz? Se as circunstâncias mudarem na vida de um dos seus pacientes, os problemas não reaparecerão?
Você tenta ensinar a pessoa a resolver o problema, para que possa lidar com ele no futuro caso reapareça. Mas há quem não seja bom nisso.
Identificar o problema e dar ferramentas? Nada de discutir a infância...
Às vezes é relevante. Mas eu não passo sessões incontáveis falando sobre a infância. Os pacientes reagem melhor quando olham para a frente.
Como você percebeu que o tipo mais convencional de terapia não era o seu?
No começo da minha carreira, eu tinha pacientes que me diziam que seu terapeuta anterior só sabia perguntar "como você se sente com isso?". Passavam anos assim, mesmo sem achar que funcionava. Eu escrevia uma coluna de jornal com pouco espaço e tinha de dar conselhos. Recebia cartas agradecendo pela ajuda e pensei que isso pudesse funcionar em terapia também. Identificar o problema e dar conselhos. A reação foi boa.
E por que muitos continuam indo à terapia, sem avanço?
Muita gente acha que psicoterapia é só para desabafar. Não sabe que dá trabalho, que muita coisa precisa ser feita fora do consultório.
Falta informação?
É. Tem uma ideia perpetuada por Hollywood. Se você perguntar para dez pessoas o que é psicoterapia, pode esperar que sete dirão que se trata de desabafar, se abrir.
Qual o maior erro ao procurar um psicoterapeuta?
Não sei, mas sei o que ajuda a achar um. Boca em boca é bom, se você se sentir confortável para perguntar a amigos ou conhecidos, porque há estigma ainda. Também dá certo perguntar ao seu médico.
É preciso pesquisar. Telefonar, ao menos, a alguns terapeutas, falar com eles por uns dez, 15 minutos, para ter ideia do estilo, perguntar como ele trataria seu problema.
Não há quem tenha medo de perguntar ou de cobrar soluções ao terapeuta? O mecanismo, afinal, tem duas partes...
Verdade. Eu sempre digo a meus pacientes que nós dois temos de trabalhar duro e que ele precisa implementar os novos comportamentos fora do consultório. Se ele está esperando uma solução mágica, não vai acontecer.
"O Segredo" fez sucesso.
Acho que há pessoas procurando mágica. São preguiçosas. Se você puder acreditar que vai virar um milionário, é mais fácil do que arregaçar as mangas e dar duro.
Terapia é para todos?
Não. Não acho. Acho que a pessoa realmente tem de querer olhar para si mesma e mudar. Se não é um desperdício de tempo e de dinheiro.
Mas muitas vezes é posta como solução universal.
Algumas pessoas são narcisistas, egocêntricas, falar por uma hora e ser o centro das atenções as satisfaz.
A crise econômica aumentou seu trabalho? Você participou de "Trabalho Interno" (documentário de 2010 premiado com o Oscar).
Em 2008, eu comecei a receber cada vez mais pacientes de Wall Street, com problemas de ansiedade ligada ao trabalho. No fim do ano, foi um surto. Eram sobretudo homens, executivos, perdendo o emprego... O problema é que a identidade deles estava tão fundida com sua carreira que, quando eles perdiam o emprego, a vida deles perdia o sentido. Nunca queira se definir por sua carreira.
Melhorou?
Acho que as pessoas se acostumaram.
Fonte: Folha
Consumo de carne branca e nozes pode diminuir risco de Alzheimer
Metade de filé de salmão já mostra benefícios. Um novo estudo sugere que comer alimentos riscos em ômega 3, gordura natural e benéfica encontrada no peixe, frango e nozes, diminui a ação de uma proteína associada ao Alzheimer.
A pesquisa foi publicada essa semana na revista “Neurology”, da Academia Americana de Neurologia.
A doença de Alzheimer é uma das formas mais comuns de demência, que leva a alterações progressivas da memória, de julgamento e raciocínio intelectual, e costuma acometer pessoas idosas.
Para chegar a esse resultado, a equipe do neurologista Nikolaos Scarmeas, do Centro Médico da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, recrutou 1.219 pessoas acima de 65 anos, sem sinais de demência, para medir o nível da proteína associada a perda de memória no sangue.
Depois de agruparem informações sobre a alimentação dos participantes nos últimos 14 meses, os pesquisadores coletaram o sangue de cada um e mediram a quantidade da proteína e de ômega-3, ômega-6, vitaminas, ácido fólico e gorduras monossaturada e polissaturada depositadas no sangue.
Por meios dessas análises, a equipe de estudiosos descobriu que quanto mais ômega-3 a pessoa tinha ingerido, menores estavam os níveis da proteína.
Segundo o estudo, consumir um grama de ômega 3 por dia, valor encontrado em metade de um filé de salmão, equivale a 20 ou 30% menos da proteína no sangue.
“[...]o resultado pode melhorar nossa confiança nos efeitos benéficos da dieta na prevenção da demência”, diz Scarmeas.
Fonte: G1
Uso de fluoxetina em fórmulas para emagrecer pode ser perigoso.
Uso casado dos tipos de substâncias só é indicado em alguns casos específicos, afirmam especialistas.
A análise do consumo de redutores de apetite e do antidepressivo fluoxetina (princípio ativo do Prozac) sugere que as duas substâncias vinham sendo usadas de forma combinada, conduta que não é recomendada se o objetivo é só emagrecer.
A associação das drogas é defendida por alguns médicos para pacientes obesos e com depressão ou compulsão por comida. Por outro lado, a combinação dos remédios pode indicar um uso abusivo com foco na redução do peso, explicam especialistas.
Problemas com esse tipo de associação foram objeto de pesquisa realizada pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) há três anos.
Agora, a união entre os moduladores de apetite anfepramona, mazindol e femproporex (banidos pelo governo no ano passado) e da sibutramina (mantida com novas regras) com o antidepressivo fluoxetina foi medida em estudo publicado na edição de fevereiro da "Revista da Associação Médica Brasileira".
A pesquisa, que mediu as vendas dos remédios no país, dá fortes indícios de que o consumo casado vinha sendo prática corrente. No entanto, o trabalho não verificou as receitas em si.
Foram analisadas várias situações que poderiam estar relacionadas ao uso dos emagrecedores em 2009, ano de coleta dos dados, como ser do sexo feminino, ter maior renda e escolaridade ou consumir certas substâncias.
"Para nossa surpresa, a variável mais significativa foi a relação entre a fluoxetina e os moduladores de apetite, o que não é recomendado nem pelo Conselho Federal de Medicina nem pela Anvisa", explica Daniel Mota, técnico especializado em regulação e vigilância sanitária da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e autor da pesquisa -feita de forma independente da agência.
O estudo, feito com um modelo econométrico que agrega a venda nacional dos medicamentos e a população adulta brasileira, conclui que cada 1 mg/per capita de aumento no consumo do antidepressivo produz a elevação do consumo de moduladores em 1,66 mg/per capita.
Walmir Coutinho, do departamento de obesidade da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), diz que não recomenda o uso associado dos remédios por faltarem estudos que atestem sua segurança.
Ele explica que o consumo isolado da fluoxetina leva à perda de peso, mas esse efeito acaba sendo revertido depois. Por isso o antidepressivo não é usado como emagrecedor. Para Coutinho, a mistura de vários elementos em fórmulas para emagrecer é a venda de uma "ilusão".
Cláudia Cozer, uma das diretoras da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade), afirma que a combinação das drogas pode causar letargia e apatia, mas relativiza os danos quando o uso é por tempo limitado com acompanhamento médico.
Um dos usos benéficos da combinação, diz Cozer, é no controle da ansiedade e da compulsão alimentar.
Para o endocrinologista Alfredo Halpern, o problema está no uso casado em fórmulas para emagrecer. "Vi fórmulas absurdas, que juntam não só anfepramona e femproporex com fluoxetina mas diurético, hormônio de tireoide. É condenável. Por outro lado, o indivíduo pode precisar de uma fluoxetina porque é ansioso ou deprimido, não há por que proibir."
Fonte: Folha.com





