Bullying em mensagens de texto se torna mais comum, diz estudo

Cada vez mais crianças norte-americanas afirmam ter sido alvo de ofensas via mensagens de texto, o que inclui ameaças e boatos sobre elas espalhados para terceiros, de acordo com um estudo.
Dos mais de 1,5 mil alunos dos ensinos fundamental e médio pesquisados em 2008, 24% disseram ter sido "atormentados" por mensagens de texto --ante 14% em pesquisa com o mesmo grupo de estudantes um ano antes, de acordo com constatações publicadas pela revista Pediatrics esta semana.
No estudo, ser "atormentado" significa que colegas espalharam boatos sobre eles, fizeram comentários "rudes ou malévolos" ou os ameaçaram.
O bullying propriamente dito, definido como repetidas agressões morais, subiu a 8% dos estudantes pesquisados, ante 6% um ano antes.
Os pesquisadores, liderados por Michele Ybarra, da Internet Solutions for Kids, de San Clemente, Califórnia, disseram à Reuters Health que as constatações sugerem que é preciso dedicar mais atenção às mensagens de texto das crianças, mas que os pais não precisam se alarmar.
"Não é motivo para que eles se sintam incomodados ou decidam tirar os celulares de seus filhos. A maioria das crianças parece estar navegando de modo bastante saudável por essas novas tecnologias", disse ela.
O estudo inclui 1.588 crianças dos 10 aos 15 anos, pesquisadas online inicialmente em 2006. A pesquisa foi repetida em 2007 e 2008, e cerca de três quartos dos participantes originais participaram dos três levantamentos.
O trabalho publicado não informa por que os dados sobre a pesquisa concluída em 2008 só foram divulgados agora.
No que tange a agressões via internet, em contraste com as agressões via mensagem de texto, não houve tanta mudança ao longo do período. Em 2008, 39% dos pesquisados disseram ter sido "atormentados" on-line, e a maioria afirmou que isso aconteceu algumas vezes. Menos de 15% disseram ter sofrido bullying via internet.
Os estudantes agredidos parecem ter conduzido a situação no geral de maneira positiva, o que os pesquisadores dizem ser bom sinal.
Dos estudantes que disseram ter sido ofendidos on-line, 20% disseram ter ficado "muito ou extremamente incomodados" com o mais sério incidente do tipo, o que representa um total inferior aos 25% de 2006.
→ Fonte: Folha de São Paulo


Pesquisa do IPOBE mostra preocupações de cuidadores e familiares de pacientes com esquizofrenia.

Absorção em tempo integral e dedicação exclusiva. Essas são as principais características do cuidado ao paciente com esquizofrenia, conforme apontaram as entrevistas em profundidade com 12 cuidadores na parte qualitativa da pesquisa Ibope realizada pela Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia – ABRE em parceria com o Programa de Esquizofrenia da Unifesp – PROESQ.
Todos associados à ABRE, os cuidadores forneceram longos e emocionados relatos que apontam a esquizofrenia como um distúrbio que afeta a vida pessoal, profissional e os laços conjugais. Também compromete seriamente o lazer dos cuidadores dos pacientes, independente da fase estável ou em recaída.
Além disso, segundo dados da pesquisa, a doença produz forte impacto sobre as finanças da família, já que tanto os pacientes quanto os cuidadores ficam impossibilitados de exercer atividade economicamente ativa. As pessoas de menor renda sofrem mais com a doença, pois possuem menos acesso à informação, tratamentos e instituições, além de maior dificuldade de deslocamentos pela cidade.
Os cuidadores revelaram ainda que até contam com ajuda de outras pessoas (vizinhos, por exemplo), mas a responsabilidade sempre recai sobre eles. Desse modo, a esquizofrenia é percebida como um fardo emocional, um tipo de aprisionamento. “O cuidador é convocado a viver em função do paciente. Não por acaso, vários deles se aposentam.”, afirma José Alberto Orsi, diretor adjunto da ABRE.
Recaída é o problema mais temido
Todos os cuidadores entrevistados pelo Ibope admitiram ter presenciado episódios de recaídas até o momento da entrevista e que isso está relativamente sob controle, mas é um acontecimento não descartado para o futuro. No entanto, o cuidador fica em estado de alerta permanente e a demanda por cuidados aumenta significativamente.
Dois terços dos entrevistados afirmaram que o convívio com amigos ou familiares diminuiu, mas que isso independe das recaídas. Entretanto, praticamente todos disseram que a recaída interfere em suas vidas, principalmente nos relacionamentos.
As recaídas relatadas com sofrimento pelo cuidador tiveram como detonador a interrupção e/ou inadequação do medicamento como primeira causa. Metade dos entrevistados afirmou que a cada recaída o paciente fica sempre do mesmo jeito, ou seja, não são percebidas alterações de intensidade na crise. O que sempre muda é a temática de cada crise. Mas a outra metade indicou que a recaída é responsável pela piora progressiva do quadro da doença.
Entre os sintomas mais comuns durante as recaídas estão: olhar enviesado, alucinações, comportamento antissocial ou bizarro, desconfiança e perseguição, agitação e insônia, delírios, sensações viscerais, agressividade, ameaça, tentativa de suicídio e TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo.
No entanto, os cuidadores revelaram que, durante a recaída, os atos violentos são pouco comuns. Ocorre mais autoagressão do que tentativa de prejudicar alguém e, esses atos foram, em sua maioria, descritos como acontecimentos do passado, em período anterior ao tratamento atual, indicando maior estabilidade do paciente no momento da pesquisa.
Durante a recaída, os cuidadores revelaram adotar vários recursos antes de utilizar a medicação: ouvir o paciente durante horas, se conter, falar muito pouco, não contra-argumentar, não retrucar e não desqualificar as percepções do paciente. É necessário também propor atividades relaxantes e ocupacionais: muitos disseram que fazer uma oração com o paciente pode ser um bom recurso para acalmá-lo.
É possível, a partir das falas dos cuidadores, dividir as repercussões entre emocionais e objetivas. Entre as emocionais, figuram responsabilidade e compromisso em tempo integral, demanda do paciente por atenção, aprisionamento e solidão do cuidador vistos como fardo pessoal, resignação, estado de alerta constante, medo e estresse, sentimentos contraditórios como: culpa, raiva etc.
Como impactos objetivos, os cuidadores apontaram a dificuldade de conciliar a vida pessoal com a profissional, pois a doença os obriga a abrir mão de projetos e atividades, restrição da liberdade de ir e vir, perdas financeiras, risco de agressão física e verbal (principalmente durante as recaídas) sendo o cuidador o próprio alvo de ataques.
“A prescrição da medicação adequada, na dose certa, com constantes ajustes é um trabalho de modelagem a partir da interação paciente, cuidador e psiquiatra. É comum levar anos para achar o ponto ideal. O que, no início é um drama – fornecer o medicamento -, hoje está no geral assimilado pelo próprio paciente como uma necessidade. O tempo da doença somado a incidência de recaída vão trazendo aprendizados.”, explica o psiquiatra Rodrigo Bressan, coordenador do PROESQ/Unifesp.
Recompensas aparecem nas entrelinhas do discurso
Nem tudo é visto como negativo pelos cuidadores e as recompensas a tanto sofrimento aparecem nas entrelinhas dos depoimentos. São sentimentos positivos, por exemplo, a rede de solidariedade e a união que a adversidade às vezes gera envolvendo membros da família, amigos e vizinhos.
Além disso, a parte boa de ser um cuidador é perceber-se como imprescindível e insubstituível, além de obter mais informações e conscientização sobre a doença. Há ainda o sentimento de dever cumprido, principalmente quando este cuidador consegue apoio e atendimento, unir a família, manter a situação sob controle com a ajuda de medicamentos e atenção e empatia do outro.
Fonte: bonde.com.br


Um em cada 25 adolescentes americanos usam antidepressivos

Cerca de um em 25 adolescentes tomam antidepressivos nos Estados Unidos, segundo autoridades de saúde do país. A informação é de relatório do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), divulgado nesta quarta-feira.
O estudo é o primeiro que analisa a relação de crianças e jovens de idade entre 12 a 17 anos com as drogas para depressão. A pesquisa avaliou cerca de 12 mil norte-americanos.
O consumo de antidepressivos aumentou 400% em 20 anos nos Estados Unidos e um em cada 10 americanos começa a tomá-los aos 12 anos.
Esses remédios são o terceiro medicamento mais prescrito para os americanos de todas as idades e o primeiro entre pessoas entre os 18 e os 44 anos, informaram os autores do relatório.
No entanto, dois terços dos americanos que sofrem de depressão grave aparentemente não são tratados, destacou o informe, ressaltando ainda que mais de 8% daqueles que tomaram antidepressivos não têm sintomas da doença.
Este último grupo "poderia incluir aqueles que tomam antidepressivos por outras razões ou cujos sintomas depressivos desapareceram", destacou o documento, baseado em estatísticas entre 2005 e 2008, comparadas com as do período 1988-1994.
Os pesquisadores também constataram que as mulheres são duas vezes e meia mais propensas do que os homens a tomarem antidepressivos, independentemente da gravidade da doença.
Os brancos consomem mais antidepressivos do que qualquer outro grupo racial ou étnico nos Estados Unidos, e os maiores de 40 anos tomam mais do que aqueles que têm entre 12 e 39 anos, demonstraram as estatísticas, que confirmaram tendências já demonstradas em outros estudos.
Ricos ou pobres, o relatório não demonstrou diferenças no uso de antidepressivos.
Fonte: Folha de São Paulo


Enfim ANVISA decide proibir as anfetaminas.

Demorou, mas a ANVISA tomou a medida de proibir as anfetaminas. Um avanço para quem costuma ver o outro lado da moeda: pacientes que já fizeram uso das anfetaminas, desenvolveram dependência, ficaram cronicamente deprimidos e ganharam mais peso do que tinham antes de fazer o tratamento com elas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que a sibutramina, substância utilizada como moderadora de apetite, continuará a ser vendida no mercado brasileiro. A decisão dos quatro integrantes da diretoria colegiada da agência cria regras de controle da venda do produto, que, de acordo com a Câmara Técnica de Medicamentos da Anvisa (Cateme), oferece riscos de aumento da pressão arterial dos pacientes. O diretor José Agenor Alvares foi voto vencido, contrário à comercialização da sibutramina.
A diretoria colegiada da Anvisa ainda decidiu, por unanimidade, proibir a venda de outras três drogas usadas como moderadores de apetite: dietilpropiona, femproporex e mazindol. A decisão atende integralmente o último relatório de técnicos da própria agência, liderado por Maria Eugênia Cury. O mesmo corpo técnico, no primeiro semestre, defendia a proibição de todas as drogas, inclusive da sibutramina.
- A sibutramina pode ter perfil de segurança favorável, excluindo os grupos de risco. Com plano adequado de minimização de risco. Há comprovação de perda de peso. E os atos do registro da sibutramina, nesse sentido, são consistentes. É verdade que não temos estudos desenhados sobre o desfecho clínico com relação à morbidade. As divergências residem nesse ponto. Temos uma situação em que a eficácia clínica da sibutramina não está definitivamente respondida pela ciência. Por isso, acatei no meu voto plano de manter no mercado, sob vigilância rigorosa - afirmou o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano.
Os fabricantes de sibutramina têm 60 dias para apresentar um plano de minimização de riscos. A sibutramina fica em monitoramento do perfil de segurança por 12 meses.
A sibutramina foi desenvolvida inicialmente como antidepressivo no final dos anos 80 e os testes clínicos mostraram que este remédio reduzia o apetite. A droga, de uso oral, é um inibidor seletivo da recaptação das substâncias serotonina e norepinefrina, mensageiros químicos que agem em áreas como o hipotálamo, no cérebro. Dessa forma, ela reduz o consumo de alimentos pelo aumento da saciedade e evita o declínio do gasto energético que se segue à perda de peso. O fármaco só dá resultado se acompanhado de dieta orientada por nutricionista e prática de atividade física.
A decisão atende aos endocrinologistas e aos nutrólogos, que contaram com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) para defender que a sibutramina continuasse a ser comercializada, sob pena de prejuízo ao tratamento contra a obesidade. Cardiologistas, entretanto, ponderavam que os riscos do uso são superiores aos benefícios potenciais do uso do remédio. Tese defendida pelo diretor da Anvisa, José Agenor Alvares.
- Não vejo evidência científica que justifique que essa substância continue no mercado. Vários países do mundo já adotaram a decisão de proibir. Se vários países retiraram, baseados em evidências científicas, essas evidências não podem ser desconsideradas por nós. As mesmas preocupações que temos com a nossa população, eles têm com a deles. A Anvisa não tem complexo de "vira-latas". Se vários países proibiram, acho que temos que pensar. Não existe um protocolo clínico de algum país que recomenda a sibutramina. Não vi protocolo de minimização de riscos. A minha posição é contrária à posição do relator - afirmou Alvares.
A diretora Maria Cecília disse que, até poderia ser contrária à liberação da sibutramina. Mas decidiu ponderar as alegações dos setores médicos e, especialmente, da área técnica da Anvisa.
- Não posso desconsiderar a complexidade da regulação desse processo e a responsabilidade da nossa área técnica. A manutenção da sibutramina deve ser considerada em observação e sob vigilância. Os termos de responsabilidade não são de conhecimento de quem os utiliza, a subnotificação ocorre em favor do mercado. Gostaríamos que estabelecemos um prazo de reavaliação desse processo, em cerca de um ano ou um ano e meio - afirmou Maria Cecília.
De acordo com o relatório aprovado, a sibutramina deve continuar no mercado seguindo regras especiais de controle. A a receita médica terá validade de 30 dias renováveis por um período máximo de 2 anos, com permissão de uso apenas por pacientes com massa corpórea (IMC) acima de 30 e que assinem documento em que atestam a ciência sobre os riscos do uso da droga. Toda reação adversa com o uso da droga deverá ser notificada.
De acordo com o diretor Dirceu Barbano, o Brasil responde, sozinho, por mais da metade das vendas de sibutramina no mundo. Em 2010, foram vendidas 5,6 toneladas, das quais 3 toneladas somente no Brasil. O fabricante parou de vender nos Estados Unidos e a União Européia proibiu sua venda. Na América do Sul, Argentina, Uruguai, Colômbia também proibiram o uso.
Desde o início deste ano a Anvisa discute o cancelamento do registro de medicamentos que contêm sibutramina, além dos anorexígenos anfetamínicos anfepramona, femproporex e mazindol. Nos EUA, o medicamento teve sua venda restrita em dezembro de 2009 após uma avaliação da Food and Drug Administration (FDA), que observou que a droga aumentava o risco de infartos e derrames. No início de 2010 a droga foi proibida nos EUA e na Europa junto com a divulgação do estudo "sibutramine cardiovascular outcomes trial (SCOUT)", que mostrou que o risco de infarto do miocárdio aumentou 16% em pessoas que tomaram o medicamento.
O representante do Conselho Federal de Medicina pediu a palavra, porém, o pedido foi negado porque não houve requisição de fala com antecedência de 24 horas.
Participaram da votação os diretores Jaime Oliveira, Maria Cecília Brito, José Agenor Alvares, além do direitor-presidente, Dirceu Barbano.
Fonte: O Globo Leia mais sobre esse assunto aqui.


Antipsicóticos surgem como alternativas eficazes no tratamento dos transtornos de humor.

Os antipiscóticos de segunda geração acumulam evidências crescentes de sua eficácia no tratamento dos transtornos de humor, bipolar e unipolar (depressão maior), através de inúmeras pesquisas na última década. Farmacologicamente este fenômeno pode ser explicado pela atuação desses medicamentos em receptores serotoninérgicos (estimulando a produção de serotonina), o que os diferencia dos antipsicóticos mais antigos, conhecidos como típicos ou de primeira geração, cujo protótipo mais conhecido é o haloperidol, que age somente em receptores de dopamina. O efeito in vivo dessas substâncias, entretanto, pode ser bem mais abrangente, atuando inclusive em outros sistemas de neurotransmissão, como glutamato (sistema menos conhecido, mas de grande importância para a psiquiatria).

Tanto o Congresso da Associação Americana de Psiquiatria (APA – Hawaii) como o Congresso da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA – Buenos Aires) neste ano deram destaque ao tema em diferentes mesas redondas. A ideia é que os antipsicóticos de segunda geração sejam uma alternativa aos antidepressivos e estabilizadores de humor quando o paciente não responde ao primeiro medicamento. Alguns estudos têm demonstrado que um dos fatores que compromete a resposta terapêutica a longo prazo e deixa o paciente em risco de uma recaída é a presença de sintomas residuais, ou seja, sintomas depressivos, ansiosos, hipomaníacos ou mistos, mesmo com o uso do estabilizador de humor ou do antidepressivo.

O tempo de resposta também parece ser importante, sendo a demora na resposta terapêutica um fator preditivo de pior recuperação do episódio. Assim sendo, a alternativa de um antipsicótico de segunda geração deve ser considerada tão logo se observe que a resposta ao primeiro medicamento é inadequada.

Essas evidências têm encontrado respaldo de órgãos regulatórios, como o FDA (EUA) e o Ministério da Saúde (Brasil), que já autorizaram alguns medicamentos antipsicóticos de segunda geração a incluírem em bula as indicações para o tratamento dos transtornos de humor, por ora ainda restritos ao Transtorno Bipolar, em fases distintas como mania e depressão. Porém existe a expectativa de que em breve já conste a indicação do tratamento combinado para depressão maior na bula de algumas substâncias.

O efeito que essas medicações possuem na estabilização do humor e no controle da ansiedade pode ser um adicional interessante para pacientes que não conseguem atingir a estabilidade com o uso de antidepressivos ou estabilizadores de humor isoladamente.

Um problema na prática clínica é que muitos pacientes são resistentes ao uso dessas medicações por sua associação com o tratamento da esquizofrenia (primeira indicação em bula e patologia para a qual esses medicamentos foram inicialmente desenvolvidos ou estudados).

Um problema comum na psiquiatria e ao qual já fiz algumas referências aqui no blog é que o nome das classes medicamentosas dos psicofármacos é inadequada e confunde mais o paciente. Um exemplo clássico é o da classe dos antidepressivos: reúne substâncias com diferentes mecanismos de ação e com várias indicações que não somente a depressão, pois são muito utilizados no tratamento do pânico, da ansiedade, do TOC, do estresse pós-traumático, etc. Então deveriam ser chamadas também de anti-pânico, anti-obsessivos e assim por diante. O mesmo em relação aos estabilizadores de humor e antipsicóticos, cujo uso hoje extrapola os limites dos diagnósticos para os quais foram desenvolvidos ou estudados.

O que parece um mero detalhe traz um obstáculo para a prática dos consultórios, pois muitos pacientes acabam fantasiando, acreditando que possam ter um problema psiquiátrico mais grave, ou pensando que podem ficar com alguma sequela do tratamento. Poucos compreendem que sequelas ocorrerão se não tratarem adequadamente o transtorno de humor no presente, pois estudos já têm demonstrado a associação de depressão e transtorno bipolar ao longo da vida com demência na terceira idade, principalmente quando o controle destes transtornos não é adequado.

Os antipsicóticos de segunda geração são seguros, bem tolerados, causam bem menos sintomas extrapiramidais (conhecidos como impregnação) do que os de primeira geração e pacientes em uso deles conseguem manter suas atividades ou retomá-las sem prejuízos, não se justificando o temor que muitos pacientes têm de ficarem inutilizados pelos seus efeitos adversos.

Abaixo está a lista dos antipsicóticos de segunda geração que podem ser úteis no tratamento dos transtornos de humor e seus respectivos nomes comerciais:

  • Quetiapina (Seroquel, Kitapen, Quetiapina genérica)
  • Olanzapina (Zyprexa, Zopix e Olanzapina genérica)
  • Aripiprazol (Abilify)
  • Ziprazidona (Geodon)
  • Clozapina (Leponex)
  • Amisulprida (Socian)
  • Paliperidona (Invega)
  • Risperidona (Risperdal, Riss, Respidon, Risperidon, Zargus, Esquidon, outros, inclusive genéricos)

Congresso Mundial de Psiquiatria - 18 a 22/09 - Buenos Aires

Participarei do Congresso Mundial de Psiquiatria, que este ano será na cidade de Buenos Aires, Argentina, entre os dias 18 e 22 de setembro. Estarei ausente de 10 a 25 de setembro.


Cientistas da UFRJ recriam neurônio a partir de célula da pele de paciente com esquizofrenia

Essa pesquisa parece ser promissora, os cientistas ainda vão analisar células de outros pacientes, para aprofundar os resultados e a metodologia, mas além de poder abrir uma janela para conseguirmos identificar as alterações neuronais da esquizofrenia, pode servir para testarmos novas drogas ou mesmo para nos certificarmos qual o melhor tratamento para aquele paciente individual. Agora precisamos ser cautelosos. Em pesquisa muita coisa que funciona bem em laboratório (in vitro), pode não funcionar "in vivo". O estudo também não revelou a cascata de eventos que ocorreram até a mudança de resposta da célula quando ela foi submetida ao àcido valpróico (substância utilizada no experimento). De qualquer forma é um passo importante e podemos nos orgulhar de ter saído de um laboratório nacional, principalmente sabendo do pouco investimento em pesquisa em nosso país. Compreendo o sentimento do Sr. José Augusto, mesmo porque lido com familiares de pacientes esquizofrênicos há mais de 10 anos. Eles precisam de uma notícia como esta para renovar a esperança, mas lembro que a esperança não pode se apagar nunca, afinal, mesmo com os tratamentos hoje disponíveis, podemos atingir a recuperação do paciente e de sua família. Esta tem sido a tônica do nosso trabalho no Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
Cientistas brasileiros conseguiram criar, em laboratório, neurônios iguais aos de pacientes com esquizofrenia. A identificação de alterações nas células vai ajudar na busca por novos tratamentos. O estudo foi apresentado nesta terça-feira (30) na Academia Brasileira de Ciências.
O laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro funciona como uma espécie de fábrica de células. Lá, os cientistas brasileiros conseguiram recriar neurônios de pacientes que sofrem de esquizofrenia, um transtorno mental sem cura, mas controlado com medicamentos.
Os pesquisadores usaram um pedaço de pele de uma pessoa esquizofrênica e com a ajuda de um vírus forçaram essas células a voltar no tempo até virarem células-tronco embrionárias, que dão origem a vários tecidos. Assim fabricaram os neurônios.
Durante a pesquisa, a equipe brasileira fez uma descoberta. Os pesquisadores conseguiram identificar certas alterações nos neurônios de um paciente esquizofrênico. Eles consomem mais oxigênio e produzem mais radicais livres, o que pode provocar danos às células.
Os neurônios criados em laboratório devem ajudar os cientistas a entender melhor esse distúrbio mental e a encontrar medicamentos mais eficientes para tratar a esquizofrenia. As descobertas feitas podem trazer maior esperança a quase dois milhões de brasileiros que sofrem desse mal. O futuro promete ainda mais.
“A médio e longo prazo podemos vislumbrar o que chamamos de medicina individualizada, que é basicamente pegar o fragmento da pele de um paciente, transformar aquela pele em célula-tronco e depois em neurônio, e partir daí testar medicamentos buscando aqueles que são mais eficazes especificamente para aquele determinado paciente”, explica Stevens Rehen, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.
Boa notícia para Ana Lucia e para a família. Já são 33 anos de convivência com a esquizofrenia, com médicos e preconceito. “Essa pesquisa é que vai resolver o nosso problema”, crê o aposentado José Augusto Jorge, pai de Ana Lucia. Emocionado, ele afirma que o choro é de esperança. Assista aqui ao vídeo
Fonte: Jornal Nacional - TV Globo


Estudo avalia efeitos psicológicos das redes sociais em crianças e adolescentes


Estudo apresentado em congresso de psicologia nos EUA aponta o bem e o mal que as redes sociais podem causar a jovens e adolescentes.
Um estudo apresentado no sábado (6/8) na 119.ª convenção anual da Associação Americana de Psicologia, em Washington DC (EUA), e divulgado no domingo (7/8) pelo site Science Daily afirma que o uso de redes sociais pode levar adolescentes a manifestar "tendências narcisísticas" e torná-los mais vulneráveis a ansiedade, depressão e outros problemas psicológicos.
Na apresentação, intitulada "Poke Me: How Social Networks Can Both Help and Harm Our Kids" (Cutuque-me: Como as redes sociais podem ao mesmo tempo ajudar e prejudicar nossas crianças), o PhD e professor de psicologia Larry D. Rosen, da Universidade Estadual da Califórnia, expôs que "particularmente entre jovens, estamos apenas começando a ver pesquisas sólidas que demonstram tanto o lado positivo quanto o negativo" de redes sociais como o Facebook.
Em seu estudo, Rosen aponta que adolescentes que usam Facebook tendem a apresentar com mais frequência tendências narcisísticas, enquanto jovens com forte presença no Facebook mostram mais sinais de outros problemas psicológicos, como comportamento antissocial, manias e tendências agressivas.
O abuso diário das mídias sociais e das tecnologias tem efeito negativo na saúde de todas as crianças, pré-adolescentes e adolescentes, que se tornam mais propensos a ansiedade, depressão e outros problemas psicológicos, além de deixá-los mais suscetíveis a problemas de saúde no futuro.
O psicólogo advertiu também sobre os efeitos do Facebook em estudantes: a rede social pode distrair e causar impacto negativo nos estudos. Rosen citou pesquisas que mostraram que alunos de colégio e de faculdade que visitaram o Facebook pelo menos uma vez durante um período de 15 minutos de estudo tiraram notas menores.
Benefícios
Entre os impactos positivos das redes sociais, Rosen destacou que os relacionamentos virtuais podem ajudar adolescentes introvertidos a aprender como se socializar. Além disso, as redes sociais podem fornecer ferramentas de ensino mais atraentes, capazes de promover o engajamento de jovens estudantes.
Aos pais, o professor recomendou que acompanhem as atividades dos filhos nos sites de redes sociais e discutam a remoção de conteúdo ou conexões impróprias. Os pais também precisam ficar atentos às tendências online e às últimas tecnologias, sites e aplicações que as crianças utilizam.
Estudo apresentado em congresso de psicologia nos EUA aponta o bem e o mal que as redes sociais podem causar a jovens e adolescentes.
→ Fonte: IDG Now


Entrevista sobre esquizofrenia no Canal Saúde da FIOCRUZ

Assistam à minha entrevista à jornalista Marcela Morato no Programa Ligado em Saúde, do Canal Saúde da Fiocruz, sobre a esquizofrenia. Espero que gostem!


Antidepressivos têm sua indicação questionada na depressão de pacientes com demência

Um estudo publicado este mês no The Lancet questiona o benefício dos antidepressivos em pacientes idosos diagnosticados com demência, como a doença de Alzheimer. Os autores avaliaram 300 pacientes com doença de Alzheimer diagnosticada ou suspeita durante 3 meses e verificaram que aqueles que utilizaram antidepressivos não tiveram nenhum benefício em comparação com os que utilizaram placebo, pelo contrário, o grupo tratado com antidepressivos teve mais efeitos adversos.
Um dos autores, Dr. Sube Benerjee, professor do King´s College London, Inglaterra, disse-se surpreso com o resultado e alerta para uma prática comum nos dias de hoje, que é receitar um antidepressivo para um paciente com Alzheimer. "Estou surpreso com a qualidade dos nossos resultados que permitem uma conclusão inequívoca de que o uso de antidepressivos nesta população como um tratamento de primeira linha deveria ser revisto", afirma o autor.
Este é o maior estudo até hoje que aborda o tratamento da depressão em pacientes com demência.
→ Fonte


"Bullying é um problema socioecológico"

Vale a pena a leitura desta reportagem do site Bonde. Concordo plenamente com a psicóloga Susan Swearer quando ela diz que o Bullying encontra campo fértil, seja em casa, na escola ou na comunidade e alerta para o papel das redes sociais. Observo que alguns ambientes, particularmente as escolas e as famílias, podem ter uma influencia negativa na estimulação deste tipo de comportamento, por às vezes tolerar este tipo de conduta. Às vezes o bully começa em casa, numa disputa entre primos, p.ex., e continua na escola.
Apesar de ocupar recente destaque na mídia, o bullying é um fenômeno antigo. Data do início dos anos 80 um dos primeiros estudos sobre o assunto, de autoria do professor Dan Olweus, da Universidade de Bergen, Noruega. Ele investigava o caso de três jovens com idades entre 10 e 14 anos, que haviam cometido suicídio em 1982, como resultado da agressão de um bully – quem pratica o bullying.
Quase 20 anos depois, os resultados das agressões continuam tendo o mesmo fim e por este motivo o assunto tem preocupado além de pais, professores e profissionais, autoridades que buscam nas políticas públicas tentar coibir a ação dos chamados "valentões".
"Existe uma relação entre saúde mental e bullying. Sejam os jovens agressores, vítimas, os dois (quando sofrem e praticam bullying) ou espectadores, sabemos que em muitos casos, a depressão e a ansiedade podem ser co-ocorrência de problemas. Eu sempre avalio para depressão e ansiedade quando estou trabalhando com os jovens que estão envolvidos em bullying. Bullying é um problema de saúde mental", afirma Susan Swearer, professora na Universidade de Nebraska, nos EUA, e autora de diversos estudos sobre o tema.
De acordo com a psicóloga, o fenômeno varia de acordo com o local onde ocorre. Isto sugere que existam condições psicológicas e sociais que favorecem a ocorrência deste tipo de agressão. "Estou cada vez mais convencida de que o bullying é um problema socioecológico e que o indivíduo, a família, os pares, a escola, a comunidade e todos os fatores sociais influenciam ou não sua ocorrência".
Neste sentido, para a autora, as intervenções devem ser elaboradas com base em dados coletados nos locais onde ocorrem. "As intervenções devem se basear em evidências. O que pergunto a alunos, pais e educadores é: Quais são as condições em sua escola (família, comunidade) que permitem a ocorrência deste tipo de agressão? Na resposta encontramos as áreas que devemos abordar em uma intervenção. Já que o fenômeno varia, cada local deve ter seus próprios dados para planejar intervenções eficazes, a fim de mudar as condições que estão alimentando o bullying em sua própria escola e comunidade".
Falta de padrões dificulta identificação de agressor e vítima.
Segundo Susan, não existe um perfil padrão de quem será um possível bully. "Se as condições ambientais são favoráveis, então qualquer um pode ser um bully. A mãe de uma menina vítima de bullying que cometeu suicídio me disse que as garotas que agrediam sua filha eram apenas ‘crianças normais’. As condições naquela escola e naquela cidade eram um campo fértil para agressores".
A pesquisadora aponta que existe uma dinâmica entre bullying e vitimização. De acordo com um de seus estudos, crianças que sofrem bullying em casa de seus irmãos ou parentes são mais propensas a serem bully na escola. "O que sabemos é que, se não tratadas, as crianças aprendem que praticar bullying é uma forma eficaz de conseguir o que se quer. E é provável que continuem com este comportamento na idade adulta. Assim, é fundamental intervir e parar o bullying durante os anos em idade escolar".
Da mesma forma, não existe um perfil das crianças mais propensas a cometer suicídio como resultado do bullying, por exemplo. "No livro Bullycide in America (‘Bullycídio na América’, 2007), mães de crianças vítimas de bullying que haviam cometido suicídio compartilham suas histórias e todas são diferentes. Em comum, apenas o trágico desfecho". Segundo Susan, existe uma conexão entre sofrer bullying e desenvolver depressão, e a depressão é um fator de risco para o suicídio. "Desta forma, pais e educadores devem prestar atenção em crianças com sinais e sintomas de depressão".
Tecnologia impacta bullying de forma negativa.
"Computadores, telefones celulares, sites e redes sociais são condições que permitem que o bullying ocorra. O que antes se limitava a um encontro cara a cara e em locais específicos, agora pode acontecer durante 24 horas, sete dias por semana". Uma maneira indicada por Susan de proteger as crianças é limitar ou monitorar o uso destas tecnologias. "Eu pergunto aos pais: você deixaria sua filha de 12 anos andar sozinha por um beco escuro? Então, por que a deixa usar o computador e mandar mensagens de texto sem acompanhar?". Para a psicóloga, pais e filhos não conseguem perceber o lado negativo da tecnologia e das redes sociais.
→ Fonte


Anvisa a um passo de proibir os emagrecedores no Brasil

Agência reguladora não se convence das desvantagens de proibir a venda dos inibidores de apetite em reunião técnica com especialistas e deve, até agosto, anunciar a proibição desses medicamentos.
Após meses de intensos debates, deve se confirmar a proibição da venda de remédios inibidores de apetite no Brasil, sugerida em nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em fevereiro deste ano. A discussão acerca do assunto foi encerrada em um painel promovido, na terça-feira, pelo órgão, conforme adiantado pelo Correio em 8 de junho. Segundo a chefe do núcleo de investigação em vigilância sanitária da Anvisa, Maria Eugênia Cury, o encontro reforçou as conclusões da agência reguladora de que não há margem de garantia para o consumo da sibutramina e dos anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazidol) com segurança por pacientes obesos. "Nós não conseguimos ter uma resposta objetiva de qual população se beneficia. Que o medicamento tem problemas de segurança, eu não tenho dúvidas. Reforçou (o painel) a avaliação de que o perfil de segurança do remédio é mais desfavorável do que favorável", afirma Maria Eugênia.
Boa parte da discussão voltou-se ao uso dos medicamentos, bastante receitados no Brasil. Segundo o presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, o mundo consumiu 5,7t de sibutramina em 2010. Dessas, 3,3t foram vendidas na América do Sul e quase 80% desse valor, cerca de 2,6t, foram consumidas por pacientes brasileiros. A maior divergência entre a agência e as entidades médicas e farmacêuticas envolvidas girava em torno do estudo Scout, que levou à proibição da sibutramina na Europa. No painel técnico, segundo Maria Eugênia Cury, foi possível analisar os dados do estudo e mostrar para os médicos que não havia equívoco em falar sobre os riscos para qualquer obeso, e não apenas para aqueles que já tenham histórico de doenças cardiovasculares. "A gente conseguiu ver que há técnicos e cientistas que não são da Anvisa e que confirmaram a nossa avaliação de que esse estudo, aliado a outros, demonstra riscos na utilização em uma população que não é só essa de contraindicação", explica a coordenadora.
Cury afirma que muitas das 15 questões enviadas às entidades médicas a respeito da segurança do uso dos emagrecedores permaneceram em aberto mesmo após os debates de terça. O representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Ricardo Meirelles, afirma, no entanto, que todas foram sanadas. "Elas foram respondidas embasadas em publicações de revistas científicas, mostrando que não era a opinião de alguns especialistas, mas conclusões de trabalhos feitos em diversos países. A sensação que se teve é de que a Anvisa já está com uma ideia pré-concebida e não parece muito disposta a mudar", queixa-se. "Para os defensores da manutenção desses medicamentos, o estudo Scout foi mal interpretado porque foi feito com pacientes que já tinham doença cardiovascular prévia. O estudo apenas confirmou a bula, e a Anvisa, a exemplo da Agência Europeia, está querendo estender a proibição a toda a população de obesos", diz Meirelles.
O argumento usado pelos médicos, segundo o cardiologista e autor de livros de farmacologia clínica Flávio Danni Fuchs, não foi convincente. "Não se tem evidência concreta de que (o medicamento) seja útil em pacientes. Infelizmente, ele aumenta a pressão arterial e se mostrou perigoso em indivíduos com doença vascular e diabetes. Medicamentes que não têm segurança não devem ser autorizados para uso", sustenta Fuchs.
Se antes havia um clima de otimismo entre os médicos diante da possibilidade de recuo da Anvisa, agora há apreensão. "Se for mantida essa posição, vai ser um prejuízo para todos os obesos, que atualmente são mais de 15% da população brasileira", afirma Meirelles, representante da Sbem.
A Anvisa tem dois pareceres favoráveis à suspensão do registro dos inibidores de apetite no país. Depois do último painel de discussão, será elaborado um documento que será submetido à avaliação da Diretoria Colegiada da agência reguladora, que deve decidir pela proibição dos emagrecedores. A previsão é de que a resposta final saia até agosto, segundo o presidente Dirceu Barbano.
Fonte: Correio Braziliense - 16/06/11


Doença mental é a que mais prejudica adolescentes

Mais um motivo de alerta para os pais! O tratamento precoce, na adolescência, é o caminho para melhorar a saúde mental na fase adulta e prevenir as complicações e a interrupção no desenvolvimento.
As doenças neuropsiquiátricas são a principal causa de afastamento do trabalho e do estudo na adolescência, aponta um artigo publicado na revista The Lancet. Cerca de 45% dos casos de afastamento na faixa etária de 10 a 25 anos estão associados a problemas psíquicos - especialmente depressão, alcoolismo, esquizofrenia e transtorno bipolar.
É a primeira análise científica que tenta traçar um panorama global de fatores que podem levar à invalidez na juventude. Os autores, da Organização Mundial da saúde (OMS), utilizaram dados de 2004 do Global Burden of Disease, levantamento internacional do impacto das doenças na família, na economia e na sociedade.
Os cientistas avaliaram um índice chamado Daly, que mede o tempo de vida perdido por morte prematura ou doença debilitante. A região que apresentou os piores índices foi a África, com valores cerca de 2,5 vezes maiores que os observados nos países ricos.
De um modo geral, o índice Daly para rapazes de 15 a 19 anos, em todas as regiões, apresentava valores 12% maiores que o das garotas na mesma idade.
As três principais causas de afastamento do estudo e do trabalho, na ordem, são: doenças psiquiátricas (45%), acidentes (12%, especialmente no trânsito) e doenças infecciosas ou parasitárias (10%).
O estudo também aponta os principais fatores de risco para a saúde durante a adolescência: pela ordem, alcoolismo, sexo inseguro, deficiência de ferro e gravidez precoce.
Em um comentário que acompanha o estudo, de John Santelli e Sandro Galea, da Universidade Columbia, os pesquisadores argumentam a necessidade de intervenções que aumentam "as conexões dos adolescentes às comunidades, escolas e famílias". "Elas são essenciais para a promoção da saúde entre os jovens", argumenta o texto.
Cerca de 27% da população mundial está na faixa etária analisada pelo estudo - de 10 a 24 anos - o equivalente a 1,8 bilhão de pessoas. Estima-se que, em 2032, chegará a 2 bilhões, com 90% vivendo em países de baixa ou média renda.
As doenças neuropsiquiátricas são a principal causa de afastamento do trabalho e do estudo na adolescência, aponta um artigo publicado na revista The Lancet. Cerca de 45% dos casos de afastamento na faixa etária de 10 a 25 anos estão associados a problemas psíquicos - especialmente depressão, alcoolismo, esquizofrenia e transtorno bipolar.
Fonte: O Estado de São Paulo


Entenda o que é o oxi e como a droga se espalhou pelo Brasil

O oxi já apareceu em diversos estados, como alternativa barata ao crack. Os primeiros relatos de consumo do oxi foram registrados no Norte do Brasil, mas, nos últimos dois meses, a droga já foi apreendida em pelo menos 13 Estados do país.
Apesar de ter sido apontada como uma nova droga pela mídia, o oxi é considerado por especialistas como uma variação mais barata e tóxica do crack, que combina a pasta base de cocaína com substâncias químicas de fácil acesso.
Entenda as principais características do oxi e saiba o que já foi descoberto sobre os efeitos e a proliferação da droga.
De que é feito o oxi?
O oxi é uma mistura da pasta base de cocaína, fabricada a partir das folhas de coca, com substâncias químicas de fácil acesso, como querosene, gasolina, cal virgem ou solvente usado em construções.
De acordo com o perito do Instituto de Criminalística de São Paulo, José Luiz da Costa, a fabricação da pasta base de cocaína - da qual também são feitos a cocaína em pó, o crack e a merla - também é feita utilizando uma substância alcalina e um solvente para extrair uma maior quantidade do princípio ativo da planta, responsável pelo efeito principal da droga no sistema nervoso.
"Para se transformar em oxi, a pasta recebe novamente uma quantidade de solvente e alcalino. Só que, desta vez, são produtos como o querosene e o cal, ainda mais tóxicos do que o bicarbonato de sódio, o amoníaco e a acetona, usados para fazer o crack e na cocaína em pó", diz o perito.
A droga pode ser misturada ao cigarro comum e ao cigarro de maconha, mas, geralmente, é fumada em cachimbos de fabricação caseira, como o crack.
Segundo o psiquiatra Pablo Roig, diretor da clínica de reabilitação Greenwood, em São Paulo, o oxi libera uma fumaça escura ao ser consumido e costuma deixar um resíduo marrom, semelhante ao efeito da ferrugem em metais.
Por isso a droga recebeu o nome de oxi, uma abreviação de "oxidado".
Qual a diferença entre oxi e crack?
A principal diferença entre o oxi e o crack no mercado das drogas é o preço.
De acordo com o diretor do Departamento de Investigações sobre Narcóticos de São Paulo (Denarc), Wagner Gíldice, o oxi é vendido por cerca de R$ 2 a R$ 5 nas ruas. Pedras de crack podem chegar a custar R$ 10.
O oxi é mais barato justamente porque é feito com produtos químicos que podem ser conseguidos sem fiscalização e a preços baixos. Também por causa da utilização destas substâncias químicas, ele é mais prejudicial ao organismo do que o crack.
No entanto, especialistas dizem que o efeito psicológico das duas drogas é muito semelhante, já que ambas tem o mesmo princípio ativo, que é a pasta de cocaína.
Segundo o psiquiatra Pablo Roig, tanto o crack como o oxi podem viciar os usuários mais rapidamente do que a cocaína em pó, porque chegam mais rapidamente ao cérebro.
"A cocaína absorvida em pó pelo nariz tem que passar pelo sangue até chegar ao cérebro. Por isso, ela demora mais para fazer efeitos do que crack e oxi, que são inalados e vão do pulmão diretamente para o cérebro em questão de segundos", diz.
Mas Roig diz que, uma vez no organismo, o oxi é mais letal do que o crack, por causa do alto nível de toxicidade das substâncias de que é composto.
"A toxicidade do oxi encurta a vida do usuário em 20% em relação ao crack. Os usuários de crack vivem pelo menos 5 a 6 anos, mas 30% dos usuários de oxi poderão estar mortos depois de um ano", afirmou.
Quais são os efeitos do oxi no organismo?
A psicóloga Helena Lima afirma que a droga age no sistema nervoso, proporcionando sensações variadas, que podem ir de prazer e alívio a angústia e paranoia a depender da pessoa.
"Pela descrição dos usuários, sabemos que o oxi faz efeito entre sete e nove segundos a partir do momento em que é inalado", diz.
Uma vez no organismo, a combinação de substâncias do oxi pode causar lesões sérias da boca até os rins.
"Dizemos que o oxi é artesanal por causa da sua produção, mas, em termos bioquímicos, ele é bastante complexo e sofisticado e, por isso, muito prejudicial", diz Lima.
Na boca, o querosene ou gasolina combinados com o calor provocam ferimentos nos lábios e na mucosa bucal, danificam as papilas gustativas da língua - células responsáveis pelo reconhecimento de sabores -, causam ferimentos no esôfago e corroem os dentes.
O cal virgem na droga pode provocar fibrose pulmonar, que prejudica a captação de ar pelo pulmão.
Os químicos adicionados à droga vão para o fígado, que é o órgão responsável por metabolizá-las. No entanto, a droga sobrecarrega o fígado e compromete suas funções, como a distribuição de açúcar no organismo.
Por causa disso, o uso prolongado do oxi aumenta as chances de doenças como cirrose hepática e o acúmulo de gordura no órgão.
"Muitas pessoas também misturam o oxi com o álcool, o que é ainda pior. A mistura forma uma substância chamada cocaetileno, que é altamente tóxica para o fígado. Por isso, vê-se usuários com lesões sérias no fígado em pouco tempo", diz Pablo Roig.
Quem consome oxi também está sujeito a falhas nos rins, que também ficam sobrecarregados pela alta quantidade de toxinas resultantes da combinação química da droga.
A dificuldade dos rins em eliminar as toxinas faz com que elas permaneçam circulando no sangue, causando náuseas, diarreia e problemas gastrointestinais.
Além disso, o usuário também está vulnerável aos problemas causados pelo princípio ativo da cocaína, como o risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Como a droga chegou no Brasil?
Especialistas e investigadores afirmam que o oxi começou a entrar no país pela fronteira com a Bolívia, que é o terceiro produtor de cocaína do mundo, segundo dados da ONU.
Há relatos de que o uso do oxi começou em Estados como Acre e Pará há cerca de 20 anos, mas, ao que tudo indica, começou a se espalhar pelo país nos último sete anos.
Um dos primeiros estudos brasileiros a mencionar a droga foi conduzido pela psicóloga e especialista em saúde pública Helena Lima, no Acre, em 2003.
"A pesquisa foi publicada em 2005 e fui muito procurada para falar sobre o oxi. No entanto, era uma droga desconhecida em um Estado pequeno no Norte do país. Por isso, ela foi ficando em segundo e terceiro plano na medida em que o problema do crack cresceu", diz a pesquisadora.
Nos últimos anos, o oxi passou a ser produzido no Brasil utilizando a pasta base de cocaína conseguida através do narcotráfico e os produtos químicos locais, como cal, querosene, gasolina e solvente.
"Acho que o fator estrutural do crescimento do oxi é a fragilidade do controle dos insumos químicos. A facilidade de acesso a essas substâncias acontece no país todo", afirma Helena Lima.
A psicóloga diz ainda que, no Acre, a droga se espalhou através dos usuários. "O oxi passa de mão em mão, mas também podem haver criminosos e até policiais envolvidos na distribuição."
O diretor do Denarc, Walter Gíldice, avalia que há uma grande possibilidade de que organizações de narcotráfico estejam diretamente envolvidas na proliferação do oxi.
"São os grandes traficantes que detém a pasta base, então eles podem estar por trás disso. Mas o que foi apreendido aqui já está sendo produzido aqui", diz.
Mas Gíldice também alerta para o fato de que, por ser produzida artesanalmente, a droga tem características diferentes em cada Estado. "As pedras que estão sendo vendidas no Pará são diferentes das de São Paulo, por exemplo. Aqui, elas são mais parecidas com o crack do que lá."
O que está sendo feito em relação à proliferação do oxi?
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está realizando uma pesquisa de campo sobre o oxi no Brasil, a pedido da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), órgão vinculado ao Ministério da Justiça.
De acordo com Helena Lima, a pesquisa é essencial para entender como a droga está sendo produzida e a quem está atingindo em cada região do país.
"Apesar da idéia de que o oxi é uma droga mais comum entre as classes mais baixas e entre os usuários de crack, entrevistei desde analfabetos até pessoas com formação universitária usando oxi no Acre", diz a pesquisadora.
"Só é possível combater o oxi sabendo como ele penetrou em cada Estado do Brasil, e isso depende das demandas do mercado de drogas em cada região."
O jurista e ex-secretário nacional Antidrogas Walter Maierovich afirma que, além de campanhas que alertem sobre os perigos da droga, é preciso realizar um controle mais rígido da venda de produtos químicos de uso mais corrente, como o cal e os solventes.
As fronteiras do país, segundo Maierovich, também precisam de mais vigilância.
"Ninguém está indo nos municípios da fronteira e verificando o aumento da renda nestes municípios. Estes lugares geralmente são pequenos e têm uma movimentação de dinheiro limitada. Se, de repente, há mais dinheiro circulando do que a capacidade desse lugar, há algo errado", disse.
O oxi já apareceu em diversos estados, como alternativa barata ao crack. Os primeiros relatos de consumo do oxi foram registrados no Norte do Brasil, mas, nos últimos dois meses, a droga já foi apreendida em pelo menos 13 Estados do país.
Fonte: BBC Brasil


Entrevista do Prof. Wagner Gattaz (USP) sobre Depressão no Canal Livre.

Vale a pena assistir à entrevista do Prof. Wagner Farid Gattaz, da USP, ao programa Canal Livre, da Band. Ele fala com muita clareza e didática sobre a depressão e as doenças mentais.

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4


Família pede ajuda para encontrar Joana

Reproduzo a pedido da família o cartaz com a foto de Joana Xavier de Souza Lisboa, paciente desaparecida de uma Clínica de Repouso em Canasvieiras, Florianópolis, Santa Catarina.
Procuro minha filha Joana vista pela última vez entre Canasvieiras e Jurerê Internacional no domingo à tarde (13/03).
Ela veste blusa azul claro, calça jeans e chinelo. Tem problemas psiquiátricos, mas não é agressiva.
Se você a viu, por favor entrar em contato em qualquer um dos telefones abaixo: 3365-1899 / 84345868 / 84781754 / 84297925 - Lenore Xavier de Souza.


Congresso da Associação Americana de Psiquiatria (APA), Honolulu, Havaí 2011


Estarei no APA agora em maio, um dos principais congressos de psiquiatria no mundo, realizado este ano em Honolulu, no Havaí. Espero trazer novidades para serem comentadas aqui no Blog. Um grande abraço a todos!


Matéria sobre depressão no site "Mais de 50".

Confiram a matéria publicada no site Mais de 50 sobre a depressão. Acesse clicando aqui.

Sinais da depressão

Aprenda a identificar os primeiros sinais da doença e procurar ajuda correta. Por Ilana Ramos.

Se você apresenta sintomas como tristeza profunda por muito tempo, apatia, perda do apetite e do sono, cuidado! Você pode estar entre os cerca de 121 milhões de pessoas no mundo todo, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), afetadas pela depressão. E não há motivo nenhum para vergonha. Assim como qualquer outra enfermidade física, como dores e machucados, os sintomas da depressão podem ser tratados e remediados, bastando afastar os convencionalismos, identificar os sinais e procurar ajuda profissional.

O primeiro passo para se dar início a qualquer tratamento é conhecer a doença. De acordo com o psiquiatra, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia Leonardo Palmeira, a depressão “é um transtorno de humor cujas características principais são tristeza, desânimo, falta de prazer, sintomas neurovegetativos (insônia ou aumento do sono) e aumento ou diminuição de apetite. Para identificar a depressão, é bom observar se há uma tristeza profunda, que dura mais de duas semanas. Além disso, a pessoa apresenta muito desânimo, baixa autoestima, não vê graça em nada, não vê sentido na vida”.

Mesmo com a discriminação em torno da depressão, esse termo já está vulgarizado na cultura popular. Diz-se que ou a pessoa está feliz ou está deprimida. O médico explica que “a tristeza passageira se relaciona apenas a algum evento externo como luto, perda de emprego, falência econômica. Como o nome já diz, ela é passageira, dura alguns dias, menos de uma semana. A depressão apresenta outros sintomas como alteração de apetite e do sono. A tristeza passa, todo mundo tem momentos de tristeza. A depressão é uma doença”.

A síndrome depressiva, bem como a tristeza comum, pode ser desencadeada simplesmente por algum fator externo que cause tristeza profunda, como a morte de um ente querido ou a perda de um emprego. No entanto, ela também pode ter raízes muito mais profundas. “A depressão pode ser desencadeada por uma condição médica. Ela pode ser hormonal, uma vez que o hipotireoidismo apresenta sintomas semelhantes; vitamínica, já que a deficiência da vitamina B12 no organismo está associada ao transtorno;e devido a certas doenças crônicas. Algumas pessoas, no entanto, não sabem exatamente o motivo, que é chamada de endógena. Ela vem de dentro e é mais popularmente conhecida como melancólica, que não tem nenhum fator externo evidente”, exemplifica o médico.

No entanto, como muitos já devem imaginar, a depressão também pode estar associada às variações hormonais que acontecem após os 50 anos. Leonardo Palmeira explica que “a depressão é comum em todas as fases da vida, mas após os 50 as causas podem estar associadas à diminuição na produção de certos hormônios, especialmente nas mulheres. Algumas desenvolvem a condição quando entram na menopausa ou na perimenopausa, período que antecede a menopausa. Após os 60, em ambos os sexos, observa-se uma associação da síndrome ao declínio da independência do indivíduo, que começa a ter dificuldades para se manter sem ajuda”.

Superar uma depressão pode não ser fácil, e sem a assistência de um especialista e o apoio da família fica mais difícil. Ainda de acordo com a OMS, menos de 25% das pessoas afetadas pelo transtorno depressivo têm acesso a tratamentos eficazes. Diante desse quadro, procurar ajudar é fundamental para tratar a doença. “A depressão é uma doença recorrente, que pode se manifestar mais de uma vez ao longo da vida. Ela é caracterizada pela diminuição dos neurotransmissores serotonina e noradrenalina e esse equilíbrio não pode ser corrigido sem o uso de medicamentos. No entanto, o uso da medicação deve ser acompanhado por um médico e em paralelo a sessões de terapia. A participação da família é importante também, pois ela funciona como colaboradora no tratamento. Se o familiar for bem esclarecido ele poderá ajudar ainda mais”, finaliza o psiquiatra.